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República Professor Fábio Alves dos Santos acolhe pessoas em situação de rua


Pe. Chico Pimenta, vigário para Ação Social e Política da Arquidiocese de Belo
Horizonte
(ao centro), com a equipe da República Professor Fábio Alves dos Santos

 

A República Professor Fábio Alves dos Santos acolhe, hoje, cerca de 20 moradores em situação de rua.  A casa que começou a funcionar em dezembro de 2014 oferece 40 vagas, das quais 20 por cento são destinadas a pessoas com vulnerabilidade física, psíquica ou mental. É toda adaptada para facilitar o dia a dia de pessoas com alguma deficiência. Embora já esteja funcionando, a inauguração está prevista para abril, após ter sido realizado um concurso para a escolha do nome da instituição. Fábio Alves dos Santos foi professor da Faculdade de Direito da PUC Minas e dedicou-se incansavelmente a ajudar os pobres e excluídos.

 

O modelo de funcionamento da República  é de cogestão, e a intenção é desenvolver um modelo de moradia o mais próximo possível  do familiar. Os moradores fazem todo serviço doméstico. Lavam as próprias roupas, os banheiros e arrumam os quartos. Uma cozinheira  responsável pela alimentação trabalha ao lado de uma nutricionista encarregada, também,  de ministrar oficinas de alimentos para os moradores. “Eles não cozinham diariamente, mas cuidamos para que aprendam tudo o que é necessário à vida em família e em sociedade”, explica a coordenadora do projeto Andreia Oliveira Chagas.  A Casa também oferece oficinas quinzenais de arte, atividades musicais, momento de espiritualidade, e encontros organizados pela Pastoral da saúde e Pastoral  da Sobriedade, visando à prevenção  de doenças  e abuso de droga e álcool.

 

Oficina Plano Individual de Atendimento (PIA) – moradores refletem sobre expetativas durante e após a permanência na República

O projeto resulta de uma parceria da Providência Nossa Senhora da Conceição, braço social da Arquidiocese de Belo Horizonte, com o poder público. Dois profissionais educadores nas áreas de serviço social e psicologia realizam atendimento socioassistencial, traçando os planos de trabalho, de estudo, e de reintegração na família. Eles também emcainham aqueles que são dependentes de álcool e drogas para terapias e providenciam recebam  médico e odontológico para  todos, no Posto de Saúde do bairro.

 

A equipe cuida, ainda,  para que eles frequentem cursos profissionalizantes e os encaminha para empregos. Uma estratégia que, embora recente, tem obtido resultados animadores.  Quase todos os moradores da República Fábio Alves dos Santos trabalham com carteira assinada, exceto um deles que, mesmo  não estando empregado, têm boas perspecivas de enocntrar trabalho. Ele já concluiu dois cursos de informática  com bolsas  obtidas pela instituição. Só o fato de ter endereço fixo, segundo Andreia Chagas, facilita o ingresso no mercado de trabalho, pois existe muito preconceito contra aqueles que vivem nas ruas, além da dificuldade de serem encontrados para receber recados e correspondências. Ela conta que muitas pessoas em situação de rua desistem do emprego pelo simples fato de não terem condições de preparar marmita. Na República Fábio Alves, a cozinheira prepara as marmitas após o jantar, identifica com os respectivos nomes e no dia seguinte cada um pega sua refeição e vai para o trabalho. Aquele que levanta mais cedo prepara o café para si e os outros colegas, alimenta-se e sai.

 

Os moradores da República passam por triagem realizada pela instituição. Eles são indicados por órgãos  municipais,  Pastoral de Rua , abrigos, Centro de Referência da População de Rua e equipes de abordagem  das administrações regionais do município.

 

População de rua: um novo perfil

 

Andreia Chagas observa que o perfil da população de rua, atualmente, é bem diferente da década passada.  Levantamento realizado pela UFMG e Prefeitura de Belo Horizonte, em 2014, identificou 1.827 pessoas em situação de rua, sendo que a maior parte (64,2%) vem do interior de Minas  (39,7%) ou de outros estados (24,5%). Em geral, elas migram para a capital em busca de trabalho, emprego ou dos serviços públicos. A grande maioria dessa população (94%) se diz interessada em deixar a vida nas ruas. O Censo realizado pela UFMG registra a melhoria do grau de escolaridade dessas pessoas.

O sexo masculino é predominante, com 86,8% dos entrevistados, e a idade média é de 39,6 anos. A pesquisa mostra também que, em relação ao último censo, realizado em 2005, a população de rua de Belo Horizonte envelheceu. Mais da metade dos entrevistados tem entre 31 e 50 anos, o que requer uma nova leitura desse cenário para a implantação de políticas públicas, especialmente nas áreas de saúde e assistência social.

Outra mudança significativa no perfil da população em situação de rua foi a redução de famílias vivendo nessa condição em Belo Horizonte. Apenas 5,9% dos entrevistados disseram viver em companhia de parentes. Em 1998, quando foi realizado o primeiro censo em BH, as famílias representavam 24,8% dos moradores de rua. Esse índice caiu para 13,6% em 2005 e, agora, é inferior a 6%.

 

Os problemas familiares encabeçam a lista de motivos alegados pelas pessoas para viver em situação de rua, com 52%; em seguida vem o abuso de álcool e/ou drogas, com 43,9%; falta de moradia, com 36,5% e desemprego, 36%.

 

Conheça um pouco sobre a atuação do professor Fábio Alves

 

Professor da Faculdade de Direito da PUC Minas, Fábio Alves dos Santos coordenou o grupo que trabalhou na implantação e gestão da Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (APAC Santa Luzia), constituído pela Arquidiocese de Belo Horizonte – PUC MInas e Irmãos Maristas;  integrou a Comissão Pastoral de Direitos Humanos; o Conselho Estadual de Direitos Humanos e a Assessoria a Movimentos Sociais da Arquidiocese de BH.

 

Atuou como advogado popular, especialmente em questões de ocupação urbana.  Dedicou a vida a promover a justiça social e a solidariedade junto aos mais pobres e aos excluídos. Faleceu em 19 de outubro de 2013 gerando muita comoção nos meios acadêmicos, movimentos sociais e, especialmente, na Igreja.

 

  

 Assembleia dos moradores da República Professor Fábio Alves dos Santos As oficinas de arte compõem as atividades do grupo

 

A oficina de jogos ajuda no convívio saudável, pois todos precisam respeitar determinadas normas A alegria de participar da celebração de Natal

  


Oficina de Pão de Queijo 

 


Celebração de Natal: espiritualidade e alegria marcam encontro dos moradores da República Reviver