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Tudo é possível ao que crê e vive em oração – artigo do Padre Gleicion Adriano da Silva, Paróquia Maria Serva do Senhor

 

Para compreender a oração de Jesus Cristo é importante inspirarmos em suas ações, bem como observar o que as suas testemunhas nos afirmam através do Evangelho. É preciso contemplar o que Ele próprio nos ensina, para, finalmente, conhecermos como é que Ele atende as nossas preces.

Jesus aprendeu a orar segundo o seu coração de homem. Aprendeu as fórmulas de oração com sua Mãe, que conservava e meditava no coração todas as maravilhas feitas pelo Pai Onipotente. Ele ora com as palavras e nos ritmos da oração do seu povo, na sinagoga de Nazaré e no Templo. Mas as suas preces brotavam duma fonte muito mais secreta, como deixa pressentir quando diz, ainda aos doze anos: “Eu devo ocupar-me das coisas do meu Pai”. Percebemos que começa a ser revelada a novidade da oração filial, que o Pai esperava dos seus filhos, e que finalmente vai ser vivida pelo próprio Filho Único na sua humanidade, com e para toda a humanidade.

Na sua prática diária, Jesus ora antes dos momentos decisivos da sua missão: antes de o Pai dar testemunho d’Ele no Batismo; da sua transfiguração; antes de cumprir, pela paixão o desígnio de amor do Pai. Reza também antes dos momentos decisivos que vão decidir a missão dos seus Apóstolos: antes de escolher e chamar os Doze; antes de Pedro O confessar como o Messias, “Cristo de Deus” e para que a fé do chefe dos Apóstolos não desfaleça na tentação. A oração de Jesus antes dos acontecimentos da salvação de que o Pai O encarrega, é uma entrega humilde e confiante da sua vontade à vontade amorosa do Pai. Da sua fé e do seu exemplo surge a grande oração feita ao Pai. Portanto, devemos conhecer o Mestre na sua oração, ser o seu discípulo e aprender a orar com a vida na fé dirigida ao Pai.

Como um bom pedagogo Jesus toma conta de nós do jeito que somos, como nos encontramos e, progressivamente, nos conduz até o Pai. Jesus parte daquilo que os seus seguidores já conhecem acerca da sua história de vida e ensina a novidade do Reino que chega. Depois revela aos seus discípulos acerca da oração na sua Igreja e fala abertamente do Pai e do Espírito Santo.

Jesus insiste na conversão do coração desde o sermão da montanha: a reconciliação com o irmão antes de apresentar a oferta no altar; o amor dos inimigos e a oração pelos perseguidores; orar ao Pai “em particular”; não se perder em fórmulas apenas de palavras; perdoar do fundo do coração na oração; a pureza do coração e a busca do Reino.

Do mesmo modo que Jesus ora ao Pai e dá-lhe graças antes de receber os seus dons, assim também nos ensina esta audácia filial: “tudo o que pedirdes na oração, acreditai que já o alcançastes”. Tal é a força da oração: “tudo é possível a quem crê”, com uma fé que não hesita. Assim como Jesus Se entristece por causa da “falta de fé” ou da “pouca fé” dos seus discípulos, e se enche de admiração perante a “grande fé” daqueles que o seguem.

A oração de fé não consiste somente em dizer “Senhor, Senhor”! Mas em preparar o coração para fazer a vontade do Pai. Jesus exorta os seus discípulos a levar para a oração esta solicitude em cooperar com o desígnio e Plano de Deus. Em Jesus, o Reino de Deus se concretiza. Daí Ele apela à conversão e à fé, mas também à vigilância. Na oração o discípulo entra em comunhão com o Mestre e não cai na tentação.

Santo Agostinho resume admiravelmente as três dimensões da oração de Jesus: “sendo o nosso Sacerdote, ora por nós; sendo a nossa Cabeça, ora em nós; e sendo o nosso Deus, a Ele oramos. Reconheçamos, pois, n’Ele a nossa voz e a voz d’Ele em nós.

 

 

 

 

 

 

 

Pe. Gleicion Adriano da Silva
Pároco da Paróquia Maria Serva do Senhor (bairro Alípio de Melo)
FONTE: Catecismo da Igreja Católica