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[Artigo]Iniciação à vida cristã: Olhar com os olhos da fé-Neuza Silveira, Secretariado Arquidiocesano Bíblico-Catequético de BH

Falar de fé cristã, é falar de mistagogia. E não se entende a mistagogia sem mergulhar no Mistério de Deus vivo, sentido e razão do nosso existir. A mistagogia remete a uma bela experiência de nos deixar conduzir para dentro do Mistério da fé. Iniciar-se à vida cristã é ir construindo um itinerário que vai nos formando como discípulos missionários de Cristo.
Compreendida como experiência de Deus em seu mistério amoroso e libertador, quando levada a sério, a mistagogia, pode nos conduzir a um novo estilo de vida assemelhado ao modo de vida de Jesus.

A mistagogia nos conduz para dentro do Mistério Pascal que é celebrado na liturgia. Uma celebração sacramental, tecida com sinais e símbolos. Segundo a pedagogia divina da salvação, o significado dos sinais e dos símbolos que fazem parte da nossa vida de fé. Tem raízes na obra da criação e na cultura humana. Através do cuidado de Deus, para sempre presente na história de seu povo, chega até nós através da plena revelação em Jesus Cristo.

Quando celebramos, nós cristãos celebramos a vida do Cristo: sua encarnação no meio de nós, sua vida que nos dedicou para falar de Deus Pai; sua paixão, morte e ressurreição. Ao retornar ao Pai, nos envia o seu Espírito e nos convida a viver segundo suas obras. Nesse sentido, crer em Cristo e viver segundo sua obra, é viver a fé cristã. É procurar enxergar com profundidade as experiências de encontro com Jesus na vida cotidiana como oportunidades transformadoras e salvíficas, que deve levar as pessoas às mesmas convicções a que chegou o Apóstolo Paulo, quando foi iniciado no discipulado de Jesus: “Para mim o viver é Cristo” (Fl 1,21): “Em Cristo todos receberão a vida” (1 Cor 15,22); “Já não sou eu que vivo; É Cristo que vive em Mim” (Gl 2,20);” E a vida que vivo agora na carne, eu a vivo pela fé no Filho de Deus que me amou e se entregou por mim” (Gl 2, 20); Todas essas citações expressam a alegria do Apóstolo Paulo quando encontrou Jesus, foi batizado e passou a ajudar as outras pessoas a também fazer essa experiência do encontro com o Ressuscitado.

E Nós? Também podemos trilhar esse mesmo caminho olhando para nossa realidade?

Para que todos nós possamos trilhar o caminho do Cristo ressuscitado, a exemplo do Apóstolo Paulo e de todos os outros Apóstolos de Jesus, viver essa mistagogia que é ir se conduzindo para dentro do mistério da vida do cristo, necessitamos de fazer a nossa adesão pessoal à vida do Cristo, pedindo à Igreja os sacramentos da Iniciação Cristã: Batismo, Crisma e Eucaristia. Assim, podemos entender Cristo e, à luz do Espírito Santo, compreender a celebração sacramental, com seus símbolos e sinais enraizados na obra do Criador.

Olhemos para a celebração litúrgica. Que símbolos podemos ver que nos revela a vida desde a criação? Que sinais nos apontam para nos conduzir para a vida do Cristo?

A celebração litúrgica comporta sinais e símbolos que se referem à criação (luz, água, fogo); à vida humana: ações e gestos como: lavar, ungir, ajoelhar, orar, abraçar, acolher, partir o pão e partilhar); à história da salvação, essas experiências nos transportam para os ritos da Páscoa, para as experiências de Jesus e seus discípulos, nas celebrações do seu tempo. Tudo isso também nós experimentamos quando celebramos a fé cristã e cumprimos o mandato de Jesus de ir e anunciar a todas às criaturas a Boa-Nova que ele nos traz.

O que podemos aprender com Jesus hoje, olhando para nossa realidade? Vamos fazer um memorial:

O Sacramento do Batismo foi instituído por Jesus com o objetivo de santificar a vida da humanidade, conforme podemos ler no Novo Testamento, no Evangelho escrito por São Mateus, que reproduz as palavras do Senhor: “Toda autoridade sobre o Céu e sobre a Terra me foi entregue. Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei. E eis que eu estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos!” (Mt 28, 18-20).

Para viver a vida sacramental, sabemos que a Igreja católica de Cristo nos oferece sete sacramentos da vida cristã. Três deles dizem respeito à Iniciação Cristã. São o Sacramento do Batismo, Crisma e Eucaristia. Com eles são lançados os fundamentos de toda a vida Cristã.

No princípio da Igreja, as pessoas eram preparadas para receber os três sacramentos de uma vez (a Iniciação à Vida Cristã de Inspiração Catecumenal). A administração dos três sacramentos acontecia em uma única celebração eucarística. Mais tarde, com o caminhar da Igreja, já no segundo milênio, passaram a acontecer separados, mas constituem, em sua unidade dinâmica, a única iniciação. Eles são reconhecidos pela Igreja como etapas indispensáveis da caminhada necessária para se ingressar na comunidade cristã.

Os sacramentos da iniciação: Batismo, Crisma e Eucaristia introduzem a pessoa na comunidade eclesial: O batismo a torna membro da Igreja; a crisma acentua que a ação do Espírito a faz Igreja; a eucaristia oferece-lhe a participação na realidade do corpo de Cristo, permitindo que ela receba aquilo que já é pelo batismo. A festa da iniciação cristã celebra, pois, a transformação que Deus opera na pessoa por meio da Igreja, o Corpo do seu Filho.

Vale lembrar que hoje, trazendo para nossa vivência de fé, as experiências dos primeiros discípulos, a Igreja, ao acolher os jovens e adultos que ainda não foram batizados e desejam receber os sacramentos, pessoas que se preparam buscando conhecer a Cristo e o caminho que deve trilhar após os sacramentos, a Igreja, oferta a eles os três sacramentos que os constituem cristãos em uma única celebração eucarística.

Neuza Silveira de Souza
Coordenadora do Secretariado Arquidiocesano Bíblico-Catequético de Belo Horizonte