Raiz da liturgia cristã: a Palavra de Deus

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Podemos compreender a ‘virada’ realizada nas celebrações da Igreja a partir do Concílio Vaticano 2º , recorrendo ao número 5 da Sacrosanctum Concilium, constituição conciliar sobre a sagrada liturgia, que nos oferece elementos importantes para a correta interpretação.  

Comecemos pela relação que o texto conciliar estabelece entre a liturgia e a revelação: “havendo outrora falado muitas vezes e de muitos modos aos pais pelos profetas (Hebreus 1,11), quando veio a plenitude dos tempos, mandou seu Filho (…)”. A raiz da liturgia é a vontade salvadora de Deus (cf. 1Timóteo 2,4) que cuida de sua criação com grande ternura e põe-se em diálogo com ela, elevando-a à dignidade de interlocutora. Os homens e mulheres de todos os tempos e lugares se tornam símbolos da criação que compartilham a palavra com seu Criador.

 

É preciso verificar se as nossas assembleias experimentam a si mesmas como ‘interlocutoras eclesiais’ no diálogo com o Pai, o que a liturgia por Cristo, com Cristo e em Cristo realiza

A Dei Verbum, constituição dogmática sobre a revelação divina, igualmente emanada do Concílio Vaticano 2º, nos diz que “Deus invisível, no seu imenso amor, fala aos homens como a amigos e conversa com eles para convidar e admitir a participarem da sua comunhão. A celebração cristã, por sua vez, será lugar privilegiado para continuar este diálogo querido e iniciado por Deus. Neste sentido, se poderá dizer na perspectiva do teólogo-liturgista Salvatore Marsili que “a liturgia é um momento na história da salvação e, precisamente, o último, por meio do qual se estende a salvação realizada por Cristo no âmbito da comunidade humana em todo lugar e em todo tempo” (Flores: 2006, p. 246).

Esta apreciação da liturgia como lugar e ocasião para se ocupar da Palavra de Deus aparece com certa frequência na teologia dos Santos Padres. Atanásio de Alexandria, por exemplo, no século 4º falava que por ocasião da páscoa os fiéis “comem a Palavra do Pai”. Orígenes, um século antes, considera o culto (ritual e existencial) como permanência na Palavra de Deus. Em sua Encíclica Verbum Domini, Bento XVI insiste na compreensão da liturgia como “o âmbito privilegiado onde Deus nos fala no momento presente da nossa vida: fala hoje ao seu povo, que escuta e responde. Cada ação litúrgica está, por sua natureza, impregnada da Sagrada Escritura” (VD 52).

Com razão, o prefácio 9º do tempo comum afirma o domingo como momento para dar graças e bendizer a Deus, dia em que a sua família se reúne para escutar a Palavra de Deus, recordando a Páscoa de Cristo Jesus.

A recuperação da liturgia da Palavra de Deus, reconhecendo, como nas origens, a sua sacramentalidade, isto é o seu status de celebração e não apenas de anúncio e/ou instrução, como se passou a conceber no período moderno, foi um grande ganho trazido pelo Concílio Vaticano 2º. É preciso, então, verificar se as nossas assembleias experimentam a si mesmas como ‘interlocutoras eclesiais’ no diálogo com o Pai, que a liturgia por Cristo, com Cristo e em Cristo realiza.

 

Padre Danilo Lima
Liturgista



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Foco Roubado é a dica de leitura da professora Elaine Oliveira

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Foco Roubado, do escritor e jornalista britânico Johann Hari, se tornou um best seller em países da Europa, América do Norte e no Brasil, especialmente pelo conteúdo contemporâneo. O livro, indicação da semana da professora Elaine Cecília de Lima Oliveira, coordenadora pedagógica geral do Colégio Santa Maria Minas, trata em cinco eixos temas centrais da vida moderna.

O jornalista britânico costuma dizer que seus livros nascem de uma pergunta. “Cada livro que escrevo nasce de uma pergunta que quero investigar e responder para mim mesmo. Por que tantos de nós temos dificuldade em prestar atenção e como podemos recuperar o nosso funcionamento cerebral?”. Segundo o próprio Hari descreve, essa foi sua motivação para a pesquisa que deu origem à obra  Foco Roubado.

No ano que a chegada da internet ao Brasil completa 30 anos, a professora Elaine Oliveira considera ser uma questão primordial uma reflexão cuidadosa sobre  a atenção, tema que está relacionado com a nossa atividade cerebral. O exercício é também um convite para pensarmos formas saudáveis de lidar com a tecnologia, especialmente políticas públicas que conduzam a esse objetivo. Professora Elaine destaca alguns trechos marcantes do livro, onde o autor descreve a forma como os dispositivos multimidia roubam a atenção e o foco a partir de um excesso de busca de informação, o que nos leva a dormir menos, a perder a capacidade da leitura profunda, a perder a capacidade da contemplação, recebendo em troca um bombardeio de informações que podem produzir impactos graves na saúde mental. Os caminhos para lidar positivamente com as novas tecnologias são múltiplos e exigem atenção de todos os setores. “Ao ler esse livro, percebi que no Colégio Santa Maria Minas estamos no caminho certo, desenvolvendo projetos e plataformas que levam ao retorno, com qualidade, às capacidades que estão sendo perdidas”, observa.

O livro Foco Roubado: Por que você não consegue prestar atenção  recebeu diversos prêmios e citações como melhor livro do ano, por instituições e plataformas como Amazon. 



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Programação Dia de Nossa Senhora de Lourdes: 11 de fevereiro

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Fiéis e devotos celebram o Dia de Nossa Senhora de Lourdes, na próxima quarta-feira, 11 de fevereiro. Nas comunidades de fé da Arquidiocese de Belo Horizonte programações especiais foram preparadas para celebrar a memória da Padroeira dos Enfermos.

Na Basílica Nossa Senhora de Lourdes, o dia da Festa da Padroeira é um convite para Celebrações Eucarísticas, ao longo do dia, Oração do Terço, Bênção dos Enfermos, Liturgia das Horas e Missa Solene, às 19h, seguida de procissão, pelas ruas do bairro de Lourdes,em homenagem à Santíssima.

Dia de Nossa Senhora de Lourdes

No dia 11 de fevereiro de 1858, a menina Bernadete recebeu a aparição da Virgem Maria em uma gruta, próxima ao rio Gave, em Lourdes, na França.  Com essa revelação, a cidade de Lourdes tornou-se um centro de peregrinação para aqueles que buscam paz, saúde e serenidade.

Acompanhe, a seguir, as programações das comunidades de fé e participe com sua família!

Programação

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Convivium Emaús acolhe relíquias de São Vicente de Paulo

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O Convivium Emáus acolheu com alegria e muita fé, nesta quinta-feira, dia 5 de fevereiro, as relíquias de São Vicente de Paulo, que estão em exposição itinerante:  uma carta manuscrita em 1630 por São Vicente de Paulo, um pedaço de sua túnica e um fragmento da costela do Santo integram a exposição itinerante, que contempla ainda uma réplica do corpo de São Vicente de Paulo, encontrado incorrupto em 1712 – 52 anos depois de sua morte, em 1660. Após a exumação, ocorrida no processo de beatificação do Santo, o corpo sofreu o processo de decomposição natural, mas a preservação de seus restos mortais, por tantos anos, é interpretada pela Igreja como um dos sinais de sua santidade.

A exposição itinerante está em peregrinação pelas Paróquias e Santuários de Belo Horizonte e região metropolitana de 3 a 8 de fevereiro.

Clique aqui e saiba mais.

Acompanhe algumas imagens da visita das relíquias no Convivium Emaús.



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