15 de março, 4º Domingo da Quaresma
-Leitura orante do evangelho de hoje, dia 15 de março, 4º Domingo da Quaresma.
- Encontramos hoje uma discussão de Jesus com os judeus e que começa com esta afirmação: “Eu sou a luz do mundo” . Frente à cegueira cultural-religiosa, Jesus se mostra como Luz na vida. O relato deste domingo nos põe em contato com Jesus que traz Luz-Vida. Ele não só se revela como Luz, mas, através de seu “toque”, ativa a luz presente naquele que não podia ver a luz do dia.
-Escuta o evangelho de João, capítulo 9, versículos de 1 a 41:
Naquele tempo, ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença.
Os discípulos perguntaram a Jesus:
"Mestre, quem pecou para que nascesse cego: ele ou os seus pais?"
Jesus respondeu: "Nem ele nem seus pais pecaram, mas isso serve para que as obras de Deus
se manifestem nele. É necessário que nós realizemos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia. Vem a noite, em que ninguém pode trabalhar.Enquanto estou no mundo, eu sou a luz do mundo".
Dito isto, Jesus cuspiu no chão, fez lama com a saliva e colocou-a sobre os olhos do cego.
E disse-lhe: "Vai lavar-te na piscina de Siloé" (que quer dizer: Enviado).
O cego foi, lavou-se e voltou enxergando.
Os vizinhos e os que costumavam ver o cego - pois ele era mendigo - diziam:
"Não é aquele que ficava pedindo esmola?" Uns diziam: "Sim, é ele!"
Outros afirmavam:"Não é ele, mas alguém parecido com ele".
Ele, porém, dizia: "Sou eu mesmo!"
Então lhe perguntaram: "Como é que se abriram os teus olhos?"
Ele respondeu: "Aquele homem chamado Jesus fez lama, colocou-a
nos meus olhos e disse-me: 'Vai a Siloé e lava-te'. Então fui, lavei-me e comecei a ver".
Perguntaram-lhe: "Onde está ele?"
Respondeu: "Não sei".
Levaram então aos fariseus o homem que tinha sido cego. Ora, era sábado, o dia em que Jesus tinha feito lamae aberto os olhos do cego.
Novamente, então, lhe perguntaram os fariseus como tinha recuperado a vista.
Respondeu-lhes: "Colocou lama sobre meus olhos, fui lavar-me e agora vejo!"
Disseram, então, alguns dos fariseus:
"Esse homem não vem de Deus, pois não guarda o sábado".
Mas outros diziam: "Como pode um pecador fazer tais sinais?"
E havia divergência entre eles.
Perguntaram outra vez ao cego: "E tu, que dizes daquele que te abriu os olhos?"
Respondeu: "É um profeta."
Então, os judeus não acreditaram que ele tinha sido cego e que tinha recuperado a vista.
Chamaram os pais dele e perguntaram-lhes:
"Este é o vosso filho, que dizeis ter nascido cego? Como é que ele agora está enxergando?"
Os seus pais disseram:
"Sabemos que este é nosso filho e que nasceu cego. Como agora está enxergando, isso não sabemos. E quem lhe abriu os olhos também não sabemos. Interrogai-o, ele é maior de idade,
ele pode falar por si mesmo".
Os seus pais disseram isso, porque tinham medo das autoridades judaicas.
De fato, os judeus já tinham combinado expulsar da comunidade
quem declarasse que Jesus era o Messias. Foi por isso que seus pais disseram:
"É maior de idade. Interrogai-o a ele".
Então, os judeus chamaram de novo o homem que tinha sido cego.
Disseram-lhe: "Dá glória a Deus! Nós sabemos que esse homem é um pecador".
Então ele respondeu:
"Se ele é pecador, não sei. Só sei que eu era cego e agora vejo".
Perguntaram-lhe então: "Que é que ele te fez? Como te abriu os olhos?"
