Nesta quarta-feira, 6 de maio, milhares de fiéis e peregrinos acompanharam a Catequese do Papa Leão XIV, durante a Audiência Geral, na Praça São Pedro. O Pontífice retomou sua reflexão a respeito dos documentos conciliares, comentando o capítulo VII da Lumen Gentium que reflete sobre uma das suas características definidoras: a dimensão escatológica.
“A Igreja, de fato, percorre esta história terrena sempre orientada para o seu objetivo final, que é a pátria celeste. Essa é uma dimensão essencial que, no entanto, muitas vezes é negligenciada ou minimizada porque se foca no que é imediatamente visível e nas dinâmicas mais concretas da vida da comunidade cristã”.
E continuou o Pontífice sublinhando: “Povo de Deus que caminha na história, a Igreja tem o Reino de Deus como fim de todo o seu agir. Guardiã de uma esperança que ilumina o caminho, é também investida da missão de pronunciar palavras claras para rejeitar tudo o que mortifica a vida e impede o seu desenvolvimento e a tomar posição em favor dos pobres, dos explorados, das vítimas da violência e da guerra e de todos os que sofrem, no corpo e no espírito”.
“Sinal e sacramento do Reino, a Igreja é o povo de Deus em peregrinação na terra, que, partindo da promessa final, lê e interpreta a dinâmica da história a partir do Evangelho, denunciando o mal em todas as suas formas e anunciando, por palavras e ações, a salvação que Cristo deseja realizar para toda a humanidade e o seu Reino de justiça, amor e paz. A Igreja, portanto, não anuncia a si própria; pelo contrário, tudo nela deve apontar para a salvação em Cristo.”
O Papa Leão XIV recordou que “nesta perspectiva, a Igreja é chamada a reconhecer humildemente a fragilidade humana e a transitoriedade das suas instituições, que, embora sirvam o Reino de Deus, transportam a imagem fugaz deste mundo (cf. LG, 48)”. “Nenhuma instituição eclesial pode ser absolutizada. Pelo contrário, já que vivem na história e no tempo, são chamadas à conversão contínua, à renovação das formas e à reforma das estruturas, à regeneração constante das relações, para que possam verdadeiramente corresponder à sua missão”.
De acordo com o Santo Padre, “no contexto do Reino de Deus, outro ponto a ser compreendido é a relação entre os cristãos que cumprem a sua missão hoje e aqueles que já concluíram a sua existência terrena e se encontram em estado de purificação ou beatitude”.
“A Lumen Gentium, de fato, afirma que todos os cristãos formam uma só Igreja, que existe uma comunhão e partilha dos bens espirituais fundada na união de todos os fiéis com Cristo, uma fraterna solicitude entre a Igreja terrena e a Igreja celeste. Ao rezarmos pelos defuntos e ao seguirmos os passos daqueles que já viveram como discípulos de Jesus, também nós somos amparados na nossa caminhada e fortalecemos a nossa adoração a Deus”.
O Papa Leão XIV concluiu sua catequese sublinhando: “Sejamos gratos aos padres Conciliares por nos terem recordado essa dimensão tão importante e bela de ser cristãos, e procuremos cultivá-la nas nossas vidas”.
*Informações: Vatican News