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[Artigo] A Páscoa de Jesus é a nossa páscoa – Neuza Silveira, Secretariado Arquidiocesano Bíblico Catequético de Belo Horizonte

O que é a Páscoa

A Páscoa é uma festa cristã que celebra a ressurreição de Jesus Cristo. Depois de morrer na cruz, seu corpo foi colocado em um sepulcro, onde ali permaneceu, até a ressurreição, quando seu espírito e seu corpo foram reunificados. É o dia santo mais importante da religião cristã.

No início da Igreja, todo domingo era dia de Páscoa, os cristãos se reuniam para celebrar a ressurreição de Jesus. Assim estavam cumprindo a ordem do Mestre: “Fazei isto em minha memória” (Lc 22,19). Os cristãos relembravam tudo o que aconteceu durante a vida de Jesus. Estava muito viva a lembrança de sua morte na cruz.

As primeiras conversões ao seguimento de Jesus aconteceram com seus seguidores que eram judeus. Assim, muitos eram os costumes ligados às celebrações do período pascal. Muitos deles originaram-se dos festivais pagãos da primavera. Outros vêm da celebração do Pessach, ou Passover, a Páscoa judaica. É uma das mais importantes festas do calendário judaico, que é celebrada por 8 dias e comemora o êxodo dos israelitas do Egito durante o reinado do faraó Ramsés II, da escravidão para a liberdade. Um ritual de passagem, assim como a “passagem” de Cristo, da morte para a vida.

Como era celebrada a festa da Páscoa

Para entendermos a Páscoa cristã, vamos, sinteticamente, buscar sua origem na festa judaica de mesmo nome. O ritual da Páscoa judaica é apresentado no livro do Êxodo (Ex 12,1-28). O povo celebrava o fato histórico de sua libertação da escravidão do Egito. O principal protagonista desse evento histórico foi Moisés no comando de seu povo pelo mar vermelho e deserto do Sinai.

Com o caminhar do povo na história, esse evento, de histórico se torna evento de fé. A passagem do mar vermelho foi lembrada como Páscoa e ficou como um marco na história do povo hebreu. Nos anos seguintes ela sempre foi comemorada com um rito todo particular. A confissão de fé do povo judeu soa constantemente em seus ouvidos: “O Senhor nos tirou do Egito”, expressão que aparece em diversos contextos do texto bíblico.

Todo ano, na noite de lua cheia de primavera, os hebreus celebravam a Páscoa, com o sacrifício de cordeiro e o uso dos pães ázimos (sem fermentos), conforme a ordem recebida por Moisés (Ex 12,21.26-27; Dt 12,42). Era uma vigília para lembrar a saída do Egito (forma pela qual tal fato era passado de geração em geração. ( Ex 12,42; 13,2-8).

A festa da páscoa é uma festa muito antiga e era conhecida como a festa dos ázimos. Depois passou a ser celebrada para recordar a libertação do povo da escravidão do Egito. Os ritos continuaram em Israel. A festa da Páscoa (=passagem). Passagem do anjo exterminador que saltava as casas do Povo Hebreu para sua libertação, e a passagem do “Mar Vermelho” para a nova vida em Israel, terra prometida.

Até hoje, as crianças são instruídas sobre a história de seus antepassados. Desde cedo aprenderam a profissão de fé no Deus Javé: “Nós éramos escravos no Egito. O Senhor viu nossa miséria nosso sofrimento e nossa opressão. Ele nos fez sair do Egito com mão forte e braço estendido, através de sinais e prodígios e nos trouxe para uma terra que mana leite e mel. Uma terra que antes fora prometida a nossos pais. (cf. Ex, 26,7-10). Esses ensinamentos também chegaram até Jesus.

Em seu trabalho missionário, Jesus e seus discípulos também celebraram a Páscoa. Podemos ver no Evangelho de Mateus que retoma em Jesus, a experiência do êxodo, vivida pelo seu povo e agora, revivida por ele. A última ceia realizada por Jesus com seus discípulos retrata a experiência pascal do êxodo. Os cristãos continuaram essa experiência que chega até nossos dias. Os ritos continuam, Nas celebrações cristãs celebra a Vida Nova em Cristo, a vida do Ressuscitado. Assim como os primeiros discípulos, os cristãos de hoje continuam cheios de luz e continuam a dar testemunho do ressuscitado.

Depois dos escritos dos Evangelhos, o povo foi melhor compreendendo que o Mistério Pascal de Jesus está presente no mistério da vida de todas as pessoas de todos os tempos. Cristo continua nascendo, vivendo, morrendo e ressuscitando na vida da Igreja. Nesse sentido poderia estar celebrando os mistérios da vida do Cristo, não só aos domingos, mas durante todos os dias, ao longo do ano.

Assim surge o Ano Litúrgico que vai melhor esclarecer a celebração do Mistério da vida do Cristo na vida da Igreja.  Diferentemente do ano civil, o Ano Litúrgico começa no Advento, passa pelo Natal e pela Epifania, continua na Quaresma, Semana Santa e Páscoa, atravessa a Ascensão e Pentecostes e termina com o tempo comum, na festa de Cristo Rei.

A experiência da Páscoa de Jesus celebrada no decorrer da caminhada da Igreja.

A partir do primeiro século a Páscoa passa a ser celebrada anualmente. No século IV, com todas as renovações que acontece na Igreja através dos concílios dogmáticos e o reconhecimento do Cristianismo como Religião oficial do Império, temos a nova forma de celebração da Páscoa. Além da Vigília Pascal, é celebrado o Tríduo do Senhor crucificado, sepultado e ressuscitado, o Jejum passa a ser de uma semana, e depois, de 40 dias. Tempo de preparação dos catecúmenos para o batismo. Tempo de reconciliação e penitência. Disso restou a imposição de cinzas na quarta-feira em que se inicia a quaresma. Temos ainda acrescentadas as comemorações da Ascensão e de Pentecostes. Assim se formou o ciclo pascoal, considerado até hoje como a primeira grande festa do ano litúrgico.

Também, foi no período do século IV que passa a ser definitiva, no Ocidente, a segunda grande festa da Igreja que é o Natal, nascimento de Jesus. O Natal tem o dia de sua festa fixado no dia 25 de dezembro, data tirada do calendário solar, por isso fixa, e tomada de empréstimo da festa do sol, uma festa pagã. Os pagãos viam em Jesus o verdadeiro Sol da Justiça. Assim se formou o ciclo de natal.

O Mistério Pascal 

O mistério pascal globaliza toda a vida do Cristo. Pode-se dizer que o Mistério Pascal expressa a unidade dialética da ação de Cristo. Nos ensinamentos do Novo Testamento encontramos as principais características dessa realidade mistérica: A superação da morte implica: o perdão do pecado, a reconciliação, a justificação, a redenção, a salvação, a libertação. A superação da morte, como culminação da vida e ação de Cristo, comporta: o dom do Espírito Santo, a filiação, a ressurreição do corpo transformado pelo Espírito.

Os ensinamentos dos santos padres esclarecem a relação dessa ação plural de Cristo, que culmina na paixão, morte, ressurreição e glorificação de Jesus, com sua vida terrena e sobretudo com seu nascimento.

 

Neuza Silveira de Souza
 Coordenadora do Secretariado Arquidiocesano
Bíblico-Catequético de Belo Horizonte