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Pastoral da Esperança: o cuidado com aqueles que vivenciam o luto

 

A Arquidiocese de BH terá, a partir deste sábado, dia 13 de junho, 70 novos ministros de Exéquias.  Eles receberão a investidura  em celebração  presidida pelo Vigário Episcopal para a Ação Pastoral, padre Áureo Nogueira, às 9h, na Capela Nossa Senhora do Líbano. Os ministros passarão a integrar a Pastoral da Esperança, um importante trabalho da Arquidiocese  de apoio a famílias enlutadas, com a missão de serem a presença da Igreja, sobretudo de Cristo, junto aos que vivenciam a perda de seus entes queridos.

 

“Enquanto cristãos, como Igreja Povo de Deus, nossa missão é oferecer esse serviço àqueles que sofrem, especialmente,  o ministro da Esperança, a exemplo do que nos pede o Concílio  Vaticano II e que o Papa Francisco tem solicitado”

A Pastoral da Esperança, vinculada ao Vicariato para a Ação Pastoral, segundo padre Áureo Nogueira, situa-se no contexto de uma igreja comprometida com o serviço aos mais sofridos da sociedade, atuando nesses momentos de grande dor para as pessoas. “A missão é  levar consolo aos enlutados, por meio da presença confortadora do Cristo Ressuscitado. Essa é a motivação da articulação da Pastoral da Esperança na que nasce do empenho  da Igreja em valorizar a atuação dos ministros leigos nas diversas realidades”.

 

 

Padre Aureo Nogueira

Padre Áureo ressalta a necessidade da Igreja de contar com ministros da Palavra qualificados em situações importantes para as pessoas como as que envolvem a perda de um ente querido. Um trabalho que tem se intensificado durante a última década, na Arquidiocese de BH. “Necessitamos, também, de ministros da Palavra qualificados, em outras situações que envolvem perdas e que levam ao sofrimento como enfermidades ou quando uma família se sente atingida em seus direitos. A  Arquidiocese de BH está na perspectiva da 5ª Assembleia do Povo de Deus, de cada vez mais ter a Palavra como motivação dos ministérios, iluminando as várias realidades”.  Além da formação que recebem, os ministros da Esperança têm como referência a coordenação do diácono Carlos Cremonese e a assessoria eclesial do diácono Giovanni Pontel Gonçalves.

 

A ideia, segundo Padre Áureo, é sempre colocar em prática a ministerialidade  proposta nas Diretrizes da Arquidiocese. O sacerdote explica que a perspectiva na atuação dos ministros não é de suplência com relação aos sacerdotes e diáconos, mas de exercer um ministério que brota da consciência do batizado. “Enquanto cristãos, como Igreja Povo de Deus, nossa missão é oferecer esse serviço àqueles que sofrem, especialmente,  o ministro da Esperança, a exemplo do que nos pede o Concílio  Vaticano II e que o Papa Francisco tem solicitado”.

A missão de anunciar a boa nova

Secretário da Pastoral, Valdir Nobre observa que o trabalho de cada um dos ministros deve lembrar que a vida cristã não está limitada à realidade terrena, mas envolve esse tempo e esse lugar. “O Senhor Ressuscitado e glorificado é o modelo de nossa realidade futura, aquele que nos anima na superação dos momentos de dificuldades”.

 

“Para ser ministro das Exéquias basta à pessoa, na força do seu batismo,  acolher o chamado  pelo qual o Mestre Jesus nos convida a ser discípulos e missionário”

Além de estar presente nos velórios e nos sepultamentos, a Pastoral da Esperança, segundo seu coordenador, busca  estar ao lado das famílias no pós-luto, ou seja, para a escuta, para ser presença amiga e apoio emocional e, especial, ajudar na elaboração do luto. “Confesso, que ainda não atingimos o grau de excelência e maestria, que nos possibilite esse salto de qualidade. Contudo, procuramos nos aperfeiçoar, organizando nossas rotinas de modo a nos doarmos inteiramente a essa missão; outro desafio que a Pastoral busca superar. O principal nós já temos: o desejo de ajudar o irmão que sofre”.  

 

Os integrantes da Pastoral, são homens e mulheres de todas as paróquias da Arquidiocese de BH e dos diversos ministérios. Eles atuam, também, nas equipes de liturgia, na catequese, na Pastoral Familiar. São ministros extraordinários da Sagrada Comunhão, membros do Terço dos Homens e de outras pastorais e movimentos.  Convidados a lançar suas redes em águas mais profundas, essas pessoas aceitam o desafio de fazer a diferença na vida dos irmãos e se apresentam para a formação.  “Para ser ministro das Exéquias basta à pessoa, na força do seu batismo,  acolher o chamado “ide”,  pelo qual o Mestre Jesus nos convida a ser discípulos e missionários e nos envia para levar a Boa Nova do Evangelho àqueles e àquelas, que se encontram com os corações feridos no momento do luto.

 

O amor aos que sofrem é fundamental para a realização desse trabalho, mas a  capacitação é indispensável. É preciso saber atuar em um momento tão delicado na vida das pessoas. Por isso os ministros frequentam um curso de formação  com  temas e abordagens, ministrados por padres, diáconos, psicólogos, assistentes sociais, tanatólogos, teólogos dentre outros especialistas de áreas afins.  O objetivo é oferecer o conhecimento necessário à rotina da pastoral.

Essa formação é ministrada em 60 horas, distribuídas em 10 encontros realizados nas tardes de sábado. Os temas principais trabalhados dizem respeito à Vida, morte e ressurreição na Bíblia, Antropologia da morte, Ministério da Acolhida, Liturgia das Exéquias, Estudo da Escatologia, Ecumenismo e Diálogo  Interreligioso, dentre outros.

O ombro amigo da Igreja nos momentos de dor

 

Valdir Nobre

Com a investidura desses novos ministros, a Pastoral da Esperança espera fortalecer a sua presença nos cemitérios, especialmente os públicos, que, de acordo com Valdir Nobre, apresentam demanda considerável. “Sabedores de que a messe é grande e poucos os operários, esperamos poder distribuir esses novos ministros, preenchendo algumas lacunas que existem na escala de atendimento. Pretendemos tornar possível o atendimento todos os dias da semana”. Os ministros investidos, oriundos de cidades da Região Metropolitana de BH  – Nova Lima, Ribeirão das Neves, Pedro Leopoldo, Belo Vale, Vespasiano, Contagem, Esmeraldas – , além de atenderem às demandas de suas regiões, como explica o coordenador, serão também multiplicadores do conhecimento que adquiriram nos encontros de formação.

 

A atuação da Pastoral nos cemitérios, segundo Valdir Nobre, obedece a uma escala de plantão que permite ao ministro antecipar o chamado, principalmente em cemitérios de maior demanda, como Bonfim e da Paz.  Eles se apresentam às famílias colocando-se à disposição para, juntamente com os familiares e amigos presentes, celebrar as exéquias. “Dessa forma ajudamos os padres e até mesmo pastores, em alguns casos, a darem assistência a um número maior de famílias. Nos outros cemitérios e velórios – Parque da Colina, Saudade, Parque Renascer, Bosque da Esperança, Consolação, Belo vale, Terra Santa, Funeral House, Casa da paz, dentre outros –  onde a demanda é menor, haverá sempre uma pessoa de referência, formada e capacitada pela pastoral, à disposição, para o atendimento.