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[Artigo] Seu aniversário está chegando – Neuza Silveira

Estamos em tempo de Advento. Cada vez mais se faz necessário deixar fluir de nossos corações a fé que nos motiva para a preparação do Natal, o dia do aniversário de nascimento de Jesus. Não podemos deixar perder a beleza dessa grande festa natalina. Já estamos chegando perto e os nossos corações devem estar ardendo de tamanha alegria, ansiosos com a presença de Deus presente no meio de nós, o Emanuel, o Deus conosco. É mais uma nova experiência de viver o mistério da encarnação de Jesus Cristo que nos renovam e causam grandes e belas transformações em nossa vida.

Podemos sentir a alegria da grande festa do Natal da mesma forma que sonhamos e sentimos a alegria de comemoração do nosso aniversário ou o aniversário de um grande amigo.

Primeiro passo, levantar as mãos para o céu e agradecer a Deus pela vida que se renova a cada ano! Precisamos, às vezes, parar e tentar compreender o significado do eu é “fazer aniversário”.

Qual será o sentido de tanta alegria?

Por que a primeira coisa que não pode faltar no aniversário é o bolo? E As velinhas do bolo? Ah! E os parabéns, os presentes, os convidados, as celebrações, os abraços, sorrisos, apertos de mãos!

O aniversário é aquele acontecimento misterioso que a cada ano revivemos como se ele fosse hoje. É algo que volta com a mesma força que teve no dia em que aconteceu! É o transbordar de amor que nos enche o coração, nos fazendo colorir a casa, adocicar a vida, “lambuzar os dedos”, cantar, e desejar abraçar a todos os que amamos. Comemorar o aniversário de Jesus também é assim. E vai além da alegria do nosso aniversário, porque o seu nascimento vem renovar o dom da vida e trazer alegrias para a nossa vida.

Em 1Jo 4,8 temos a alegria de escutar que Deus é amor. O mesmo Deus que sempre existiu, que nos criou, nos deu a vida, vem ao nosso encontro e fala que nos ama incondicionalmente. O dom da vida que recebemos é expressão desse transbordamento do amor que Ele tem por cada um de nós. Assim podemos compreender porquê o Pai enviou seu Filho amado ao mundo. “Porque quem ama dá-se a conhecer inteiramente”. Na opção pelo Reino do Pai, o Filho se identificou com os pobres, sendo pobre com os pobres. Identificou-se com os pequenos se esvaziando de sua condição divina, se fazendo igual a nós, menos no pecado. Foi morto por causa da opção radical por esse Reino, mas o Pai o ressuscitou pelo Espírito de vida e santidade [Fl 2,6-11]. É esse mesmo Espírito que nos dá a vida! Que nos faz mais humano a cada dia. E agindo em nosso coração, nos interpela para buscarmos construir juntos, como irmãos, um mundo onde a justiça e a paz se abraçarão [Sl 85(84), 11]. O que nos resta então? Agradecer.

Desde o início da criação do mundo é assim. Deus se revelou como Deus conosco, o Emanuel, manifestando que o seu projeto é estar ao lado das pessoas, em relação, cuidando de todos e todas e abençoando a cada um de nós. Ele cuida, zela, ama, caminha conosco e se compartilha das experiências humanas. Por amor a nós, a cada ano se faz criança, nasce numa manjedoura, na esperança de ser reconhecido e acolhido por nós mesmos, através das crianças pobres que perambulam pelas periferias existenciais da vida.

Na tomada de consciência de tanto amor recebido, pode nascer e crescer no coração um profundo sentimento de gratidão. Esse sentimento não é algo que fica latente, mas exige ação para que possa crescer sempre mais, até chegar o dia do puro amar, ou seja, ao dia da festa escatológica que tanto se espera. A nossa vida se torna canção, pois o amor faz nela morada. Brota o desejo de louvar a Deus, e exaltá-lo com ações de graças. [Sl 69(68),31]. Ação de graças que se dá na partilha com os empobrecidos, na celebração em comunidade. É possível ir superando o egoísmo, o individualismo, o consumismo.

Como caberia ao cristão comemorar a vida? Jesus nos mostra como: mostra-nos quem são as pessoas importantes que devem ser convidadas. Ensina-nos o verdadeiro sentido da partilha: partilhar com quem não possa te retribuir. Assim, serás recompensados na ressurreição dos justos [Lc 14,12-14]. A profunda alegria é algo relacional. É Deus mesmo que se autocomunica no Filho e no Espírito de vida.

O mais importante da festa do cristão é o outro, nela os enfeites têm cor de carinho, o bolo tem sabor de acolhida, a música é alívio ao coração. O mais simples é sinal eficaz do Reino onde todos se extasiam pela presença da vida. É Natal! Luzes, festas, fogos e brilhos. Já não importa onde ocorre a festa, mas quem é o principal presente na festa: O Ressuscitado que é o crucificado. Pois o local da festa é o coração humano que se encontra irmanado a outros na mesma alegria e esperança. E sempre será assim, mesmo que a cada ano possa ser diferente, em dias diferentes, com pessoas diferentes, a alegria de acolher e festejar o aniversário do Senhor é Jesus deve ser sempre no mesmo Espírito natalino: tempo em que presentear, dar e receber se torna um ato comum, tempo em que simboliza amor, generosidade e felicidade.

Neuza Silveira de Souza. Coordenadora do Secretariado Arquidiocesano Bíblico-Catequético de Belo Horizonte.