[Artigo] Nossa missão de batizados – Neuza Silveira

Ouça o conteúdo

Estamos vivendo um tempo da Igreja que nos convoca à conversão constante. É um tempo que nos chama a estar atentos às realidades atuais. Anunciar e, ao mesmo tempo, escutar o anúncio de Jesus Cristo. Tempo de mudanças de atitudes. Tempo de reconciliações. Jesus, sempre atento a essas realidades, age com compaixão. No seu tempo, Ele chamou seus discípulos ao compromisso pela oração confiante, a fim de que a comunidade fosse orientada, organizada e continuasse seu caminho conforme os ensinamentos de Jesus.

Hoje, a Igreja continua ajudando a comunidade a caminhar, à luz do Ressuscitado que permanece no meio de nós. Ela nos convoca a recordar duas coisas: ouvir e rezar mais a Palavra de Deus e dispor-se a celebrar o Mistério Pascal. Ter firmeza de coração e ser convictos de coração.

A Igreja é um lugar comunitário dos seguidores de Jesus. Sua missão é colocar à disposição do ser humano as forças salvadoras que ela recebe de Cristo. Sua origem é o Evangelho, ou seja, seu começo e sua continuidade: a fonte de onde jorra a força para sua organização. Seu carisma é o Cristo Vivo, que inclui em si mesmo, de modos diferenciados, todos os seus discípulos, todos os homens e todo o universo.

O anúncio do Evangelho nos inicia na vida de fé e nos fortalece nas relações na vida da comunidade. Para além de um conhecimento, instrução ou doutrinação, o conhecimento e vivência do Evangelho nos inicia a uma formação pessoal que nos provocam para o exercício da prática evangelizadora e integração da vida do iniciado na vida da comunidade.

A Igreja é uma instituição humana e terrena, peregrina, que necessita de uma conversão permanente de si mesma por fidelidade a Jesus Cristo. O Concílio Vaticano II apresentou a conversão eclesial como a abertura a uma reforma permanente de si mesma por fidelidade a Jesus Cristo: “Toda renovação da Igreja consiste essencialmente numa maior fidelidade à própria vocação” (EG 26). Uma Igreja que está sempre a caminho rumo ao encontro dos que mais necessitam de sua solidariedade. É na força do anúncio que se faz a caminhada.

Recordando a Conferência de Aparecida, que destacou o ser discípulo e missionário e a necessidade de colocar em prática esse discipulado e essa missionariedade, que formam a essência do nosso ser cristão. Também destaca a importância da acolhida. Sem ela não haverá um bom trabalho missionário. Todos têm capacidade de acolher bem, basta que seja uma pessoa perseverante no amor. O acolher bem e o servir são nossas heranças deixadas por Jesus, por meio de seu testemunho de vida. A Igreja se faz continuadora dessa obra de Jesus: quer continuar essa missão, sob a direção do espírito consolador. O Papa Francisco pedia, insistentemente, que deveríamos desejar sempre uma Igreja que vá para as ruas e procure servir o outro na sua gratuidade e fraternidade.

A Igreja é a comunidade de homens e mulheres seguidores e seguidoras de Jesus Cristo, constituída por Ele com a missão de anunciar e testemunhar o Evangelho da salvação a toda criatura (cf. Mc 16,15; Mt 9,36-10,8). É uma Igreja para todos aqueles que dela desejam participar porque nela se encontra o germe do Reino de Deus. Sua ação evangelizadora decorre da fé e da caridade vividas pelos cristãos. Nesse sentido a Igreja opta pelo ser humano como seu caminho porque é ele, o ser humano, o caminho para servir a Deus.

A Igreja, constantemente, convida todos os católicos a reconheceram a natureza missionária, cuja ação deve ser o “paradigma de toda a obra da Igreja”. Com este intuito, o Papa lembra a proposição dos Bispos da América Latina e do Caribe, que exortaram a Igreja latino-americana a passar de uma “pastoral de conservação a uma pastoral decididamente missionária”. Isto quer dizer que somos chamados a sair do comodismo de nossas ações e se colocar à disposição para um trabalho com mais ardor, alegria e criatividade, um trabalho que ajuda e encanta as pessoas.

Esse é o nosso trabalho missionário, o trabalho de cada um ser individual e comunitário, enquanto membro do corpo eclesial. Também é uma resposta à Igreja mundial, ao papa, que chama todos os batizados a uma conversão missionária. O mandato missionário recebido de Jesus Cristo (cf. Mt 28,19-20) pede uma Igreja em saída para testemunhar a alegria do Evangelho, da vida em Jesus Cristo.

 

Neuza Silveira de Souza

Coordenadora do Secretariado Arquidiocesano

Bíblico-Catequético de Belo Horizonte.

 



Novidades do Instagram
Últimos Posts
Siga-nos no Instagram
Ícone Arquidiocese de BH