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Pastoral da Sobriedade: solidariedade que liberta

Trabalhar pela dignidade e inserção social do dependente químico é a missão da Pastoral da Sobriedade da Arquidiocese de Belo Horizonte. Um desafio que cresce conforme se agrava o  uso abusivo das drogas lícitas como o álcool, das ilícitas como o crack, e de tantas outras que surgem a todo momento. Só em 2012, 140 agentes de pastoral realizaram 7.413 atendimentos. Este ano a messe continua grande e, da mesma forma, são poucos os operários.  Irmã marista Ivelina Martins Tavares  é uma das integrantes da coordenação da Pastoral da Sobriedade.  Nesta entrevista, ela revela como é esse trabalho de evangelização e busca da sobriedade.

Como é a atuação da Pastoral da Sobriedade?

 

A Pastoral trabalha por meio de linhas de ação. Uma das frentes é a prevenção e a outra a recuperação. A prevenção para a Pastoral da Sobriedade é prioritária. E a eficácia deste trabalho vai depender da boa articulação política de cada diocese e de cada paróquia com todas as forças vivas da sociedade, forças essas que juntas queiram promover a vida. Trabalhamos com todos que buscam o resgate da dignidade, da autoestima de cada dependente químico e de seus familiares. Por isso, como Pastoral Social, buscamos por meio do Vicariato Episcopal para Ação Social e Política, captar recursos para continuar a desenvolver o Projeto Prevenir, recursos esses que foram recebidos pelo Programa “Aliança Pela Vida”.


No que consiste o Projeto Prevenir e qual a metodologia utilizada?

O projeto busca promover ações de mobilização para o trabalho de prevenção ao uso indevido de drogas, na Arquidiocese de Belo Horizonte, pautando-se pela política sobre drogas implementada pelo Estado.  Fortalece as ações preventivas já existentes, capacita agentes multiplicadores para desenvolver o trabalho de prevenção junto aos jovens e elabora material didático-pedagógico para a realização desse trabalho. Envolve e contribui para fortalecer a rede social, visando ao enfrentamento da droga na construção coletiva de grupos comunitários de prevenção.

À luz das diretrizes da 4ª Assembleia do Povo de Deus, como deverá ser o trabalho das regiões episcopais e foranias junto à Pastoral da Sobriedade?

A Missão da Pastoral é Evangelizar, apresentando o amor incondicional, gratuito e misericordioso do Pai, anunciando Jesus Cristo Libertador.

 

O documento Diretrizes da IV APD assim se expressa sobre a questão: “Dê-se atenção especial à prevenção do uso indevido de drogas, por meio de ações adequadas a esse cuidado.” Nos Planos de Pastorais três regiões episcopais buscam criar meios para dar atenção à situação que as famílias sofrem em decorrência do uso abusivo de drogas. A Região Episcopal Nossa Senhora da Conceição (Rensc) tem o propósito de intensificar e apoiar a Pastoral da Sobriedade e outras ações de prevenção do uso indevido de drogas e a superação da dependência química. A Região Nossa Senhora da Esperança (Rense) pretende, por meio das foranias, incentivar e apoiar a criação da Pastoral da Sobriedade nas paróquias.  Da mesma forma, a Região Nossa Senhora da Piedade (Rensp) se compromete a organizar e apoiar a Pastoral da Sobriedade e outras ações de prevenção e de superação da dependência química.

De que modo a família e a comunidade devem agir na prevenção ao abuso de drogas?

Um aspecto importante da prevenção é trabalhar junto à família, mas também às comunidades, jovens, adolescentes e crianças, os fatores de  proteção que podem colaborar para que se evite o uso abusivo de drogas, maximizando-os. Do mesmo modo é importante conhecer e dar atenção aos fatores de risco, minimizando-os. Menciono aqui alguns  desses fatores que predispõem o jovem às drogas:
    

  • Atitudes permissivas dos pais com relação ao uso de drogas;
  • Falta de suporte familiar;
  • Consumo abusivo de drogas pelos pais;
  • Incapacidade de controle dos filhos pelos pais;
  • Indisciplina dos jovens;
  • Uso de drogas pelos irmãos;
  • Medidas disciplinares confusas ou não efetivas;
  • Pouca relação afetuosa;
  • Pouco tempo de convivência entre os membros da família;

 

Na linha da recuperação, como se aplica a Terapia do Amor?

 

Pela Terapia do Amor, a Pastoral da Sobriedade trata todo e qualquer tipo de dependência. É a prática de Jesus, presença que liberta. E ao agente cabe “expressar o amor gratuito do Pai, que desperta em nós a solidariedade com o mundo e com a humanidade, fazendo dos excluídos os nossos preferidos” e nossos preferidos são os dependentes químicos.

 

Pode-se dizer, então, que o  Evangelho é fundamental nesse processo?

 

Sim, pois a missão da Pastoral é Evangelizar, apresentando o amor incondicional, gratuito e misericordioso do Pai, anunciando Jesus Cristo libertador por meio do serviço, do diálogo e do testemunho de comunhão fraterna, integrando fé e vida e promovendo a dignidade da pessoa e da família, contribuindo para a construção de uma sociedade justa e solidária.

 

Como a família é inserida no processo de recuperação do dependente químico?

A Pastoral atua junto aos familiares para que todos se ajudem mutuamente, pois onde há o dependente químico na família, todos patologicamente contribuem, consciente ou inconsciente para esse mal – são denominados co-dependentes. Então o trabalho da Pastoral da Sobriedade acontece de forma sistêmica, envolve o dependente químico, seus familiares e amigos, engajando-os na comunidade a qual pertencem.

Para obter apoio da Pastoral da Sobriedade, como devem agir os dependentes e familiares?

 

Para a recuperação a pastoral é procurada por famílias ou mesmo dependentes químicos para apoio e ajuda no tratamento. O contato se dá por telefone indicado por pessoas que nos conhecem, pela rede de comunicação da Arquidiocese de Belo Horizonte, por párocos ou mesmo pelos meios públicos que tratam o dependente químico: Centro de Referencia em Álcool e Drogas do Estado de Minas (CREAD), Centro de Atenção Psicossocial em Álcool e Drogas do Município de Belo Horizonte (CAP´S AD) e Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas (CMT). O atendimento poderá ser feito na sede da pastoral, Paróquia Santa Mônica, Bairro Santa Mônica, ou por agentes da pastoral nos grupos de auto-ajuda.

 

E como o tratamento é viabilizado?

 

A recuperação se dá por um serviço da rede do SUS: CERSAM AD, CMT ou na modalidade de internação numa comunidade terapêutica (chamada anteriormente como fazenda). Na triagem são oferecidos às famílias os contatos para que possam conhecer e escolher a modalidade de recuperação. Busca-se acompanhar tais pessoas em sua caminhada, que poderá ser feita por um grupo de autoajuda do qual  a família participa, como parte do processo de recuperação de todos (dependentes e familiares).

SERVIÇO:
Pastoral da Sobriedade
Endereço:  Rua Além Paraíba, 208 – Lagoinha
Telefone: 3421-1447
Funcionamento: período da tarde
Paróquia Santa Mônica
Funcionamento – às quintas-feiras à tarde.