3 de abril, 6ª feira, Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo

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– Leitura orante do evangelho de hoje, dia 3 de abril, 6ª feira da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo.

- A primeira coisa que descobrimos ao contemplar o Crucificado do Gólgota, torturado injustamente até à morte pelo poder político-religioso, é a força destruidora do mal, a crueldade do ódio e o fanatismo da mentira. Precisamente aí, nessa vítima inocente, nós seguidores de Jesus, vemos o Deus identificado com todas as vítimas de todos os tempos. Está na Cruz do Calvário e está em todas as cruzes sonde sofrem e morrem os mais inocentes.

- Escuta alguns versículos da narrativa da Paixão do Senhor que está presente no Evangelho segundo João, capítulo 18, versículos 1 ao capítulo 19, versículo 42:

Naquele tempo, Jesus saiu com os discípulos para o outro lado da torrente do Cedron. Havia aí um jardim, onde ele entrou com os discípulos. Também Judas, o traidor conhecia o lugar... Judas levou consigo um destacamento de soldados... Os soldados prenderam Jesus e o amarraram... Conduziram-no primeiro a Anás, sumo sacerdote naquele ano... Simão Pedro e um outro discípulo seguiam Jesus... Anás enviou Jesus amarrado a Caifás... Novamente Pedro negou Jesus e na mesma hora, o galo cantou... De Caifás levaram Jesus ao palácio do governador... Pilatos disse a Jesus: “Tu és rei?” Jesus respondeu: “Tu o dizes: eu sou rei”... Pilatos mandou flagelar Jesus. Os soldados teceram uma coroa de espinhos e a colocaram na cabeça de Jesus. Vestiram-no com um manto vermelho... Os judeus gritavam: “Crucifica-o! Crucifica-o!”... Então Pilatos entregou Jesus para ser crucificado, e eles o levaram. Jesus tomou a cruz sobre si e saiu para o lugar chamado “Calvário”. Ali o crucificaram, com outros dois... Perto da cruz de Jesus estava de pé a sua mãe... Jesus, sabendo que tudo estava consumado, e para que a Escritura se cumprisse até o fim, disse: “Tenho sede”... Amarraram numa vara uma esponja embebida de vinagre e levaram-na à boca de Jesus. Ele tomou o vinagre e disse: “Tudo está consumado”. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.

-A vida é constantemente chamada a ser Páscoa. Porque na vitória da Vida entregue, ela ganha sentido, avança, como uma torrente que rega terras secas, ávidas de água, como um fogo que, na noite mais escura, traz uma luz que permite vislumbrar a vida oculta. O Crucificado nos revela que não existe, nem existirá nunca um Deus frio, insensível e indiferente, mas um Deus que padece conosco, sofre nossos sofrimentos e morre nossa morte. Despojado de todo poder dominador, de toda beleza estética, de todo êxito político e de toda auréola religiosa, Deus se revela a nós, no mais puro e insondável de seu mistério, como amor e somente amor. Nós cristãos contemplamos o Crucificado para não esquecer nunca o “amor louco” de Deus para com a humanidade e para manter viva a recordação de todos os crucificados da história.

- Sabes compreender e dar sentido ao teu sofrimento, tua dor? Tens a capacidade de esperar somente em Deus? Consegues acolher o silêncio de Deus em tua vida?

-“Tudo está consumado” disse Jesus. Acompanhando Jesus na paixão, também “vamos sendo talhados” pelas cenas que contemplamos, com o coração aberto à dor e à aflição. É o seguimento levado às últimas consequências. Participando da morte de Jesus, podemos também fazer de nossas cotidianas mortes um ato de decisão, de entrega, de oblação. A certeza de nossa fé em Cristo, morto e ressuscitado, nos ajuda a tirar do coração os medos, os impulsos egoístas de busca de segurança e proteção, e encontrar uma paz profunda que nos permita fazer de nossa vida uma oferenda gratuita em favor da vida dos outros. Rezemos a oração de Dom Bruno Forte:

Senhor Jesus,
Deus crucificado pela vida do mundo,
ajuda-nos a ouvir o silêncio eloquente da Tua paixão,
revelação do infinito Amor.
Faze que possamos reconhecer na Tua morte, no Teu abandono,
o dom Daquele que Te abandona.
E na força do Espírito,
divino Consolador da incomensurável dor na hora nona,
faze que saibamos abandonar-nos contigo nos braços do Pai,
para transformar a história da nossa dor e de todo o sofrimento humano
na história do amor que vence a morte. Amém. Assim seja!

- Deus Santo, Deus forte, Deus imortal,
tende piedade de nós e do mundo inteiro. Amém!



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