“É preciso escutar com o coração, deixar-se interpelar, envolver-se”

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Nesta quarta-feira, 2 de setembro, milhares de peregrinos acompanharam a catequese do Papa Leão XIV, durante a Audiência Geral, na Praça São Pedro. O Pontífice deu início a um novo ciclo de catequeses, convidando os fiéis a refletirem um novo documento do Concílio Vaticano II, a Constituição Pastoral Gaudium et spes.

O Santo Padre explicou que “o texto aprofunda um tema fundamental, que é a relação da Igreja com o mundo contemporâneo, reconhecendo uma nova ordem de relações humanas, como definiu São João XXIII”. “A Constituição Conciliar Gaudium et spes começa por declarar que a Igreja sente como suas ‘as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem’” (GS 1).

O Pontífice afirmou que “essa partilha com a humanidade é o caminho que Cristo pede à Igreja”. “É uma partilha que nos convida a sair de toda a passividade e indiferença perante os acontecimentos, a história e a vida das pessoas, sobretudo perante a mudança rápida e profunda que hoje vivemos. Não é possível permanecer como espectadores desinteressados; pelo contrário, é preciso escutar com o coração, deixar-se interpelar, envolver-se.”

Segundo o Papa Leão XIV, “os fiéis são então chamados a assumir as dificuldades dos irmãos, “sobretudo daqueles que são oprimidos pela injustiça, pela discriminação e pela violência”. Nesse sentido, acrescentou o Pontífice, “a proximidade com a humanidade abre caminho a uma leitura mais profunda dos acontecimentos e da própria Revelação e, nessa mesma perspetiva, a Gaudium et spes recorda o ‘dever de a Igreja investigar a todo o momento os sinais dos tempos, e interpretá-los à luz do Evangelho’” (GS 4).

Ainda de acordo com o Santo Padre, “esta Constituição conciliar, portanto, exortou a Igreja a um compromisso permanente de conversão e a desmascarar as contradições que caracterizam o mundo contemporâneo”. E como exemplo, o Papa Leão XIV citou “o progresso científico e tecnológico que oferece sempre novas possibilidades, mas apenas a alguns; ou ainda, uma maior disponibilidade de riquezas desproporcionalmente distribuídas; ou ainda, diante de ações que ameaçam o futuro do planeta, a incapacidade de renunciar ao consumo egoísta e à ilusão de que a guerra é um caminho eficaz para construir a paz”.

Na conclusão de sua catequese, o Pontífice concluiu: “Em uma época de profundas mudanças, das quais decorrem desequilíbrios preocupantes, a Igreja é chamada a servir o ser humano, escutando e acolhendo as questões mais profundas do seu coração e os anseios que nele habitam, indicando em Cristo ‘a chave, o centro e o fim de toda a história humana'” (GS 10).

E finalizou rogando aos fiéis: “Queridos irmãos e irmãs, que a alegria e a esperança – gaudium et spes – sejam as características distintivas de uma Igreja que anuncia e testemunha o Evangelho, aproximando-se das mulheres e dos homens do nosso tempo”.

 

*Informações: Vatican News 


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