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[Artigo] A Bíblia no cenário da nossa Arquidiocese – Neuza Silveira, Secretariado Arquidiocesano Bíblico-Catequético de BH

Mês de setembro. Mês que acolhe a beleza dos ipês que colorem a cidade com suas diversas cores e se preparam para acolher a primavera que vem perfumar e renovar as esperanças a partir do renascer das flores. Que elas possam trazer novo sentido para a vida, despertar a alegria de viver, mesmo diante de tantas dificuldades desse tempo. Que a primavera possa fazer florir e despertar corações para acordar, sair, preparar a terra, jogar sementes e fazer germinar frutos e sonhos. Frutos para alimentar o corpo e sonhos para alimentar a alma.

Esse mês de setembro também nos presenteia com outras maravilhas. Mesmo comemorando, todos os anos, o mês da Bíblia, este ano também é especial, pois estamos comemorando o centenário da nossa Arquidiocese, 100 anos de vida comunitária, organizada e o 50º aniversário  do “Mês da Bíblia” que nos convocam para fazermos a experiência de promover a Animação Bíblica das Pastorais. Não apenas uma pastoral bíblica, mas uma animação Bíblica que anima todas as Pastorais. É a vida da Igreja em missão se envolvendo em todas as dimensões: formação e interpretação, comunhão e oração, evangelização e missão. A Palavra, como mediação da Pessoa de Jesus Cristo será estudada, celebrada, vivenciada e experimentada na vida cotidiana de cada pessoa.

Nesse mês a Igreja nos convoca para estudar a carta de São Paulo aos Gálatas, trazendo para nossa realidade recordações de fatos e acontecimentos importantes pata nossa fé cristã. A finalidade da carta era tentar resolver na comunidade conflitos gerados por crise provocada por cristãos judaizantes que dizia ser importantes primeiro passar por algumas práticas judaicas para depois aderirem à pessoa de Jesus Cristo. Mas o mais importante para o nosso estudo é perceber como Paulo reafirma a importância do Batismo na vida do cristão e como ele contribui para superar divisões, isto porque pelo batismo somos revestidos de Cristo nos tornando um só em Cristo Jesus. Ajuda-nos, ainda, na reflexão de que a salvação das pessoas se dá por meio da fé em Cristo e não pelas “obras da Lei” (Gl 2,15-18).

Crer em Jesus Cristo, o ressuscitado, nos levam ao seu seguimento. Para segui-lo precisamos conhece-lo. Uma forma de saber sobre a vida de Jesus está na leitura da Bíblia, a palavra de Deus encarnado. Sua atualização e interpretação se faz necessário para compreendermos a mensagem de vida que traz para nós. Vamos entender um pouco como tudo isso acontece, conhecendo um pouco mais sobre a Bíblia. Vamos lá pegar a nossa bíblia e dar uma olhada.

Diversos modos de transmitir uma mensagem

Quando abrimos a Bíblia e olhamos o índice, logo descobrimos diversos estilos literários: O índice fala de livros históricos, proféticos, sapienciais, de evangelhos, cartas, apocalipse. Estes livros indicam determinados estilos como: Romance, contos, lendas, poemas, parábolas, histórias (de reis, de guerras), provérbios, cartas, homilias, sermão, orações, etc. A Bíblia não transmite dados exatos, ela quer transmitir uma mensagem que fala ao coração, que prolonga uma resposta.

Algumas observações gerais a respeito da linguagem da Bíblia

A Bíblia usa, muitas vezes, uma linguagem figurada, simbólica. Nós também o fazemos, mas estamos tão acostumados que nem percebemos mais. Dizemos “morremos de sede”, “entrei pelo cano”, “dei com os burros n’água”, “fulano perdeu a cabeça”, e assim por diante. Quando falamos assim, todo mundo entende.
Ao ler a Bíblia, lá se encontra muitas expressões figuradas, certos simbolismos, mas por serem de outros tempos, nós não os entendemos e os tomamos ao pé da letra.

Quando a Bíblia diz que Deus falou com o povo e pensamos que eles ouviram a vós de Deus, nos perguntamos por que Deus não nos fala mais assim, hoje. Mas a voz de Deus, na Bíblia, é usada de maneira simbólica.

Muitas vezes, também, o povo falava de Deus como se ele fosse uma pessoa humana. Deus não é corpóreo. A Bíblia fala da voz de Deus, dos olhos de Deus, dos seus braços, da sua mão direita; ele fica sentado no trono, nossos nomes estão escritos na palma de sua mão, etc.

A Bíblia tem seus simbolismos próprios: a nuvem simboliza a presença de Deus, a montanha é um lugar para rezar, pois lá se está mais próximo do céu, trovão e relâmpago são manifestações de Deus, o sangue é símbolo da vida, etc.

A Bíblia é um relato das experiências profundas do povo de Deus, que dificilmente se pode expressar numa linguagem objetiva e concreta.

Como entender melhor um determinado texto

Para entender bem a mensagem de um determinado texto, podemos fazer algumas perguntas:
Quem é o autor?
Quando escreveu? Em que época?
Onde foi escrito? contexto
A quem o autor se dirige?
O que o levou a escrever?
Quais são os personagens principais do texto?
Qual a mensagem central do texto?
Qual o gênero literário?

Qual é a nossa realidade atual?
Qual é a realidade de nossos interlocutores?
Como encarnar a Palavra no hoje da nossa vida?

Este método ajuda a descobrir a riqueza do texto, seu contexto e o pretexto e trazer para nossa realidade. Sabemos que a Bíblia não nos oferece respostas prontas. Para melhor compreender o que ela quer nos transmitir é preciso, primeiro, colocá-la no seu contexto histórico para depois, fazer a hermenêutica, ou seja, trazer a mensagem para o nosso dia. Não há pressa. É no passo-a-passo, pequenas leituras no dia-a-dia e assim, vamos percorrendo o caminho da Bíblia.

Neuza Silveira de Souza
Coordenadora do Secretariado Arquidiocesano Bíblico-Catequético de Belo Horizonte