Respondeu ele:
"Eu já vos disse, e não escutastes. Por que quereis ouvir de novo?
Por acaso quereis tornar-vos discípulos dele?"
Então insultaram-no, dizendo:
"Tu, sim, és discípulo dele! Nós somos discípulos de Moisés.
Nós sabemos que Deus falou a Moisés, mas esse, não sabemos de onde é".
Respondeu-lhes o homem: "Espantoso! Vós não sabeis de onde ele é?
No entanto, ele abriu-me os olhos! Sabemos que Deus não escuta os pecadores,
mas escuta aquele que é piedoso e que faz a sua vontade.
Jamais se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença.
Se este homem não viesse de Deus, não poderia fazer nada".
Os fariseus disseram-lhe:
"Tu nasceste todo em pecado e estás nos ensinando?"
E expulsaram-no da comunidade. Jesus soube que o tinham expulsado.
Encontrando-o, perguntou-lhe:
"Acreditas no Filho do Homem?"
Respondeu ele: "Quem é, Senhor, para que eu creia nele?"
Jesus disse: "Tu o estás vendo; é aquele que está falando contigo".
Exclamou ele: "Eu creio, Senhor!"
E prostrou-se diante de Jesus. Então, Jesus disse:
"Eu vim a este mundo para exercer um julgamento, a fim de que os que não veem, vejam,
e os que veem se tornem cegos".
Alguns fariseus, que estavam com ele, ouviram isto e lhe disseram:
"Porventura, também nós somos cegos?"
Respondeu-lhes Jesus:
"Se fôsseis cegos, não teríeis culpa; mas como dizeis:
'Nós vemos', o vosso pecado permanece".
-Todo o relato do evangelho é simbólico; as alusões ao batismo são constantes. A Igreja primitiva chamava o batismo de “iluminação”. Trata-se de indicar aos catecúmenos o caminho que precisam percorrer antes do batismo. Este cego de nascença representa toda a humanidade, porque, em certo sentido, todos somos cegos enquanto não acolhamos Aquele que é Luz. Esta cegueira é a que impede ver a verdade que nos fará livres. Somos cegos quando nos fechamos em nossa mentalidade, critérios, ideologias... Somos cegos quando nos petrificamos no fanatismo, na intolerância e na resistência em perceber a luz que habita naquele que pensa e sente de maneira diferente. Jesus é a “Luz que toca”; aqui aparece, com muita força, o símbolo do contato físico. O contato nos faz despertar. Ao “ungir-lhe os olhos”, Jesus convida o cego a ser homem “acabado, reconstruído, restaurado...”.
-Reflita: Quê há de fechamento, de intransigência, de superficialidade, de rotina em minha vida, que não quero ver? Estou aberto a acolher a Luz da verdade, do amor, da justiça, da gratuidade... venha de onde vier? Em quê aspectos de minha vida pessoal e relacional preciso abrir-me à luz do Evangelho? Sou luz que ajudo os outros a verem?
-Exclamou o cego: "Eu creio, Senhor!". Pouco a pouco, o mendigo vai ficando sozinho. Seus pais não o defendem; os dirigentes religiosos o expulsam da sinagoga. Ao ver a realidade com o novo olhar que Jesus lhe ofereceu, já não cabia dentro da sinagoga, lugar de uma atrofiada visão de Deus e da vida. O que era cego experimentou o amor gratuito. O cego opta livremente pela luz. Segue o caminho apontado por Jesus e chega à meta indicada. Diz Pe. Adroaldo Palaoro:
“A arte de viver consiste, fundamentalmente, em chegar a ver tudo com o coração. Só o coração descobre em tudo as pegadas da Presença de Deus, que olha a partir do rosto de cada pessoa, a partir da beleza de cada criatura. O amor nos abraça em tudo quanto vemos”
-Peça ao Senhor a capacidade de Ver mais além, a partir do coração, transcender, despertar tua visão interna e intuitiva das coisas e das pessoas, tirar as cataratas de seus olhos e abrir-nos a Deus.
-Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. Amém!
- Encontramos hoje uma discussão de Jesus com os judeus e que começa com esta afirmação: “Eu sou a luz do mundo” . Frente à cegueira cultural-religiosa, Jesus se mostra como Luz na vida. O relato deste domingo nos põe em contato com Jesus que traz Luz-Vida. Ele não só se revela como Luz, mas, através de seu “toque”, ativa a luz presente naquele que não podia ver a luz do dia.
-Escuta o evangelho de João, capítulo 9, versículos de 1 a 41:
Naquele tempo, ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença.
Os discípulos perguntaram a Jesus:
"Mestre, quem pecou para que nascesse cego: ele ou os seus pais?"
Jesus respondeu: "Nem ele nem seus pais pecaram, mas isso serve para que as obras de Deus
se manifestem nele. É necessário que nós realizemos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia. Vem a noite, em que ninguém pode trabalhar.Enquanto estou no mundo, eu sou a luz do mundo".
Dito isto, Jesus cuspiu no chão, fez lama com a saliva e colocou-a sobre os olhos do cego.
E disse-lhe: "Vai lavar-te na piscina de Siloé" (que quer dizer: Enviado).
O cego foi, lavou-se e voltou enxergando.
Os vizinhos e os que costumavam ver o cego - pois ele era mendigo - diziam:
"Não é aquele que ficava pedindo esmola?" Uns diziam: "Sim, é ele!"
Outros afirmavam:"Não é ele, mas alguém parecido com ele".
Ele, porém, dizia: "Sou eu mesmo!"
Então lhe perguntaram: "Como é que se abriram os teus olhos?"
Ele respondeu: "Aquele homem chamado Jesus fez lama, colocou-a
nos meus olhos e disse-me: 'Vai a Siloé e lava-te'. Então fui, lavei-me e comecei a ver".
Perguntaram-lhe: "Onde está ele?"
Respondeu: "Não sei".
Levaram então aos fariseus o homem que tinha sido cego. Ora, era sábado, o dia em que Jesus tinha feito lamae aberto os olhos do cego.
Novamente, então, lhe perguntaram os fariseus como tinha recuperado a vista.
Respondeu-lhes: "Colocou lama sobre meus olhos, fui lavar-me e agora vejo!"
Disseram, então, alguns dos fariseus:
"Esse homem não vem de Deus, pois não guarda o sábado".
Mas outros diziam: "Como pode um pecador fazer tais sinais?"
E havia divergência entre eles.
Perguntaram outra vez ao cego: "E tu, que dizes daquele que te abriu os olhos?"
Respondeu: "É um profeta."
Então, os judeus não acreditaram que ele tinha sido cego e que tinha recuperado a vista.
Chamaram os pais dele e perguntaram-lhes:
"Este é o vosso filho, que dizeis ter nascido cego? Como é que ele agora está enxergando?"
Os seus pais disseram:
"Sabemos que este é nosso filho e que nasceu cego. Como agora está enxergando, isso não sabemos. E quem lhe abriu os olhos também não sabemos. Interrogai-o, ele é maior de idade,
ele pode falar por si mesmo".
Os seus pais disseram isso, porque tinham medo das autoridades judaicas.
De fato, os judeus já tinham combinado expulsar da comunidade
quem declarasse que Jesus era o Messias. Foi por isso que seus pais disseram:
"É maior de idade. Interrogai-o a ele".
Então, os judeus chamaram de novo o homem que tinha sido cego.
Disseram-lhe: "Dá glória a Deus! Nós sabemos que esse homem é um pecador".
Então ele respondeu:
"Se ele é pecador, não sei. Só sei que eu era cego e agora vejo".
Perguntaram-lhe então: "Que é que ele te fez? Como te abriu os olhos?"
Respondeu ele:
"Eu já vos disse, e não escutastes. Por que quereis ouvir de novo?
