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Peregrinar ao Santuário Basílica Nossa Senhora da Piedade é perfazer um caminho de afetos, diz pesquisador

 

Despertar a fé e o encontro com o Divino a partir da peregrinação a um templo Sagrado,  é um ritual vivenciado por fiéis ao redor do mundo, e faz parte dos planos de muitos cristãos. No Santuário Basílica Nossa Senhora da Piedade, em um cenário onde a natureza é abençoada e exuberante, a uma altitude de quase 2 mil metros, a Via Sacra, é uma peregrinação inspiradora e singular. Na subida da Serra, aproximadamente  5,5  quilômetros, os Passos da Paixão de Cristo surgem no caminho, em 15 painéis feitos de azulejo, incrustados em pedra. A subida que pode durar três horas, se feita devagar, é uma experiência definida pelos fiéis como única.

O clima ameno do Santuário é favorável para quem parte ao amanhecer. Depois da experiência de acompanhar a Paixão de Cristo, em momentos de espiritualidade e introspecção, a chegada à menor Basílica do Mundo, que acolhe a Padroeira de Minas Gerais, Nossa Senhora da Piedade, emociona fiéis e visitantes.

Quem nos fala um pouco dessa experiência da peregrinação é o pesquisador Marco Túlio de Sousa. Este ano, ele recebeu o prêmio Papa Francisco, na 3ª edição dos Prêmios de Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) pela tese de doutorado “Pelos Caminhos de Santiago: Dicotomias em uma Experiência de Peregrinação Midiatizada”, na Universidade do Vale do Rio dos Sinos, Unisinos. Morador de Belo Horizonte, Marco Túlio vivenciou a experiência da caminhada para concluir a sua tese. Ele partiu da França, onde percorreu junto com peregrinos, 800 quilômetros em 33 dias, perfazendo o Caminho de Santiago de Compostela, até a Espanha.

Riquezas particulares

Com o seu cajado, um histórico de mais de cem entrevistas com peregrinos, das mais diferentes localidades, Marco Túlio  ensina algo interessante. Os fiéis não devem se ater ao tamanho do percurso e sim se abrir para a experiência da caminhada. “Cada peregrinação tem riquezas particulares, a sua história, os milagres que são atribuídos à intercessão dos santos, à conexão com a comunidade local.” Ele explica, que no caso da peregrinação ao Santuário Basílica Nossa Senhora da Piedade, existe neste caminho um vínculo muito forte com os mineiros: Nossa Senhora da Piedade é a padroeira de Minas Gerais. “Portanto, a peregrinação à Serra da Piedade é algo que nos liga aos nossos antepassados, aos nossos pais e avós e se perpetua, é levada adiante conosco.” Para além dos milagres, da fé e da espiritualidade, há ainda esse caráter regional.  “Algo muito bonito, que nos diz do afeto com que lidamos com a nossa fé e que se materializa nas devoções locais, de um modo diferente, exatamente pela proximidade.”

Encontro com o Sagrado

Uma peregrinação não é medida por sua extensão, o que há de particular é a  espiritualidade. É necessário se preparar para o encontro com o Sagrado, deixar o coração e a mente abertos para o que essa experiência pode oferecer sem tentar controlá-la em demasia. “Um padre que entrevistei no Caminho de Santiago dizia que quando controlamos demais deixamos pouco espaço para Deus agir. Este é um ponto de reflexão importante”, menciona o pesquisador.

A peregrinação pode nos transformar?

Essa é uma afirmativa encontrada por Marco Túlio em praticamente todos os relatos que analisou em sua investigação. “Trata-se de uma experiência forte e que afeta profundamente quem a realiza.”  Ele ressalta que a vivência  acontece de maneira muito particular para cada cristão. Há pessoas que contam terem ido para uma peregrinação com um objetivo determinado, com a expectativa de encontrar o que um outro sentiu, mas descobrem algo completamente diferente e novo.  Há também uma questão da temporalidade. “Aquilo que a caminhada traz para a vida do fiel muitas vezes não vai ser refletido no agora, mas sim depois, quando o peregrino recupera as suas lembranças.”

Fotos, filmes e compartilhamentos

Pela sua beleza, o Santuário Basílica Nossa Senhora da Piedade inspira os fiéis em imagens que são compartilhadas com os seus familiares, amigos e entes queridos. Em sua tese, Marco Túlio buscou compreender como as tecnologias participam e transformam as experiências em um ambiente de fé e reflexão. A mídia se faz presente e transforma o modo como a vivência da peregrinação acontece. “Compartilhada nas redes essa experiência tão bela se propaga e chega a outras pessoas”, diz o pesquisador que recebeu o prêmio Papa Francisco, em cerimônia presidida por dom Walmor, na Catedral Cristo Rei. 

Peregrinação ao Santuário Basílica Nossa Senhora da Piedade

Informações: (31) 3652-3600 / (31) 3652-3635

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