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[Artigo] Advento – Tempo de espera e conversão – Neuza Silveira, Secretariado Arquidiocesano Bíblico-catequético de Belo Horizonte

No Advento, toda a Igreja vive a sua grande esperança. Nesta semana, véspera do 3° Domingo, nos colocamos na perspectiva alegre de fazer o memorial da alegria do rei Davi que recebeu de Deus a promessa de uma aliança eterna, a esperança de Israel, mas já realizada em Cristo: a vinda gloriosa do Senhor.

O Advento é o tempo litúrgico que antecede o Natal. Começa na noite do sábado, véspera do 1.º domingo, e vai até o dia 24 de dezembro. É tempo de esperança, de estarmos atentos e vigilantes, preparando-nos alegremente para a vinda do Senhor. Tempo precioso para recordar o mistério da salvação e reavivar os valores cristãos. Neste tempo, fazemos memória da manifestação do Senhor Jesus em sua encarnação e em nossa história, enquanto aguardamos a sua nova vinda.

O tempo do Advento deve ser celebrado com sobriedade e discreta alegria. Flores e instrumentos musicais deverão ser usados com moderação. Nessas quatro semanas somos convidados a esperar Jesus que vem. É um tempo de preparação e de alegre espera do Senhor.

Nas duas primeiras semanas do Advento, a liturgia nos convida a vigiar e esperar a vinda gloriosa do Salvador. É tempo de preparar o coração, abri-lo para a presença do Cristo em nós. Tornarmos profetas de vida e esperança no mundo, levando a Boa-nova aos necessitados.

Nas duas últimas semanas, fazemos a experiência de viver a alegria daquele que vem chegando. Ele que desce do céu e vem unir-se a nós. Vem fazer a experiência de viver a nossa humanidade e nos ajudar a nos aproximarmos cada vez mais da sua divindade.  A Igreja nos faz lembrar da espera dos Profetas e de Maria pelo nascimento de Jesus. Através dos Evangelhos, caminhamos e aprendemos a dar testemunho de vida aplainando o caminho do Senhor.

Na terceira semana do advento, já começamos os preparativos para o presépio. Quem gosta de montar o presépio, deve de ir fazendo nos passos da novena, de forma ritual, compondo-o com seus personagens até o grande dia, o dia 24 de dezembro, que será colocado o menino-Deus de forma simbólica e, ao mesmo tempo real, nos transportando para a experiência do Nascimento daquele que vem renovar nossas esperanças.

Portanto, não deixemos de viver esse tempo, experimentar a renovação de todas as coisas, na libertação de todas as amarras que nos prendem e não nos conduzem à vida eterna. Esperança para vencer as dificuldades, tribulações e medos que nos acompanham a cada instante. Tempo propício à conversão para “preparar o caminho do Senhor”, por meio da Oração e um profundo mergulho na Palavra. Daí a necessidade de fazermos uma avaliação do que significa e de como vivenciamos o tempo do Advento em nossas comunidades.

Símbolos do Advento

Vários símbolos do Advento nos ajudam a mergulhar no mistério da encarnação e a vivenciar melhor este tempo. Entre eles há a coroa ou grinalda do Advento. Ela é feita de galhos sempre verdes entrelaçados, formando um círculo no qual são colocadas 4 grandes velas representando as 4 semanas do Advento. A cada domingo uma vela é acesa; no 1° domingo uma, no segundo duas e assim por diante até serem acesas as 4 velas no 4° domingo. A luz nascente indica a proximidade do Natal, quando Cristo Salvador e luz do mundo brilhará para toda a humanidade, representando também a nossa fé e a nossa alegria pelo Deus que vem. A cor roxa das velas nos convida a purificar nossos corações em preparação para acolher o Cristo que vem. A vela de cor rosa, nos chama a alegria, pois o Senhor está próximo. Os detalhes dourados prefiguram a glória do Reino que virá.

Símbolos presentes na coroa

A forma circular: O círculo não tem princípio, nem fim. É sinal do amor de Deus que é eterno, sem princípio e nem fim, e também do nosso amor a Deus e ao próximo que nunca deve terminar. Além disso, o círculo dá uma ideia de “elo”, de união entre Deus e as pessoas, como uma grande “Aliança”.

As ramas verdes: Verde é a cor da esperança e da vida. Deus quer que esperemos a sua graça, o seu perdão misericordioso e a glória da vida eterna no final de nossa vida. Bênçãos que nos foram derramadas pelo Senhor Jesus, em sua primeira vinda entre nós, e que agora, com esperança renovada, aguardamos a sua consumação na sua segunda e definitiva volta. Os ramos dos pinheiros permanecem verdes apesar dos rigorosos invernos, assim como os cristãos devem manter a fé e a esperança apesar das tribulações da vida.

A fita vermelha: A fita e o laço vermelho que envolvem a grinalda simbolizam o Amor de Deus ou o próprio Espírito Santo a embalar toda criação que é remida com a chegada de Jesus.

As bolas: As bolas simbolizam os frutos do Espírito Santo que brotam no coração de cada cristão.

As quatro velas: As quatro velas da coroa simbolizam, cada uma delas, uma das quatro semanas do Advento. No início, vemos nossa coroa sem luz e sem brilho. Recorda-nos a experiência de escuridão do pecado. Na medida em que se vai aproximando o Natal, vamos acendendo uma a uma as quatro velas representando assim a chegada do Senhor Jesus, luz do mundo, no meio de nós, dissipando toda escuridão e trazendo aos nossos corações a reconciliação tão esperada. A primeira vela lembra o perdão concedido a Adão e Eva. A segunda simboliza a fé de Abraão e dos outros Patriarcas, a quem foi anunciada a Terra Prometida. A terceira lembra a alegria do rei Davi que recebeu de Deus a promessa de uma aliança eterna. A quarta recorda os Profetas que anunciaram a chegada do Salvador.

As cores das velas do Advento são: Roxa, Roxa, Rosa e Roxa, podendo também serem adotadas velas com as seguintes cores: Roxa, Vermelha, Rosa e Verde ou até também Roxa Escura, Roxa Clara, Rosa e Branca, ou até mesmo todas as velas podem ser brancas. As cores das velas são alegorias que nos chamam a atenção, mas o importante mesmo é a luz que emana de todas elas ajudando-nos a clarear a presença do Senhor que se torna cada vez mais forte no nosso coração.

Geralmente, na Igreja Católica, a cor das velas segue a cor das vestes litúrgicas do sacerdote, sendo assim, a cor roxa é usada no primeiro, segundo e quarto domingos do Advento simbolizando a conversão e penitência e, a cor rosa no terceiro domingo (Gaudete) simbolizando a alegria em meio à expectativa da chegada de Jesus.