Deus fala ao ser humano e o busca, pois quer se encontrar com ele. Deus o faz por intermédio do Filho, e por amor, pois deseja criar comunhão, a fim de que todos se tornem seus filhos por meio de seu único Filho. Ele comunica conosco para ser escutado, busca para ser encontrado. A ponte que permite o encontro entre Deus que busca e o ser humano que se deixa encontrar é a fé.
E o que é a fé?
A fé é um ato simultaneamente pessoal e eclesial; é um encontro com uma pessoa à qual se confia a própria vida. Por isso que, “no início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo.
Para aquele que crê, a leitura da Escritura é o início de uma “saída de si mesmo” para ir ao encontro do outro. O batismo torna-nos cristãos, membros de um único corpo, a Igreja, cuja cabeça é Cristo. Quando recebemos esse sacramento, somos inseridos em Cristo e na sua comunidade para dar testemunho do amor e da bondade dele no meio da humanidade. Como membros de um único corpo, a Igreja, temos a mesma fé que nos mantém unidos em Cristo, de quem nos tornamos discípulos missionários, para anunciar com a vida e a palavra a boa notícia, espalhando-a por todos os lados, para quem queira ouvir.
Fazer esse itinerário é se colocar na escuta. Escuta e acolhida do outro que é presença que nos acompanha e nos guia. Desse encontro nasce o desejo de partilhar o amor vivenciado com os outros. Nos Evangelhos sinóticos encontramos exemplos de encontro com o Senhor através dos relatos da vocação dos primeiros discípulos (cf. Mt 4,18-22; Mc 1,16-20, Lc 5,1-12). Não existe discípulo sem que o Senhor lhe tenha dirigido a palavra e ela tenha encontrado resposta. É a palavra de Jesus que convoca, qualifica, motiva e define o caminho do discípulo.
Na Bíblia encontramos várias histórias que nos servem de exemplos. Vários encontros que produziram bons frutos. Experiência bonita como a de Moisés que se encontrou com Deus na sarça ardente. Moisés estava trabalhando. Não era nenhum místico, apenas um pastor. Encontra-se na montanha de Deus quando percebeu que um arbusto estava pegando fogo, mas não se consumia. Saiu correndo para ver de perto, mas aproximando, ouviu a voz do Senhor que lhe disse: “tire as sandálias dos pés, porque o lugar onde você está é solo sagrado” (Ex 3,5). Olhares que se cruzam. Deus chamou Moisés pelo nome e depois se apresentou a ele: “Eu sou o que sou!”.
Vários encontros foram realizados no decorrer da vida terrena de Jesus. Alguns encontros que no chamam atenção: o encontro de Jesus com a samaritana, no poço de Jacó (Jo 4; o encontro com Zaqueu (Lc 19, 1-10) Jesus se encontra com João Batista, no Rio Jordão (Mt 3, 13-17); o encontro de Jesus com seus discípulos, na Ceia Pascal)
Também hoje a iniciativa é do próprio Senhor que nos busca para que nos deixemos encontrar por Ele. A Palavra de Jesus é permanente e atual e ressoa no “hoje” da vida e da missão da Igreja.
Quando a Palavra de Deus entra na vida das pessoas, iniciam-se processos de conversão pessoal, comunitária e pastoral, que as levam a serem testemunhas corajosas que anunciam o que o Senhor realizou em suas vidas (cf. Mc 5,19).
Como é próprio do encontro com Jesus Cristo vivo transformar-se num chamado à missão, o caminho de Evangelização e Proclamação da Palavra nos impele ao compromisso social e à promoção dos valores autenticamente humanos. A função do evangelizador e proclamador da Palavra não somente visa a revitalizar a fé, mas também “anunciar Cristo a todas às criaturas, levando seu anúncio para as periferias e até mesmo lugares onde ainda Ele é desconhecido.
Neuza Silveira de Souza.
Coordenadora do Secretariado Arquidiocesano Bíblico-catequético de Belo Horizonte