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48ª Assembleia Geral da CNBB – Diretrizes da Ação Evangelizadora, questão agrária e bispos eméritos

“As Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil são muito importantes porque norteiam a unidade da Igreja”. Foi o que disse o arcebispo de São Luís (MA), dom José Belisário da Silva, na coletiva de imprensa desta segunda-feira, 10. O tema está sendo tratado pelos bispos reunidos na 48ª AG da CNBB, que acontece em Brasília até o próximo dia 13, quinta-feira.

Segundo dom Belisário, as Diretrizes entram no mesmo eixo do Documento de Aparecida, no que diz respeito à direção da Igreja na evangelização no Brasil. É uma espécie de tradutor do DAp. Ela ressalta que a CNBB trata do tema em Assembleia, este ano, para que o documento possa chegar às bases da Igreja. “As atuais Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil procuram traduzir um pouco o Documento de Aparecida. Nosso objetivo é que as atuais diretrizes possam ser revistas para chegarem às bases da Igreja”. Dom Belisário ainda destacou a preocupação do documento de estar sintonizado com a atualidade. “Nós estamos consultando todos os bispos para que o texto seja voltado para a atualidade sócio-econômica do Brasil”.

Questão Agrária

O bispo de Ipameri (GO) e presidente da Comissão “Igreja e Questão Agrária no Início do Século XXI”, dom Guilherme Antônio Werlang, destacou na coletiva de imprensa o tema “Questão Agrária”, também tema de discussão. De acordo com ele, os debates em torno da temática deverão se transformar num documento de estudo da CNBB, que irá substituir o último documento da Conferência sobre questões agrárias, de 14 de fevereiro de 1980. “Desde 1980 até os dias de hoje, tanto as questões agrárias no Brasil como a questão social passaram por muitas modificações”, justificou o estudo do tema.

Ele ressaltou que o estudo do documento de 1980 permanece válido e verdadeiro, mas que a CNBB quer “contextualizar e atualizar” o tema para os dias de hoje. Para isso, o Conselho Permanente da CNBB formou uma Comissão Episcopal para discutir o assunto e elaborar o documento. A equipe responsável é composta por doutores sobre o assunto, além de biblistas e teólogos. Dom Leonardo explicou que o novo texto terá fundamentação em dados históricos e estatísticos e de conhecimento de causa no campo da reforma agrária.

Os trabalhos do novo documento tiveram início em dezembro de 2009, quando foi elaborado um primeiro ensaio, que serviu para o início das discussões no plenário da 48ª AG. No sábado, 8, foi feita uma primeira apresentação do texto. Já houve também uma sessão com oradores inscritos (bispos), que contribuíram para melhorar o texto do documento. Durante esta semana haverá outras sessões nas quais os bispos serão divididos em grupos para subtrair ou acrescentar o que acharem necessário. Os encaminhamentos definitivos serão realizados quando o texto for submetido ao Conselho Permanente da CNBB.

Para dom Leonardo, a questão agrária dificulta a vida de milhões de brasileiros. Ele admite que essa é a justificativa da CNBB trabalhar um tema tão próximo da realidade social brasileira. “Eu costumo dizer que tudo que vem de Deus diz respeito aos filhos e filhas de Deus, e tudo aquilo que diz respeito ao homem e a mulher, diz necessariamente respeito também ao homem e a Igreja. Por isso, não tem como a Igreja se furtar de discutir essa questão de uma forma profunda e séria para que possamos colaborar na construção de um país mais justo, mais igual, com menos diferenças e com mais justiça”, concluiu.

Bispos eméritos

Sobre os bispos eméritos, ou seja, aqueles que têm mais de 75 anos e renunciaram ao governo da diocese, como prevê o Código de Direito Canônico, o bispo diocesano de Santa Cruz do Sul (RS), e membro da Subcomissão para os Bispos Eméritos, dom Aloísio Sinésio Bohn, afirmou que a CNBB estuda a possibilidade de criar um fundo nacional de solidariedade aos bispos eméritos. “Esse fundo servirá para auxiliar os bispos que têm idade avançada e precisam de mais atenção com a saúde e a idade também”, disse.

Questionado se a CNBB pensa em criar uma casa especial para os bispos idosos, dom Sinésio disse que o assunto ainda não foi discutido pela Conferência e ainda deu sua opinião sobre a questão. “A CNBB não discutiu sobre isso, mas de já eu digo que sou contra a criação de um depósito de bispos velhos”, afirmou, bem humorado, dom Sinésio. Ele destacou que muitas dioceses possuem casas de padres, que também são destinadas aos bispos eméritos residirem depois que deixam o governo diocesano.

Dom Sinésio enumerou três pontos importantes sobre a posição da Igreja em estabelecer a renúncia dos bispos depois dos 75 anos. “A figura do bispo emérito é importante porque renova a liderança na diocese. O segundo ponto que acredito ser bom trata-se da reconciliação. Sabemos que somos humanos e às vezes erramos. E o terceiro ponto importante é que o bispo de idade avançada tem o direito de não ter tantas preocupações”, pontuou. Ao invés de continuar com os trabalhos diocesanos, disse dom Sinésio, “o bispo emérito pode ajudar na oração e no aconselhamento que também são importantes para a vida da Igreja”.

A Igreja Católica no Brasil tem atualmente 297 bispos diocesanos na ativa e 149 eméritos.

 

Confira nos links abaixo as entrevistas do repórter Hugo Pires (Rede Catedral de Comunicação Católica) durante 48º Assembleia Geral da CNBB:

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Ecumenismo

Jornada da Juventude