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[Artigo] – Vocação: a que somos chamados? – Neuza Silveira, Secretariado Bíblico-Catequético de Belo Horizonte

A vocação é um convite, uma proposta para sermos fontes de esperanças, uns para os outros. O ser humano tem a liberdade de responder ou não a esse chamado. Quem chama é Deus. Ele, ao nos criar e nos tornar filhos consagrados ao Pai, em Jesus Cristo por meio do dom do Espírito Santo, o faz por amor. Um grande amor a que somos chamados a deixar-nos amar. Amor incondicional que não nos exige nada a não ser simplesmente amar.

Viver a vocação é viver em resposta ao chamado de Deus. Cada pessoa recebe seu chamado específico, que lhe confere uma identidade pessoal. Daí a busca pela descoberta da própria vocação para realizar a vontade do Pai.

Mas qual é a vontade do Pai? –  Para nós, cristãos católicos, quem veio nos mostrar a vontade do Pai é seu Filho unigênito – Jesus Cristo. Quando nos despertamos para a nossa vocação e colocamo-la em prática, alcançamos o sentido para nossa vida.

Vários são os tipos de vocação a que somos chamados. Infinitos são os caminhos para os quais Deus nos chama. Diversas são as possibilidades que nos são oferecidas. Diante da liberdade que nos é dada, só precisamos dizer “sim” a Deus e ele vai nos colocando no caminho.

Que caminho você recebeu de Deus?

Vários são os caminhos: Uns recebem o caminho matrimonial ou Laical, chamados a serem cooperadores de Deus na construção do Reino. Uns se colocam à disposição para exercer o ministério familiar, construindo famílias – Igrejas domésticas; outros optam por atividades missionárias com o propósito de levar a Palavra de Deus – anunciar o Evangelho a todas as criaturas. Aqui estamos nós catequistas, acolhendo a vocação de anunciar a Boa-Nova de Jesus Cristo. Outro grupo de pessoas recebe a vocação sacerdotal. São os que recebem o Sacramento da Ordem, chamados a anunciar o evangelho nas comunidades, ajudando-as a trilhar os caminhos de Deus. Temos ainda as vocações religiosas que despertam pessoas a se consagrarem a Deus por meio dos votos religiosos de pobreza, obediência e castidade. Existem ainda os religiosos que se propõem seguir a Cristo por meio das Congregações, outros por meio de Institutos seculares, outros, ainda consagram suas vidas a Cristo como leigos e leigas missionárias, e nós, os leigos e leigas, catequistas, que pelo batismo e nossa inserção no mundo, oferecemos precioso serviço à evangelização: nossas próprias vidas como discípulos e discípulas de Cristo. Ao sentirmos chamados a ser catequistas e a receber a missão para exercer esse ministério, nós o fazemos de fato e em diversos graus, segundo as características de cada um.

Neste mês de agosto, a Igreja nos convida a celebrar as vocações: sacerdotal, familiar, religiosas, leigas consagradas e a vocação de ser catequista. Em virtude da fé e da Unção batismal, colocando-se a serviço do Magistério de Cristo e como servo do Espírito Santo, o catequista é testemunha da fé e guardião da memória de Deus. Testemunha a vida nova que vem do seu encontro pessoal com Jesus Cristo e se torna sinal para os outros.

O Catequista é também um mistagogo, ou seja, aquele que se introduz no mistério de Deus, revelado na Páscoa de Cristo, e adquire a dupla missão de transmitir o conteúdo da fé e de conduzir ao mistério da mesma fé.  Tem ainda a missão de ser aquele que acompanha e educa aqueles que lhes foram confiados pela Igreja. Ele é especialista na arte do acompanhamento (EG, n. 169-173) do saber escutar e se colocar à disposição do Espírito Santo para exercer sua missão vocacional.

Anunciar a Boa-Nova tem suas exigências.

É preciso estar atento aos sinais de Deus, entender a fé e estar sempre atentos à percepção de que há o desejo de Deus inscrito no coração do ser humano. Desde o princípio esse desejo de Deus está lá a atrair o ser humano a si, para viver no seu amor. Esse desejo, muitas vezes escondido, está bem lá no fundo do nosso coração à espera de uma pequena abertura para aflorar e fazer acontecer as mudanças no nosso jeito de ser e crer. Viver a fé em Jesus Cristo, nos transformarmos e nos permitirmos a ser conduzidos até sua presença, que é mistério, e experimentar Deus.

O Papa Francisco muito nos anima ao falar sobre a fé em Jesus Cristo, o Ressuscitado. Ele nos fala que saber que Jesus está vivo nos traz muitas alegrias, a esperança enche o coração e as alegrias não podem ser contidas. Isso deveria verificar-se em nossa vida. Sintamos a alegria de ser cristãos! De sermos missionários evangelizadores, anunciadores de Jesus Cristo! Ele nos pede que acreditemos no Ressuscitado, que venceu o mal e a morte! Que tenhamos a coragem de “sair” para levar essa alegria e essa luz a todos os lugares da nossa vida!

A Ressurreição de Cristo é a nossa maior certeza; é o tesouro mais precioso! Como não compartilhar com os outros este tesouro, essa certeza? Não é somente para nós, devemos transmiti-la, comunicá-la aos outros, compartilhá-la com o próximo. Consiste precisamente nisso o nosso testemunho. Assim, conhecer Deus, encontrá-lo, aprofundar os traços da sua Face é determinante em nossa vida, pois Ele entra nos dinamismos profundos de cada um de nós, seres humanos.

Neuza Silveira de Souza
Coordenadora do Secretariado Arquidiocesano
Bíblico-Catequético de Belo Horizonte.