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Dor e lágrimas marcam Missa de Natal, presidida por dom Vicente,em Brumadinho

O primeiro Natal celebrado pelas famílias que perderam entes queridos em Brumadinho foi marcado pelas lagrimas de quem não pode contar com a família completa na ceia natalina. A Missa, celebrada no Santuário de Nossa Senhora do Rosário por Dom Vicente Ferreira, foi um momento de buscar renovação das forças e da esperança advinda do nascimento do Deus vivo que caminhou sobre a terra e venceu a morte. Na mesma data completaram 11 meses da tragédia crime da Vale que deixou 272 mortos e mais 13 que ainda não foram encontrados.

Durante a homilia o bispo Dom Vicente apresentou o presépio montado no Santuário que traz elementos como uma bíblia encontrada na lama trazida pelo rompimento da barragem, demonstrando a resistência da palavra de Deus entre nós. Os Reis Magos estão vestidos com coletes de algumas das entidades que atuaram no salvamento e atendimento das vítimas. “Ao centro do presépio temos o Menino Jesus, a quem nós pedimos força e acalanto aos nossos corações e que todos os nossos sentimentos sejam guiados pela sua luz divina, para que possamos trilhar novos caminhos”, disse Dom Vicente Ferreira, que pediu orações especiais para as 13 vítimas que ainda não foram encontradas.

Andressa Rocha, mãe de uma das vítimas, falou sobre a importância do acompanhamento que vem sendo dado todos os dias pela igreja e seus membros. “O que vocês fazem é necessário para que a gente continue sentindo a presença de Deus e seguindo uma caminhada de luta, de amor e de busca diária. Desde o último dia 25 de janeiro, que transformou nossas vidas, nós precisamos apoiar uns nos outros. As famílias estão unidas pela dor e essa união tem sido o nosso alento”, disse Andressa.

Outro depoimento emocionado foi de Geraldo Rezende, que ainda sofre com a busca diária do corpo da filha Juliana Rezende. “Peço a Deus todos os dias que dê força a todos que trabalham na busca pelos corpos que ainda estão sob a lama. Que Nossa Senhora Aparecida os cubra com seu manto sagrado”, disse.

Após a celebração todos seguiram em caminhada com cartazes e faixas em protesto contra a Vale, empresa responsável pela barragem que rompeu provocando uma avalanche de lama matando pessoas, animais e contaminando o rio Paraopeba. Os nomes das vítimas foram reverenciados pelos participantes enquanto caminhavam até o letreiro da cidade, onde foi feito um minuto de silêncio as 12h28, momento exato do rompimento, e centenas de balões foram soltos como homenagem às vítimas.