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Uma luz no fim do túnel

Decidir pelo Cristianismo é decidir pela vida diante do nada. O nada absoluto é a única alternativa ao Ser. Ou Deus existe ou a Natureza leva, necessariamente, mais cedo ou mais tarde, para o nada. Nós pensamos, muitas vezes levados por uma mentalidade dos nossos dias, que as grandes questões religiosas são aquelas que povoam os noticiários: o crescimento do Islamismo radical, a diminuição de católicos, o aumento das seitas, as questões morais de pesquisa das células-tronco, aborto, eutanásia, matrimônio e divórcio etc.

Mas a questão fundamental da fé e da religião cristã é um realismo. Consiste em responder à pergunta: a realidade, em seu ser, a realidade tal como aparece na experiência, isto é, como aparece à razão do homem, como pode existir e do que é feita? O cristianismo autêntico responde essa pergunta assim: a realidade não se faz por si, não “é” por si só, não tem consistência, precisa, depende, necessita ser criada. A realidade tal como aparece ao homem é feita por Deus, sai “de” Deus e vai “para” Deus. E, assim como a realidade existe, eu existo; eu faço parte dessa realidade, e por isso a existência do eu, da sua liberdade, das suas exigências originais, demonstram Algo mais, remetem para um Outro, são sinais de um além. Não é, ainda uma questão moral, é uma questão ontológica, isto é, Deus não é quem castiga e premia, antes disso é Aquele pelo qual o nosso “eu” existe.

 

Cristo ressuscitou para continuar conosco. Devemos, pois, pedir um coração puro e transparente, sem malícia. Que nenhuma ingratidão o feche, que nenhuma indiferença o entristeça e se rejubile com a glória de Deus

Temos, pois, motivos para sorrir. Sempre! Sigamos o exemplo dos mais simples. Em um artigo recente de um grande jornal se lia que “empregar pessoas com down melhora a saúde das empresas”. Por que melhora? Porque o sorriso e a afetividade dessas pessoas contagiam. Complicamos muito a nossa vida. Estamos sempre pensando em nosso papel social, nas expectativas dos outros, no resultado, ou seja, estamos, muitas vezes, fora do momento presente. As pessoas simples estão sempre no aqui e agora e isso faz a diferença.

O tempo comum é o momento de sermos simples, alegres, é tempo de sorrir, não obstante nossas preocupações. Se, de fato, acreditamos que Cristo ressuscitou, o que importa o resto? Nossos maiores medos se dissolvem diante deste fato. É reconfortante escutar o nosso Pastor, o Santo Padre, dizer que A salvação “não se compra nem se vende” porque “é um presente totalmente gratuito”. Mas, para recebê-la, Deus pede que tenhamos “um coração humilde, dócil, obediente”, ou seja: um coração de criança, um coração simples. E o Papa diz ainda, em homilia recente, que Deus permanece sempre “com o seu povo em caminho: envia os profetas e as pessoas que explicam a lei”. Mas “por que caminhava o Senhor com o seu povo com tanta ternura?”, se pergunta o Papa Francisco. E Ele mesmo responde: “para enternecer o nosso coração”.

 De fato, as Sagradas Escrituras afirmam explicitamente: eu farei do teu coração de pedra um coração de carne. O que significa então “o caminho da humildade? Significa, como nos ensinam as pessoas simples, “dizer: eu sou homem, eu sou mulher e tu és Deus! Partindo deste reconhecimento, ir em frente, na presença de Deus, na obediência e na docilidade do coração”. Cristo ressuscitou para continuar sempre conosco. Devemos, pois, pedir um coração puro e transparente como uma fonte de água límpida, simples e sem malícia, magnânimo e  generoso, fiel e nobre, sem mágoa. Que seja dócil e humilde, que ame sem exigir retorno, que se alegre quando preterido por outro, de modo que nenhuma ingratidão o feche, que nenhuma indiferença o entristeça e se rejubile com a glória de Deus.

 

 

 

 

 

 

Pe. Douglas Jorge Arão
Pároco da Paróquia Santo Antônio (Contorno)