Pastoral da Criança: ações de evangelização e amparo contribuem para uma infância saudável

 

Catadora de material reciclável, Vanete Soares de Oliveira sobrevive com o rendimento que o serviço oferece. “A rotina de catadora não é fácil. Separar o vidro, o alumínio e o plástico dos sacos de lixo é um serviço trabalhoso e é preciso recolher muito material para reunir um pouco de dinheiro”, conta Vanete. Dessa forma não pôde sozinha acompanhar o desenvolvimento de seu filho, Pedro Miguel Lopes, de quatro anos e meio, que apresentou um desiquilíbrio no peso nos primeiros meses de vida. “Ele perdia muito peso e me deixava preocupada até mesmo a respeito da sobrevivência dele. Depois recuperava, mas perdia de novo”, explica Vanete Oliveira.

Com certo desespero, ela procurou ajuda na Pastoral da Criança da Paróquia Imaculada Conceição, no bairro Maracanã, em Contagem.  Desde que Pedro era bebê, a família passou a receber as visitas mensais da agente da Pastoral Eliana Joaquim Ramos Bastista. “A Vanete é uma guerreira, sempre foi muito responsável e focada em ajudar o filho, mas, realmente, o Pedro precisava de um acompanhamento maior para que pudesse se desenvolver com mais saúde”, explica Eliana. Com uma dieta adequada, Pedro está conseguindo apresentar o crescimento esperado para a sua idade.

No domingo 29 de dezembro de 2019, 2.800 líderes e voluntários comemoraram os 35 anos da Pastoral da Criança. No evento foram apresentados gráficos de famílias assistidas no período, com Missa celebrada pelo bispo da diocese de Divinópolis, dom José Carlos de Souza Campos. Também houve um almoço e lanche. A Pastoral da Criança foi homenageada por Minas Gerais ser o estado com maior número de crianças de 0 a 6 anos assistidas. “Foi um momento muito especial, com a celebração das enormes conquistas”, diz Marize de Oliveira Mendes Furtado, coordenadora arquidiocesana da Pastoral da Criança em Belo Horizonte e que atua há mais de 20 anos na Pastoral.

Durante as visitas, as líderes fazem anotações sobre o desenvolvimento da criança em cadernos especiais e também preenchem uma Folha de Acompanhamento Básico da Saúde. Esses dados alimentam o cadastro nacional da Pastoral da Criança. Em 2019, a Pastoral desenvolveu várias campanhas, algumas delas permanentes: o Mutirão em busca das Gestantes, Toda Geração dura mil dias, Soro Caseiro, Antibiótico: 1ª Dose Imediata, e Dormir de barriga para cima é mais seguro.

Estudos comprovam que os cuidados de mães e pais dedicados nos primeiros 1.000 dias do bebê (270 de gestação, 365 do primeiro ano e mais 365 do 2º ano) são essenciais para que a criança tenha uma vida saudável mesmo depois de adulta. E tudo se inicia com um pré-natal bem-feito, com alimentação adequada, hábitos saudáveis, com a prática de exercícios, e não consumo de álcool e cigarro, por exemplo.

Quase metade da população brasileira não tem coleta de lixo e redes esgoto em casa e, neste conexto, a falta de água potável tem provocado óbitos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a diarreia mata 3 milhões de crianças anualmente em todo o mundo. A desidratação leva à morte, que é provocada pela perda de água, saís minerais e potássio. O soro caseiro (copo de 200 ml cheio de água limpa, com uma medida rasa de sal e duas medidas rasas de açúcar) tem sido a maneira mais rápida de evitar a desidratação de adultos e crianças.

A Campanha “1ª dose imediata” tem o objetivo de alertar os pais sobre a importância de uma primeira dose de antibiótico em unidades básicas de saúde logo após a primeira consulta e, em especial, em casos de crianças com suspeita de pneumonia. O lema da campanha é “Quando mais cedo começar o tratamento, mais fácil é a cura”. Está havendo uma grande mobilização de líderes, agentes e articuladores da Pastoral da Criança para conscientizar toda a população sobre a importância da administração do antibiótico em caso de infecção respiratória aguda. A pneumonia é uma das principais causas de morte de crianças até um ano de idade.

Outra campanha permanente da Pastoral da Saúde é “Dormir de barriga para cima é mais seguro”. Pesquisas indicam que os riscos para um bebê que dorme de lado são semelhantes aos riscos daqueles que dormem de bruços.

 

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