Você está em:

Leigos são instituídos para o ministério de catequista e leitorato pelo Papa Francisco

O Papa Francisco, sempre reconhecendo a importância e o protagonismo dos leigos para a Igreja, instituiu ministros para a catequese e leitorato durante Celebração Eucarística neste domingo, na Basílica de São Pedro, em Roma. É a primeira vez que leigos são instituídos para estes ministérios, um acontecimento histórico para a Igreja. Dentre os evangelizadores, havia um casal de brasileiros: Regina de Sousa Silva e Wanderson Saavedra Correia, ambos da Diocese de Luziânia, no Estado de Goiás. Durante a sua homilia, o Papa Francisco pediu: Apaixonemo-nos pela Sagrada Escritura – nos leva a Deus e aos irmãos”.

O Pontífice comentou a primeira Leitura e o Evangelho deste III Domingo do Tempo Comum, que têm como protagonista a Sagrada Escritura. Primeiro, o sacerdote Esdras coloca em lugar elevado o livro da lei de Deus, abre-o e proclama-o diante de todo o povo. Depois, Jesus lê na frente de todos uma passagem do profeta Isaías. “Estas duas cenas comunicam-nos uma realidade fundamental: no centro da vida do povo santo de Deus e do caminho da fé, não estamos nós com as nossas palavras; no centro está Deus com a sua Palavra”, orientou o Papa.

A Palavra de Deus já não é uma promessa, explicou o Pontífice, mas se realizou em Jesus, fazendo-se carne. Mantendo os olhos fixos em Cristo, Francisco convidou os fiéis a meditar sobre dois aspectos: a Palavra desvenda Deus e a Palavra leva-nos ao homem. Isto é, ao mesmo tempo consola e provoca. “A Palavra nos consola porque Jesus desvenda o verdadeiro rosto de Deus, que veio para libertar os pobres e oprimidos. Deus é misericórdia, é pai e não patrão, não é neutro nem indiferente, mas se compromete com a nossa dor, sempre está presente. Está próximo e quer cuidar de nós. Esta é a sua característica: proximidade.

O Papa então convida os fiéis a se interrogarem: “Trazemos no coração esta imagem libertadora de Deus, compassivo e terno, ou O imaginamos como um juiz rigoroso, um rígido guarda alfandegário da nossa vida? Ou ainda: Qual é o rosto de Deus que anunciamos na Igreja: o Salvador que liberta e cura, ou o Temível que esmaga avivando os sentimentos de culpa? Para nos convertermos ao verdadeiro Deus, Jesus indica por onde começar: pela Palavra. Esta nos liberta dos medos e preconceitos sobre Ele, derruba os ídolos falsos e nos traz de volta ao seu rosto verdadeiro, à sua misericórdia.”

A Palavra, acrescentou Francisco, nos impele a sair de nós mesmos caminhando ao encontro dos irmãos, como revela Jesus na sinagoga de Nazaré: Ele é enviado para ir ao encontro dos pobres (que somos todos nós!) e libertá-los. Jesus revela ainda o culto mais agradável a Deus: cuidar do próximo. “Devemos voltar a isso. No momento, há na Igreja as tentações da rigidez, que é uma perversão. Acredita-se que encontrar Deus é se tornar mais rígido, com mais normas… Não é assim. Quando vemos propostas rígidas, de rigidez, pensemos logo: este é um ídolo, não é Deus. O nosso Deus não é assim.”

Se por um lado a Palavra de Deus consola, por outro provoca. Pois não podemos viver tranquilos quando o preço a pagar por essa tranquilidade é um mundo dilacerado pela injustiça. A Sagrada Escritura, disse ainda o Papa, não foi dada para nos entreter, mas para sair ao encontro dos outros e debruçar-nos sobre as suas feridas. “A Palavra que Se fez carne quer tornar-Se carne em nós. E o quer no tempo que vivemos, não em um futuro ideal. Francisco propôs então mais um questionamento: queremos imitar Jesus, tornando-nos ministros de libertação e consolação para os outros?

Por fim, um pensamento aos leitores e catequistas que foram instituídos nesta celebração, chamados à tarefa de servir o Evangelho, anunciá-lo para que a sua consolação chegue a todos: “Apaixonemo-nos pela Sagrada Escritura, deixemo-nos interpelar profundamente pela Palavra, que desvenda a novidade de Deus e leva-nos a amar incansavelmente os outros. Voltemos a colocar a Palavra de Deus no centro da pastoral e da vida da Igreja! Vamos ouvi-la, rezá-la e colocá-la em prática.”