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Papa ensina o que é o purgatório

Papa Bento XVI dedica catequese para explicar a visão de purgatório apresentada por Santa Catarina de Gênova, italiana que viveu no século 15. A santa é amplamente conhecida por sua visão do purgatório, que foi uma guinada na concepção tradicional de sua época. A partir dos escritos que recolhem as narrativas de Catarina sobre o assunto, o Pontífice falou sobre essa realidade espiritual.

“O primeiro traço original diz respeito ao ‘lugar’ da purificação das almas. Em Catarina, o purgatório não é apresentado como um elemento de paisagem das vísceras da terra: é um fogo não exterior, mas interior. Esse é o purgatório, um fogo interior. […] Sentimos no momento da conversão, onde Catarina sente de repente a bondade de Deus, a distância infinita da sua vida dessa bondade e um fogo queimando dentro de si mesma. E esse é o fogo que purifica, é o fogo interior do purgatório”, ensinou.

De acordo com o Papa é a partir desta chama interior que a alma se conscientiza do imenso amor e da perfeita justiça de Deus. O sofrimento é fruto de um arrependimento por não responder corretamente este amor de Deus.

Apesar da clareza do ensinamento de Catarina, Bento XVI recordou que a santa, na sua experiência mística, nunca teve revelações específicas sobre o purgatório ou sobre almas que ali estão se purificando, mas escritos inspirados.

“Santa Catarina ensina-nos que quanto mais amamos a Deus e entramos em intimidade com Ele na oração, tanto mais Ele se faz conhecer e acende o nosso coração com o seu amor. Escrevendo sobre o purgatório, a Santa recorda-nos uma verdade fundamental da fé que se torna, para nós, convite a rezar pelos defuntos, a fim de que possam chegar à visão beatífica de Deus na comunhão dos santos”.

Santa Catarina

O texto que recolhe aspectos da vida e pensamento de Santa Catarina de Gênova foi publicado em 1551 e teve como autor final o confessor da santa, o sacerdote Cattaneo Marabotto.

Catarina nasceu em Gênova, em 1447. Foi a última de cinco filhos e ficou órfã ainda pequena. A mãe deu-lhe uma válida educação cristã. Aos dezesseis anos, foi prometida em casamento a Giuliano Adorno, que gostava de jogos de azar.

“A própria Catarina foi induzida inicialmente a cultivar um tipo de vida mundana, na qual, contudo, não chegou a encontrar serenidade. Após dez anos, no seu coração havia um sentimento de profundo vazio e amargura”, explicou o Pontífice.

Sua conversão iniciou em 20 de março de 1473, quando, indo à Igreja de São Bento e ao Mosteiro de Nossa Senhora das Graças para confessar-se, ajoelhou-se diante do sacerdote e teve uma clara visão de suas misérias e defeitos, bem como da bondade de Deus.

A santa decidiu narrar as suas experiências de comunhão mística com Deus para poder beneficiar o caminho espiritual de outros.

Foi no hospital de Pammatone que ela alcançou vértices místicos e viveu uma existência totalmente ativa, apesar da profundidade de sua vida interior. O próprio marido foi conquistado a deixar sua vida dissipada, tornando-se terciário franciscano e transferindo-se ao hospital para dar o seu auxílio à mulher.

“O empenho de Catarina na cura dos doentes segue até o fim de seu caminho terreno, em 15 de setembro de 1510. Da conversão à morte não houve eventos extraordinários, mas dois elementos caracterizaram toda a sua existência: de um lado, a experiência mística, isto é, a profunda união com Deus, sentida como uma união esponsal, e, de outro, a assistência aos doentes, a organização do hospital, o serviço ao próximo, especialmente os mais necessitados e abandonados. Esses dois pólos – Deus e o próximo – preencheram totalmente a sua vida, transcorrida praticamente no interior dos muros do hospital”, citou o Santo Padre.