“Corre-se o risco de nos habituarmos a delegar aos algoritmos decisões que competem à consciência humana”

Ouça o conteúdo

Nesta quarta-feira, 16 de setembro, o Papa Leão XIV acolheu milhares de fiéis e peregrinos para a tradicional Audiência Geral, na Praça São Pedro. Em sua catequese, o Pontífice deu continuidade ao ciclo de reflexões sobre o Concílio Vaticano II, com foco no segundo capítulo da Constituição Gaudium et spes (GS), dedicado à comunidade humana.

Em sua meditação, o Santo Padre convidou os fiéis a refletirem sobre o crescimento dos meios de comunicação e das redes sociais nos últimos tempos. Segundo o Papa, o desenvolvimento tecnológico abriu novas possibilidades no mundo contemporâneo, suprimindo barreiras e distâncias, mas apontou que tal evolução também pode favorecer o distanciamento nas relações humanas, se tornando cada vez menos pessoais e mais virtuais.

O Pontífice fez ainda um importante alerta, ressaltando que a difusão das novas tecnologias não pode diminuir o papel da pessoa humana nas decisões sobre a vida em sociedade. “Corre-se o risco de nos habituarmos a delegar aos algoritmos decisões que competem exclusivamente à consciência humana.”

Segundo o Papa Leão XIV, cabe também aos cristãos contribuir para que as relações sociais sejam construídas com base no significado real e na profundidade pessoal. Nesse sentido, ele recordou que os vínculos devem estar fundamentados a partir do projeto criador de Deus, que “quis que os homens formassem uma só família, e se tratassem uns aos outros como irmãos” (GS 24).

Na sequência, o Santo Padre partilhou algumas das reflexões propostas pelos Padres conciliares. O primeiro ponto destaca o respeito pela pessoa humana, em que a Gaudium et spes considera “infamante” toda iniciativa que se oponha à promoção da vida e à dignididade humana, como homicídio, genocídio, aborto e eutanásia, além da escravidão, prostituição, comércio de pessoas e condições degradantes de trabalho.

O segundo apontamento trata do respeito e do amor por aqueles que pensam e agem de maneira diferente de nós. A terceira “conclusão” diz sobre a importância da igualdade entre os homens, rejeitando qualquer forma social e cultural de discriminação em razão do sexo, raça, cor, condição social, língua ou religião. Por fim, o Papa Leão XIV recordou a exortação dos Padres conciliares para que se “supere a mentalidade individualista e se assuma uma atitude de responsabilidade e participação”.

Ao concluir a sua catequese, o Pontífice convidou os fiéis a se engajarem na promoção de uma sociedade mais justa e verdadeiramente humana. “Queridos irmãos e irmãs, esta visão da humanidade como comunidade de pessoas é um legado precioso que o Concílio Vaticano II nos deixou. Ela ajuda-nos a todos a realizar um discernimento pessoal e comunitário, para avaliar com responsabilidade os projetos sociais e políticos de hoje, com base nos critérios da dignidade da pessoa humana, da justiça social e da livre participação na construção do bem comum. Pois o futuro da humanidade depende do empenho de cada um em colaborar com Deus e com os irmãos na construção de um mundo mais humano”.

*Informações: Vatican News 

VEJA TAMBÉM

Ícone Arquidiocese de BH