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Dom Mol partilha oportunas reflexões em Seminário sobre a primeira Assembleia Eclesial da América Latina e Caribe

O bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Joaquim Mol, participou com contribuições reflexivas do seminário sobre a primeira Assembleia Eclesial da América Latina e Caribe. O objetivo do encontro foi analisar sobre os ecos e as perspectivas desta assembleia, que foi realizada de 21 a 28 de novembro na cidade do México, com delegados de todo o continente.

Dom Joaquim Mol destacou que é preciso aproveitar os defeitos metodológicos da Assembleia para ajudar no caminho do Sínodo sobre a Sinodalidade e que a interpretação da Assembleia tem que ser maior do que o evento. “Devemos entender a assembleia como parte de um processo mais amplo”, disse.

O seminário é uma iniciativa do Serviço Teológico-Pastoral, recém-criado a partir de um grupo de trabalho atento às questões pastorais na realidade latino-americana e ao magistério do Papa Francisco.

Ecos da Assembleia: escuta e participação

A primeira noite do seminário contou com a partilha de dois leigos que participaram como delegados na primeira Assembleia Eclesial. A presidente do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB), Sônia Oliveira, e o presidente da Sociedade de Teologia e Ciências da Religião (Soter) e professor da PUC-Rio, César Kuzma.

Sônia destacou o sentimento de alegria em participar como delegada e citou elementos do processo para a Assembleia. “Queria destacar o momento da escuta, que para mim foi o momento mais bonito de todo o processo, o que foi feito nas dioceses”, relata. Ela ressalta também o critério de escolha dos delegados, que procurou contemplar os diversos rostos e segmentos da Igreja no Brasil.

Para a presidente do conselho do laicato, o maior aprendizado que fica é o processo sinodal, da oportunidade de exercitar a escuta para atender ao apelo do Papa Francisco, dando voz às mais diversas realidades existentes na Igreja. “Nós somos chamados a vivenciar esta esperança, do que nós ouvimos no processo e do que podemos levar adiante”.

Em sua partilha, Kuzma destacou o caminhar até a assembleia, a experiência vivida durante a realização e a recepção deste evento em nível pessoal e comunitário. “O sentimento que me fez caminhar para lá foi de alegria e de esperança, de me sentir parte e corresponsável pelos caminhos da Igreja na América Latina e Caribe, mas em especial, os caminhos de mudanças na Igreja do Brasil, a Igreja que nós perseguimos, trabalhamos e fazemos parte”, relata.

Para o teólogo, a assembleia ocorreu em espírito sinodal, mas dentro de uma estrutura marcadamente clerical. Contudo, ele ressalta que este foi um primeiro passo e há uma expectativa do que pode vir a ser.  César destacou também os testemunhos que deram o tom da Assembleia e a ausência de vozes laicais e femininas, durante as conferências, e a falta de clareza na metodologia assumida.

Perspectivas eclesiais para a América Latina e Caribe

O segundo dia do seminário, na noite de 10 de dezembro, apresentou as perspectivas para a Igreja no continente a partir da Assembleia Eclesial. Para isso, foram convidadas a ex-presidente do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB) e delegada da Assembleia Eclesial, Marilza Schuina, e o professor e conferencista da Assembleia, padre Agenor Brighenti.

Para Marilza, ecoou forte o refrão entoado durante todo o período da Assembleia, “todos somos discípulos-missionários em saída”, a expectativa de retomada da Conferência de Aparecida e a eclesiologia do povo de Deus. Ela destaca a importância da escuta no processo, já no Sínodo da Amazônia e agora na Assembleia Eclesial. “Como nós podemos fazer efetivamente no Brasil para escutar, para ser uma Igreja da escuta, da ausculta, que faz mais do que ouvir, que aceita e compreende os desafios?”, questiona.

Para ela, a grande perspectiva é pensar como ser Igreja daqui para frente. A primeira Assembleia deve apontar a construção de um caminho rumo à sinodalidade e, aqui, no Brasil, Marilza destaca que é preciso qualificar o que se quer com a Assembleia dos organismos do povo de Deus. Dentre outros pontos destacados pela leiga, está a insistência de uma Igreja missionária em saída e a ruptura com o clericalismo, fortalecendo a formação do laicato e da caminhada das Comunidades Eclesiais Missionárias.

O padre Agenor Brighenti atuou como conferencista na Assembleia e destaca três pontos importantes do encontro. De acordo com ele, a Assembleia situa a colegialidade episcopal no seio da sinodalidade eclesial. “Isso significa dizer que o bispo é membro do povo de Deus na sua Igreja local. A sinodalidade é horizontal”, afirma.

O segundo ponto é que a Assembleia eclesial buscou reavivar Aparecida. Brighenti recorda que o período de 2022 a 2025 representa os 60 anos de realização do Concílio Vaticano II e provocou os participantes a questionar se este não seria o momento de fazer uma segunda recepção do Concílio.

Por fim, o teólogo destaca a importância do laicato como sujeito eclesial. Brighenti salienta a necessidade de promover e reconhecer os conselhos de leigos e leigas em todas as instâncias eclesiais, a criação de escolas para formação de ministérios de laicato que atuem em ambientes externos, além daqueles já existentes nas comunidades, e a criação de ministérios específicos para mulheres.