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[Artigo] Missão: vamos espalhar o amor fundamental de Deus – Neuza Silveira, Secretariado Arquidiocesano Bíblico-Catequético de BH

O que é mesmo missão?

Em seu sentido mais amplo, missão é uma característica fundamental da Igreja católica, chamada a ser sinal e instrumento da salvação de Deus, no mundo, para toda a humanidade. Duas tarefas são importantes à Igreja: dar testemunho do Evangelho (evangelização) e se colocar a serviço do outro (diaconia). No sentido mais restrito, cabe aos cristãos proclamar a Palavra, difundir a fé em Jesus Cristo e criar novas comunidades.

Ao buscar os fundamentos na Palavra, encontramos nas narrativas proféticas a esperança de uma conversão das nações à fé no Deus único. (Is 2,1ss; 19,21-25). O Novo Testamento vê em Jesus, primeiro, o enviado de Deus no meio dos homens, e o Evangelho de João reconhece nesse envio a autoridade de Jesus, Filho enviado pelo Pai (Jo 3,17; 10,26; 17,18).

Jesus é enviado, por Deus, ao povo de Israel, mas sua missão possui também uma dimensão universal que transparece de maneira evidente em sua atitude para com os marginais e pagãos, quando compartilha a mesa dos pecadores. Os discípulos de Jesus também são enviados. Desde antes da Páscoa (Mc 3,25s), encarregados de um mandato comparável ao do mestre (anunciar e curar). Esse mandato é renovado na Páscoa: o ressuscitado aparece aos seus discípulos para envia-los em missão (Mt 28,19; 1Cor 15,5-8; Jo 20,21ss). A missão só começa depois de Pentecostes: o Dom do Espírito Santo é, para a comunidade dos discípulos, a condição indispensável de seu apostolado.

Os Atos dos Apóstolos relatam o início da missão da Igreja. Nascem as primeiras comunidades, e a Igreja caminha séculos adentro, sempre à luz do Espírito de Pentecostes, que continua enviando discípulos para a missão.

Até hoje, pela Eucaristia, Jesus continua nos convidando para tornarmos partícipe da sua vida de ressuscitado e, assim, ser responsável pela vida do irmão, estabelecendo uma relação semelhante àquela que ele e seus discípulos tiveram. A exemplo das primeiras comunidades que experimentaram e se deixaram guiar pelos ensinamentos de Jesus transmitidos pelos discípulos, assim, também, experimentamos, pela vida sacramental, o Cristo ressuscitado que caminha conosco e nos conduz para a missão, de levar a todos que desejarem a Palavra de Deus e falar do seu amor incondicional para com todos.
Somos convidados a anunciar o amor de Deus que Jesus experimentou, um amor que, não faz acepção de pessoas, não exclui, mas inclui, não impõe, mas propõe. Assim Jesus Disse: “Amarás o Senhor, Teu Deus, de todo o coração, de toda tua alma e de todo o teu pensamento. Amarás a teu próximo como a ti mesmo”.

Jesus, ao ensinar a viver o amor fundamental ele está cumprindo o que diz a Palavra dirigida a todo o seu povo: “Escute, povo de Israel! O Senhor, e somente o Senhor, é nosso Deus” (Dt 6,4). Daí, entendemos quer o amor a Deus e ao irmão se apreende e se exercita, antes de tudo, na experiência da escuta do filho à voz do Pai. Jesus nos convida a ouvir o Pai, fazer sua vontade, se importar com ele, a valorizar as coisas que ele diz. Dessa forma é que se percorre o caminho do aprendizado do amor cujo ápice será a participação no mistério da cruz.

Fazer missão é espalhar o amor de Deus para todos. Como viver o amor de Deus?
Na família: Viver esse amor de Deus é procurar vivê-lo na família numa demonstração de carinho, compreensão, perdão e dedicação para com todos. Na família se compreende que não se poder viver sozinho, mas que um necessita do outro e o outro de mim, daí nasce o respeito mútuo e se constrói uma relação de experiência de amor no seio familiar.

Na comunidade: Saindo do âmbito familiar,  agregando-nos a uma família maior chamada comunidade, somos chamados a nos ajudar, a nos respeitar e a  assumir o que é de todos, promovendo o bem comum. Celebramos e partilhamos juntos. A partilha nos faz comunidade e essa experiência na celebração eucarística nos convida ao compromisso para com os outros.

No mundo: Expandir esse amor ao universo é perceber a criação de Deus como um todo e respeitá-la. Saber que Deus está presente em toda a sua criação: em mim, nos outros, nos fatos da vida e nos acontecimentos. Tudo isso se torna caminho que me leva a ele.

Na oração: Viver o amor de Deus na oração que me fortalece e me liga a Ele. Ter a Palavra de Deus como luz para o meu caminho, esta Palavra que foi revelada por Jesus Cristo e continua sendo atualizada em minha vida pelo Espírito Santo. Uma oração pessoal que agrada a Deus: o meu diálogo pessoal com ele, o Jejum e a esmola. Um jeito cristão de celebrar a vida, de celebrar a comunhão com Deus, com os irmãos e irmãs, com a natureza e consigo mesmo é a oração em comunidade, principalmente a grande oração da Igreja, a Celebração Eucarística.

No meu relacionamento com Deus: Na experiência do amor todos são convidados a se relacionar bem com Deus. Essa relação acontece quando se entende o valor real da vida. Assim entenderemos o que Jesus disse: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna. (Jo, 3,16).

Ao nos interessarmos por Deus, começaremos a entender que são as nossas relações aqui, com os outros, que ajudam ou impedem esse relacionamento. Se as nossas relações de amor são voltadas para o outro é fácil amar a Deus pelo que Ele é, e perceber o seu amor. Mas quando não conseguimos amar as pessoas pelo que elas são, amar a Deus pelo que ele é se torna difícil.

Se a prática das pessoas é amar e valorizar às outras pelo que elas têm, assim se torna difícil o relacionamento com Deus, pois vai valorizá-lo pelo o que Ele tem, não pelo que Ele é. Dessa forma a aproximação que se faz de Deus é para alcançar algo que deseja para si e acaba não percebendo tantas outras coisas que ele está oferecendo.

Vamos refletir: Como está a minha prática do amor aos irmãos? À natureza? Sei que muitos convidados de Jesus não aceitaram o seu convite porque estavam ocupados com outros interesses. E você? Está disposta a aceitá-lo na sua vida?

Para contemplar: “Eu sou a Luz do mundo. Quem me segue terá a luz da vida e nunca andará na escuridão”. Assim disse Jesus.

Neuza Silveira de Souza.
Secretariado Arquidiocesano Bíblico-Catequético de Belo Horizonte.