Por acaso quereis tornar-vos discípulos dele?"
Então insultaram-no, dizendo:
"Tu, sim, és discípulo dele! Nós somos discípulos de Moisés.
Nós sabemos que Deus falou a Moisés, mas esse, não sabemos de onde é".
Respondeu-lhes o homem: "Espantoso! Vós não sabeis de onde ele é?
No entanto, ele abriu-me os olhos! Sabemos que Deus não escuta os pecadores,
mas escuta aquele que é piedoso e que faz a sua vontade.
Jamais se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença.
Se este homem não viesse de Deus, não poderia fazer nada".
Os fariseus disseram-lhe:
"Tu nasceste todo em pecado e estás nos ensinando?"
E expulsaram-no da comunidade. Jesus soube que o tinham expulsado.
Encontrando-o, perguntou-lhe:
"Acreditas no Filho do Homem?"
Respondeu ele: "Quem é, Senhor, para que eu creia nele?"
Jesus disse: "Tu o estás vendo; é aquele que está falando contigo".
Exclamou ele: "Eu creio, Senhor!"
E prostrou-se diante de Jesus. Então, Jesus disse:
"Eu vim a este mundo para exercer um julgamento, a fim de que os que não veem, vejam,
e os que veem se tornem cegos".
Alguns fariseus, que estavam com ele, ouviram isto e lhe disseram:
"Porventura, também nós somos cegos?"
Respondeu-lhes Jesus:
"Se fôsseis cegos, não teríeis culpa; mas como dizeis:
'Nós vemos', o vosso pecado permanece".
-Todo o relato do evangelho é simbólico; as alusões ao batismo são constantes. A Igreja primitiva chamava o batismo de “iluminação”. Trata-se de indicar aos catecúmenos o caminho que precisam percorrer antes do batismo. Este cego de nascença representa toda a humanidade, porque, em certo sentido, todos somos cegos enquanto não acolhamos Aquele que é Luz. Esta cegueira é a que impede ver a verdade que nos fará livres. Somos cegos quando nos fechamos em nossa mentalidade, critérios, ideologias... Somos cegos quando nos petrificamos no fanatismo, na intolerância e na resistência em perceber a luz que habita naquele que pensa e sente de maneira diferente. Jesus é a “Luz que toca”; aqui aparece, com muita força, o símbolo do contato físico. O contato nos faz despertar. Ao “ungir-lhe os olhos”, Jesus convida o cego a ser homem “acabado, reconstruído, restaurado...”.
-Reflita: Quê há de fechamento, de intransigência, de superficialidade, de rotina em minha vida, que não quero ver? Estou aberto a acolher a Luz da verdade, do amor, da justiça, da gratuidade... venha de onde vier? Em quê aspectos de minha vida pessoal e relacional preciso abrir-me à luz do Evangelho? Sou luz que ajudo os outros a verem?
-Exclamou o cego: "Eu creio, Senhor!". Pouco a pouco, o mendigo vai ficando sozinho. Seus pais não o defendem; os dirigentes religiosos o expulsam da sinagoga. Ao ver a realidade com o novo olhar que Jesus lhe ofereceu, já não cabia dentro da sinagoga, lugar de uma atrofiada visão de Deus e da vida. O que era cego experimentou o amor gratuito. O cego opta livremente pela luz. Segue o caminho apontado por Jesus e chega à meta indicada. Diz Pe. Adroaldo Palaoro:
“A arte de viver consiste, fundamentalmente, em chegar a ver tudo com o coração. Só o coração descobre em tudo as pegadas da Presença de Deus, que olha a partir do rosto de cada pessoa, a partir da beleza de cada criatura. O amor nos abraça em tudo quanto vemos”
-Peça ao Senhor a capacidade de Ver mais além, a partir do coração, transcender, despertar tua visão interna e intuitiva das coisas e das pessoas, tirar as cataratas de seus olhos e abrir-nos a Deus.
-Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. Amém!