Nesta quarta-feira, 17 de junho, milhares de peregrinos acompanharam a catequese do Papa Leão XIV, na Praça São Pedro. O Pontífice recordou a sua recente viagem à Espanha e sublinhou que “participação expressiva dos fiéis não foi algo óbvio nem previsível, mas um sinal de que há um desejo generalizado de reencontrar a unidade”:
“Isso demonstra a necessidade de estarmos unidos sobre um fundamento verdadeiro e profundo, não ideológico nem baseado em interesses particulares. Esse fundamento, que só Cristo, em última instância, pode assegurar”.
O Papa Leão XIV explicou que “uma das missões próprias do Sucessor de Pedro é, precisamente, promover a comunhão, o diálogo e a unidade na diversidade, adaptando esse serviço às diferentes realidades eclesiais e sociais encontradas durante as viagens apostólicas”.
O Pontífice recordou importantes momentos vivenciados, como os encontros nas grandes catedrais, nos modernos estádios, a oração do Terço na Abadia de Montserrat e a Missa celebrada na Basílica da Sagrada Família, e destacou a união da tradição e contemporaneidade.
“Este encontro entre o antigo e o moderno, entre a tradição católica e a cultura contemporânea, fez-me perceber ao vivo o caráter próprio da Europa, a sua riqueza inestimável, como uma realidade atual, não ultrapassada.”
De acordo com o Pontífice, “esse patrimônio precisa ser preservado e colocado a serviço dos grandes desafios do mundo atual, entre eles a paz, a ecologia integral, o desenvolvimento equitativo e sustentável e o respeito pela dignidade humana”. O Papa Leão XIV recordou ainda que “essas questões já haviam sido identificadas pelo Concílio Vaticano II e continuam sendo aprofundadas pelo Magistério da Igreja, inclusive em sua recente encíclica Magnifica humanitas, dedicada à proteção da pessoa humana na era da inteligência artificial.
Ao longo da viagem, o Papa Leão XIV evidenciou que “percebeu uma necessidade comum em todos os encontros: ouvir, como Sucessor de Pedro, o anúncio da esperança para uma humanidade marcada pelas consequências negativas de um modelo de desenvolvimento que chamou de ‘enganador’”:
“Esta necessidade, que se expressou nos muitos testemunhos que pude ouvir – testemunhos por vezes comoventes, por vezes edificantes –, reconheci-a também e sobretudo nos rostos das crianças e dos pobres que encontrei: da criança que, na paróquia, me leu a sua carta; de algumas vítimas de abuso, que pedem para ser ouvidas; dos reclusos que me esperavam na prisão; dos jovens cheios de inquietude e de projetos; dos migrantes nos centros de acolhimento nas Ilhas Canárias”.
Para o Santo Padre “a última etapa da viagem, nas Ilhas Canárias, ofereceu uma visão mais ampla dos desafios contemporâneos, especialmente diante da realidade migratória vivida pelo arquipélago, porta de entrada de milhares de migrantes provenientes, sobretudo, da África. Leão XIV afirmou reconhecer a complexidade do fenômeno migratório e a necessidade de respostas articuladas, mas destacou que essa realidade também oferece uma nova chave de leitura do Evangelho”:
“E um desses frutos é precisamente o diálogo entre as pessoas e entre os povos, o encontro num espírito de fraternidade, que permite descobrir e apreciar mutuamente os valores de que o outro é portador. Este caminho não é fácil, requer boa vontade e a ajuda de Deus, mas é o caminho que conduz à civilização do amor”.
Ao concluir a sua catequese, o Papa Leão retomou o lema da viagem apostólica, Alzad la mirada (“Levantai os olhos”), inspirado nas palavras de Jesus aos seus primeiros discípulos:
“Levantemos os nossos olhos! Aprendamos com Jesus a olhar para o próximo, para as pessoas e para o mundo ‘com os olhos de Deus’, isto é, com amor, respeito e compaixão”.
*Informações e fotos: Vatican News