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Pastoral Familiar: a alegria que se vive nas famílias é também o Júbilo da Igreja -Neuza Silveira, Secretariado Arquidiocesano Bíblico-Catequético de BH

Família, lugar primeiro de vivenciar a nossa vocação de batizados e nos preparar para percorrer o caminho no seguimento do Cristo Ressuscitado.

Aproveitando esse tempo vocacional, conversaremos um pouco sobre o tema desse ano que nos convoca a pensar a família como espaço privilegiado para o discernimento vocacional. Constituída para ser luz para a vida em sociedade, há de se pensar no cultivo da força do amor que, apesar de tudo, não desiste, mantém-se fiel e se fortalece no dom da graça recebida de Deus.

O Papa Francisco, em sua Exortação Apostólica pós-sinodal ‘Amoris Laetitia’ expressa o seu desejo de apresentar as diversas contribuições dos dois Sínodos recentes sobre a família, acrescentando outras considerações que possam orientar a reflexão, o diálogo, a práxis pastoral, deixando transparecer nas suas diversas páginas que o amor vivido nas famílias é uma força permanente para a vida da Igreja, independentemente das diversas configurações familiares existentes hoje. Todas elas são chamadas a ser luz e dar testemunho cristão. Trata-se de uma ocasião muito importante para que todas as famílias do Brasil possam refletir sobre a dignidade, a importância, a beleza da família, dom de Deus.

Chamada a viver e testemunhar o Evangelho do amor de Deus na vida conjugal, a família se dispõe a viver na alegria que se encontra dentro do matrimônio, doando entre si e para além de si mesmo, abrindo-se aos filhos, reflexo do seu amor e da própria natureza do amor conjugal de onde provém a abertura à amizade, à intimidade, ternura, busca do bem do outro, estabilidade, tudo isso se construindo numa vida partilhada. Sob o olhar de Cristo este amor se torna fecundo, faz do casal um co-criador com Deus e a sua família, constituída no amor, pode se fazer uma seguidora de Cristo empenhada na busca de vida plena para todos.

Na vivência do amor, as famílias compartilham os projetos e as dificuldades, os desejos e as preocupações, aprendem o cuidado recíproco e o perdão mútuo. Neste amor, elas celebram os sentimentos felizes, a alegria pela vida que nasce e pelo cuidado amoroso da parte de todos os membros, desde os pequeninos até os idosos, pois o que os tornam grande é o amor que compreende, integra, está atento a todos. o amor conjugal.

No capítulo IV da Exortação “Amoris Laetitia” encontra-se uma bela e profunda reflexão sobre o amor no matrimônio a partir de 1Cor 13. Um amor que unifica todos os aspectos da vida matrimonial e ajuda a avançar em todas as suas fases. Os gestos que exprimem este amor devem ser constantemente cultivados, sem mesquinhez, cheios de palavras generosas. Amor sempre dá vida. Por isso, o amor conjugal não se esgota no interior do próprio casal. Ele está sempre aberto ao definitivo. A união, que se cristaliza na promessa matrimonial para sempre, é mais do que uma formalidade social ou uma tradição, porque radica-se nas inclinações espontâneas da pessoa humana e a constitui dom para Deus, alegria para a Igreja que, como sacramento de Cristo, mantém a família fecundada de amor. Um amor que não é só destinado à procriação, mas à formação de uma comunidade e comunhão de vida que leva o amor conjugal a se alargar e se abrir para receber quem se encontra privado de um ambiente familiar adequado.

“O Papa Francisco pediu para que todas as comunidades se envolvessem com a família, fizessem da família o centro da ação evangelizadora, pois a família é o âmbito da socialização primária e nela se encontra o ambiente da boa convivência: lugar onde se aprende a relacionar-se com o outro, a escutar, partilhar, suportar, respeitar, ajudar, conviver. Que todos nós, família, possamos ‘cuidar’ para que os seres humanos, nascidos à imagem e semelhança do grande Pai, se realizem digna e plenamente.

Neuza Silveira de Souza, Coordenadora do Secretariado
Arquidiocesano Bíblico-Catequético de Belo Horizonte