[Artigo] Bíblia –A Palavra de Deus no cotidiano da vida – Neuza Silveira

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Setembro, mês da bíblia. Neste ano, a Igreja do Brasil, por meio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, nos convoca para o estudo do livro referencial para este ano, o Livro de Daniel. Somos chamados a fazer uma reflexão à luz do lema: “Seu reino jamais será destruído” (Dn 7,14).

O livro de Daniel surge por volta dos anos 194 a.E.C, em um contexto histórico de grandes adversidades, um tempo marcado pela violência dos impérios, pela opressão e pela tentativa de silenciar a esperança do povo bíblico. O objetivo da escrita era ajudar às pessoas do seu tempo, o povo da Primeira Aliança, a permanecer fiel à fé de seu Deus. O povo manteve firme na fé, prontos a enfrentar os desafios, incertezas e provações daquele tempo.

Ao estudar o conteúdo do livro, somos desafiados a olhar para nossa realidade, fazer discernimento frente aos grandes desafios que enfrentamos e ir em frente. Viver na esperança de que a luz do Espírito de Deus está sempre a iluminar os caminhos e a nos revelar o rosto misericordioso do Pai que, por meio de Jesus, seu Filho, anunciou a plenitude de suas promessas.

É nesta certeza que caminhamos, impulsionados a olhar para além de nós mesmos para entender a extensão do significado do que Daniel quer nos dizer hoje, ativando nossas expectativas de um Reino que se compromete com a justiça, paz e vida abundante. Esse é o Reino que Jesus prometeu ao anunciar a Boa nova para o nosso tempo. O Reino de Deus que não se reduz a uma realidade futura e distante, mas nos apresenta uma nova forma de viver, fundada no amor, na fidelidade e na esperança de dias melhores.

Estamos preparados para realizar mudanças em nossa forma de vida?  Na vida de comunidade? Estamos vivendo conforme as orientações da Palavra de Deus? Estamos compreendendo o que é viver na liberdade, fidelidade e fraternidade?

Vamos conhecer um pouco o que nos conta a Bíblia. Saber das suas histórias verdadeiras ou das verdades de suas histórias.

O que é a Bíblia?

A Bíblia é um livro da caminhada do povo de Deus que deixou sua experiência de vida retratada em livro para manter viva a memória de um povo que acreditou, sempre esperou e foi atendido no tempo certo por seu Deus. O povo mostra a história de Israel, a qual foi entendida, pelo próprio Israel, como história do agir de Deus com seu povo.

No Antigo Testamento, a Palavra de Deus chegou a Abraão, a Moisés aos profetas. Palavras de Ânimo e de esperança. Palavras de Vida. Palavras de Aliança e de Amizade. Palavra que prepara o maior acontecimento de todos os tempos: Jesus Cristo.

No Novo Testamento, os ensinamentos de Jesus tiveram início com a oralidade, e depois, passando para os escritos, a Palavra de Deus teve seu crescimento paulatinamente. Foi chamado, certa vez de “o livro que cresceu durante mil anos”. Seus escritos eram para lembrar ao povo de seu tempo e a nós, hoje, qual o projeto de Deus para a humanidade. Esse Deus que desejou se dar a conhecer a nós e se deu fazendo-se um de nós, nascendo do útero de uma mulher, crescendo no meio do povo e, junto com o povo, ajudando-os a conhecer o Pai.

 Por que o mês da Bíblia é celebrado em setembro?

Fazendo memória de nossa história, foi por volta dos anos (340-420) d.C) que São Jerônimo, um dos maiores estudiosos da Bíblia tomou a iniciativa de traduzir os textos originais em hebraico, grego e aramaico para o latim, língua oficial dessa época, e dessa forma criando a famosa Vulgata, que se tornou o texto oficial da Igreja Católica até a Neovulgata em 1979. A escolha do mês de setembro foi feita para comemoração do “Mês da Bíblia” porque está relacionado com o Dia de São Jerônimo comemorado em 30 de setembro. Historicamente, a celebração começou com a 1ª Semana Bíblica Nacional em 1947, mas foi em 1971 que consolidou como Mês da Bíblia. Com o passar do tempo, esta comemoração se expandiu para várias dioceses e regiões do Brasil, tornando-se uma prática anual, quando então, são escolhidos temas específicos e ou livros da Bíblia para estudo e reflexão.

O Mês da Bíblia, para além do aspecto litúrgico, a Igreja deseja com este estudo estimular o diálogo entre a Palavra de Deus e a vida das pessoas. Fé e vida integradas e interligadas.

A Palavra de Deus na vida do homem

A Bíblia, conhecida como “Sagradas Escrituras” ou tão somente “Escrituras” fala do agir de Deus em nossa vida. Utilizou-se de várias formas: orações, rituais, história, sabedoria, exortações e até mesmo poesia… tudo em grande harmonia – já que inspirada por Deus – relaciona o homem com o único e verdadeiro Deus, e vice-versa. Nessa relação, onde Deus se comunica com o povo, e este o descobre nos acontecimentos da vida, faz chegar até nós esse livro, a Bíblia, que nos chama a olhar com maior intensidade para Cristo, centro da Escritura e plenitude da Revelação. Nele reconhecemos o Reino que jamais será destruído. Seus escritos trazem uma grande riqueza de experiências que contribuem para manter viva a fé no Deus que propõe justiça, fraternidade, amor e fidelidade.

Ao ler a Bíblia, não se deve preocupar com a busca de uma história verdadeira, mas a verdade da história, da minha história, de todas as histórias. A história é o veículo, o lugar do conhecimento de Deus. Este Deus que, no seu dinamismo, impulsiona os homens e o mundo ao seu destino verdadeiro. E nós, seres humanos, somos chamados a responder, por ações e atitudes a este apelo de Deus.

No Antigo Testamento, o centro da religião é a obediência cujo fundamento se encontra na Aliança de Javé com Israel. Exemplos dessa obediência podem ver em Abraão. Javé disse: “Deixa teu país, tua parentela e a casa de teu Pai…” Abrão toma sua mulher Sarai e partem para a terra de Canaan (Gn 12,1-5), na certeza de que seu Deus caminha junto com ele.

No Novo Testamento, o centro da religião é o seguimento a Jesus Cristo. Toda a história de Deus com Israel tem importância para nós cristãos uma vez que Deus se revela nela. Na revelação do projeto de Deus, a Ressurreição foi o selo que Deus colocou sobre a vida e a morte de Jesus, dizendo que o modo como ele viveu é a proposta de Deus para todas as pessoas.

Jesus, o Filho de Deus, o enviado definitivo do Pai, deixa um grande exemplo, ensinando-nos, através de sua pedagogia, como a palavra ilumina a vida. Várias são as citações bíblicas, as parábolas contadas que devemos ir ao encontro das mesmas para a reflexão no nosso dia-a-dia. Nessa busca encontramo-nos com Jesus Cristo, o Mestre Mistagogo, aquele que desde sempre é o Filho de Deus, o Proto-Sacramento de Deus para nós, o Educador da humanidade.

 

                                Neuza Silveira de Souza –  

Coordenadora do Secretariado Arquidiocesano

Bíblico-Catequético de Belo Horizonte.



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