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Paróquia Santa Efigênia: grupo terapêutico ensina arte de conviver com as perdas

 
Confraternização ao final dos trabalhos do grupo

A paróquia Santa Efigênia dos Militares ajuda a comunidade ao acolher o Grupo de Apoio a Perdas e com o trabalho de suas pastorais.  Enquanto o Gaper oferece suporte emocional a pessoas que vivenciam o luto, por meio da partilha das experiências de perda, as pastorais ajudam as pessoas nos mais diversos aspectos de suas vidas.

 

A iniciativa tem alcançado êxito.  Com apenas dois anos de atividades, os encontros da quarta turma  começam  no dia 5 de maio, numa sala da Paróquia, na Rua Álvares Maciel, 223, bairro Santa Efigênia. A coordenadora, Ana Paula da Silva Maia – psicóloga com formação em tanatologia e pós graduanda em Terapia Cognitiva Comportamental – explica que se inspirou no  GAL (Grupo de Apoio a Enlutados),  que é realizado todos os anos na Associação Médica de Minas Gerais, do qual participou como observadora.

 

O  objetivo do trabalho, segundo ela, é facilitar o contato das pessoas com as experiências de perda de forma acolhedora, estimulando a expressão dos sentimentos.  “Ao trabalhar o significado da morte, a pessoa descobre as possibilidades de integrar a perda na própria vida. Fazemos isso, principalmente a partir das reflexões e da troca de experiências. Os participantes, ao vivenciarem processos semelhantes, identificam-se uns com os outros e formam um ambiente solidário, familiar. Percebem que não estão sozinhos na sua dor.

 

Segundo Ana Paula Maia, na medida do possível, o Gaper conta com  um observador da área de Psicologia. “Além da troca de idéias, é muito importante que profissionais dessa área conheçam o trabalho, para que ele possa ser multiplicado em outros lugares”. No entanto – alerta a psicóloga- o grupo não tem a pretensão de substituir a terapia individual quando ela se faz necessária, até porque, o trabalho do Gaper tem um período pré-determinado (nove encontros) e as terapias se adequam à necessidade de cada paciente. Caso haja o desejo de continuidade por parte do grupo, existe a possibilidade de realização de encontros mensais, como está ocorrendo atualmente. Ana Paula enfatiza que o luto é um processo e que os encontros são apenas um ponto de partida, um suporte para que a pessoa continue caminhando, sobreviva à dor e encontre um novo significado para a vida, uma nova perspectiva de futuro após a perda.
  

A psicóloga, Ana Paula,  entre participantes do Gaper

O único pré-requisito para participar do grupo é a perda de um ente querido e a necessidade de um suporte emocional para lidar com essa dor. Em uma sociedade onde há bloqueios para se tratar de questões relacionadas às perdas e à finitude da vida, levando as pessoas a viverem o luto isoladamente ou até mesmo a evitá-lo, o GAPER configura-se como um suporte eficaz, pois “viver o luto é indispensável para a saúde psíquica e emocional. Quem se esquiva, acaba ficando exposto à ansiedade e à depressão, tornando mais difícil encontrar um novo rumo para a vida”.

 

Dos nove encontros semanais do Gaper, oito são destinados a reflexões temáticas, e o último é uma confraternização. Após o primeiro e o segundo encontros, nos quais priorizam-se o acolhimento e os relatos dos participantes, a psicóloga Ana Paula contempla, inicialmente, a reflexão sobre as fases do luto. “Nessa etapa, o objetivo é criar oportunidade para que as pessoas identifiquem a fase em que se encontram. Elas podem estar em fase de negação ou de revolta e acharem que não é normal. A partir dos textos e exposições de outras pessoas, percebem que o que sentem é comum e pode ser recorrente, oscilando até que atinjam a estabilidade. Isso é imprescindível para a superação do sofrimento”.

Nos encontros restantes, são apresentados aos integrantes do grupo textos que instigam a reflexão sobre o significado da morte, do desapego e da impermanência,  no sentido de apreenderem que nada na vida terrena é permanente. Trabalhar a culpa e o perdão de si mesmo é outro aspecto importante, segundo a psicóloga.  “É preciso que a pessoa tenha a consciência da finitude da vida para que, a partir da perda, comece a estabelecer prioridades”. Ana Paula Maia observa que o ser humano tem o hábito de postergar a felicidade, de não valorizar as coisas simples da vida, como se tivesse a eternidade para realizar aquilo que deseja.

Para a psicóloga, “é fundamental viver bem para morrer bem. Saber quais as pegadas e marcas que queremos deixar e como gostaríamos que as pessoas avaliassem a nossa trajetória. Nesse ponto, a reflexão converge novamente para a vida, como viver melhor a partir da perda”. Esse é o tom do último encontro – anterior à confraternização – que propõe ao grupo o desafio da mudança, de assumir as rédeas do próprio destino”.

Grupo de Apoio a Perdas
Encontros: às terças-feiras, das 19h30 às 21h
Data: a partir de 5/5/2015
Inscrições gratuitas: de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h
Local: Secretaria da Paróquia Santa Efigênia dos Militares- Rua Álvares Maciel, 223

 

A presença da igreja na vida da comunidade

 


Formação Bíblica na Paróquia Santa Efigênia

 

O cuidado da Paróquia Santa Efigênia dos Militares com a comunidade inclui vários outros serviços, dentre eles, o apoio àqueles (as) que desejam abandonar a dependência  química por meio da partilha de Vida e da ajuda mútua, frequentando o grupo Alcóolicos Anônimos ou Narcóticos Anônimos.

 

Confira as atividades da Paróquia: