Você está em:

O simbolismo da aliança na leitura bíblica

Percorrendo o caminho da leitura, convido  todos a  fazer uma pequena pausa e refletir sobre uma das mais belas reflexões alegóricas que temos na Bíblia: a aliança de amor de Deus com seu povo.   

Desde os primeiros escritos bíblicos encontramos esse amor explícito de Deus para com seu povo. No princípio, ao criar todos os seres vivos: a natureza, os animais e o ser humano ele já deixa um sinal do seu amor: Dá ao homem o direito de cuidar de toda a sua criação e ainda lhe oferece um dia de descanso: o sábado.

Depois, no caminhar da história, Deus, ao perceber que não agiu bem com seu povo, lhe faz uma promessa: a de não mais castigá-los com o dilúvio. E para não se esquecer dessa promessa coloca no céu um sinal: O arco-íris. E assim, no decorrer do texto bíblico vamos encontrar vários símbolos e sinais que podem ser lidos e colocados no chão da nossa existência. Vamos, aos poucos, descobrindo-os através de nossas leituras. Comecemos pela experiência das primeiras comunidades cristãs.

Nos primórdios do cristianismo essas comunidades vivem a experiência do amor Deus e, hoje, nos convidam a entrar na dinâmica da leitura simbólica para melhor compreender a Palavra, pois por trás de um texto bíblico tem sempre alguém ou uma comunidade falando de sua experiência de Deus.

Para as primeiras comunidades cristãs, a experiência de fé tem como fundamento as Escrituras. Elas sabem que a relação de aliança entre Deus e o povo de Israel é considerada como um casamento. Assim, podem remeter a relação de Jesus e a comunidade ao matrimônio. Uma relação de amor entre Jesus e sua Igreja: a comunidade.

 

Essa relação de Cristo com a Igreja é refletida como o matrimônio que se inicia com a encarnação na qual ele assumiu a nossa humanidade, redimiu-a no Calvário, desposou-se com a Igreja e a perpetua no céu

Olhando para as passagens bíblicas do Primeiro Testamento, podemos ver no livro de Oséias, capítulos 1 e 2 como ele fala do relacionamento existente entre Deus e Israel. Ele fala da própria experiência de seu casamento com uma mulher infiel, para falar da aliança de Deus com seu povo que também lhe foi infiel. Encontramos nesse texto uma narrativa com linguagem simbólica da infidelidade conjugal, utilizada pelo autor para mostrar como o povo foi infiel com Deus, esquecendo-se de sua aliança. Mas o Pai, que não se esquece de seus filhos, permanece fiel e misericordioso.

 

Também encontramos em Isaias (Is 62,1-12), no capítulo 16 de Ezequiel e em outros livros da Bíblia, textos que falam da relação de amor entre Deus e seu povo como a relação de um grande amor conjugal.

Refletindo sobre os ensinamentos desses textos, a comunidade cristã também vai expressar suas experiências com Deus numa linguagem matrimonial. É a aliança de amor entre Jesus e seu povo apresentada no sentido alegórico como esposo. Essa relação de Cristo com a Igreja é refletida como o matrimônio que se inicia com a encarnação na qual ele assumiu a nossa humanidade, redimiu-a no Calvário, desposou-se com a Igreja e a perpetua no céu.

Para melhor entender os textos, convido você, catequista, a fazer a leitura dos textos citados. Leia também o capítulo 5 da carta aos Efésios, dando à sua interpretação esse novo olhar.

 

Neuza Silveira de Souza
Coordenadora da Comissão Arquidiocesana de Catequese de BH