Você está em:

Paróquia Cristo Operário: dedicação à criança e à família

 

A Creche Comunitária é exemplo de amor e cidadania na Paróquia Cristo Operário, no bairro Planalto. Onze funcionários entre professoras, coordenadoras, cozinheiras e auxiliares de limpeza cuidam, em tempo integral, de 80 crianças das comunidades Vila São Tomaz de Aquino, Biquinhas, Conjunto Habitacional Campo Alegre, Vila Clóris, São Bernardo e Heliópolis.  Elas são filhas de pais que não têm com quem deixar os filhos para trabalhar, nem condições para arcar com a mensalidade de um serviço particular.

Na Creche, além da alimentação balanceada, as crianças recebem o conhecimento conforme modelo pedagógico proposto pela  Secretaria Municipal de Educação, que assessora o planejamento do trabalho, junto à Coordenação Pedagógica. “Temos um plano de ação envolvendo metas: físicas, administrativas, pedagógicas complementares, de saúde e da comunidade”, explica a diretora da instituição, Flora  Maria Soares Moreira.

 

A diretora, Flora Maria, com a Rainha da Pipoca

Os objetivos do trabalho realizado, segundo ela, vão além da preocupação com o ensino formal.  Ser presença transformadora na comunidade, uma busca constante de toda a equipe, faz da Creche Comunitária Cristo Operário referência para as famílias da região. Elas são convidadas a participar de palestras com psicólogos, de reuniões com os pais e de festas que têm caráter pedagógico, como o dia das mães, dos pais, dia da família, festa junina etc.

No dia dos pais, por exemplo, foi apresentada uma peça teatral, um monólogo com título “Ele não é aquele”. O objetivo era mostrar que o filho nem sempre é aquele que os pais desejam ou idealizam. Um tema que trabalha a necessidade de compreensão e aceitação no núcleo familiar.

Contudo, quando se trata de crianças, as surpresas não podem ser descartadas. A diretora conta que elas ficaram admiradas com o ator da peça, por se chamar Jesus, e que se apresentou com o rosto todo pintado de preto. “Duas delas se aproximaram para me perguntar se Jesus do céu não era aquele que morreu na cruz. Ao dizer que sim, elas queriam, de toda forma, saber por que ele estava com o rosto todo preto e não sujo de sangue. Foi difícil, então, esclarecer para elas que aquele Jesus era um ator e não o Jesus do céu”. Desta forma, a diretora observa que o aprendizado ocorre naturalmente, a partir das diversas circunstâncias.

Noções de cidadania e convívio social fazem parte do aprendizado. “De acordo com o plano de ação, há metas para trabalhar com as crianças conceitos e valores de igualdade racial, social e religioso. Trabalha-se também: convivência, respeito, amizade e solidariedade”, explica a diretora.

 

Ajudar as famílias, em suas necessidades materiais, é mais uma das atribuições da equipe da Creche Cristo Operário, realizada com o apoio da Sociedade São Vicente de Paulo. “Nos mpenhamos, também, para proporcionar atendimento médico e psicológico aos familiares das crianças, em casos de urgência”, explica a Flora Moreira. Mas o serviço social à comunidade é bem mais amplo. Ele ocorre por meio da divulgação e participação das pastorais nos conselhos fiscal e deliberativo e na diretoria da instituição.

“A comunidade, por sua vez, demostra interesse contribuindo financeiramente e com participação efetiva. Por ser uma instituição bem antiga, a creche Cristo Operário é uma entidade bastante conhecida e querida por todos. “Lamentamos não ter condições de ampliar o número de vagas, pois as mães sentem-se seguras ao deixar as crianças conosco, mas não temos espaço suficiente para acolher  todos os que nos procuram”, diz a diretora.

Manter a Creche para 80 crianças, em tempo integral, de acordo com Flora Moreira, é desafio constante, principalmente pelo alto custo financeiro. O convênio com a Prefeitura de Belo Horizonte cobre apenas o pagamento mensal dos funcionários.  As outras despesas, incluído o 13º salário das funcionárias, férias e encargos sociais ficam por conta da instituição. Os recursos para este fim e a complementação da alimentação fornecida pela prefeitura vêm de doações, promoção de festas e pequenas contribuições voluntárias dos pais.

As dificuldades, contudo, não desanimam a equipe. “É emocionante e gratificante. Não só se doa! A alegria de chegar na creche e ser recebida pelas crianças com gestos carinhosos, como aquele em que elas fazem o formato de coração com as mãozinhas, é motivo de muita alegria, é nossa recompensa”, afirma Flora Moreira.