Socorro aos que não têm lar:  Igreja dedica ajuda emergencial às pessoas em situação de rua

 

Um atrito com os pais fez Alexandra Martins Cordeiro, 39 anos, morar nas ruas de Belo Horizonte por 15 anos. Hoje ela é agente social do Centro Estadual de Direitos Humanos da População de Rua e dos Catadores de Material Reciclável. A vida nunca foi fácil para Alexandra Cordeiro que engravidou aos 14 anos e hoje é mãe de cinco filhos. O filho mais velho tem 24 anos, outros dois rapazes têm 22 e 15 anos, e há duas filhas com 14 e 11 anos. Todos vivem na Ocupação Anita Santos, na avenida Tereza Cristina, no Bairro Carlos Prates. Logo após o nascimento do primeiro filho, ela tornou-se dependente do crack. “É uma droga extremamente forte e viciante”, explica Alexandra Cordeiro. Depois de conhecer a Pastoral de Rua nos anos 2000, ela começou a mudar o rumo da sua vida. “Eu recebi muita coisa que nunca havia tido na vida, como afeto, acolhimento, carinho, doação e instruções sobre como seguir o bom caminho. Além da Pastoral, Deus e a minha família me adjudaram a largar o crack”, ressalta Alexandra.

Hoje ela atua no Projeto “Canto da Rua Emergencial”, com sede na Serraria Souza Pinto, Centro de Belo Horizonte, que oferece lanche, refeições, café da manhã,  oportunidade para cuidados com a higiene pessoal, lavanderia, corte de cabelo e assistência de saúde, odontológica, psicológica e jurídica  para pessoas em situação de rua. Até mesmo os animais de estimação das pessoas que vivem nas ruas recebem uma atenção especial, com banho caprichado. “Por ter vivido muito tempo nas ruas, eu conheço a angústia, a ansiedade e a vulnerabilidade  de pessoas que hoje se encontram em situação de rua e sempre levo uma palavra de carinho, atenção e esperança por dias melhores”, explica a agente social.

O Projeto Canto da Rua é desenvolvido a partir de parceria entre a Arquidiocese de Belo Horizonte, por meio da Pastoral de Rua, poder público a instituição o terceiro setor.

No período de pandemia da covid-19, a Pastoral de Rua preparou refeições com a participação de 47 grupos solidários que se organizaram para distribuir alimentos. Foram oferecidos, até outubro, 115.818 marmitas à população que vive nas ruas. “Juntos, estivemos nas ruas, praças, marquises, hospedagens, centros de saúde, unidades de pronto atendimento, hospitais e cemitérios. Choramos com a despedida e sepultamento de amigos conhecidos: Walter, Anderson, Luciano, Lásaro, Reinaldo. Também sorrimos e comemoramos com dança e música o nascimento de crianças filhas de moradores em situação de rua. Foi um período em que vivemos intensamente”, resume a coordenadora de projetos Claudenice Rodrigues.

Graças ao trabalho da Pastoral, o senhor Antônio Pereira, de 62 anos, teve a oportunidade de viver com mais dignidade. Por integrar o grupo de risco para a Covid-19, Antônio foi encaminhado para uma pensão, onde atualmente reside. Antes, ele morava debaixo de um viaduto. “Eu ficava na companhia da bebida e dos ratos”, conta.  Ele, que trabalhou por muitos anos como pedreiro, passou a viver nas ruas quando perdeu o emprego e não pôde mais pagar seu aluguel. O alcoolismo agravou a sua situação. A conquista de um lar, mesmo que provisório, representa muito mais que a simples proteção de uma moradia segura. Permitiu ao senhor Antônio sonhar novamente com um futuro melhor, resgatando a sua autoestima. “Com a ajuda da Pastoral, estou vencendo o alcoolismo. Recebi roupas novas, pude cuidar da higiene e da saúde”, diz.

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