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O simbolismo da Aliança na Leitura bíblica (6)

Como a experiência da Aliança com o Povo de Deus “Israel” é retomada no Novo Testamento

 

Olá, catequistas! Vamos continuar a nossa reflexão sobre a Aliança que Deus está constantemente renovando com o seu povo na história e como ela chega até nós, por meio de Jesus Cristo.

 

A partir da aliança do Sinai, ponto central do Primeiro Testamento, o povo se coloca para ouvir o que Deus tem a dizer por meio de Moisés,e responde que a Javé, servirá e obedecerá. E assim, por toda a Escritura observa-se que a Palavra de Deus é dada (revelada) para ser posta em prática pelo homem e nisto consistem as duas dimensões da aliança. De um lado Deus e do outro o povo.

 

Os mandamentos são vistos num contexto do Bem (escolher e praticar) e de Mal (discernir e evitar), de benção e de maldição. De vida e de morte etc. Nesse sentido, podemos ver como a relação de Deus com seu povo caminha como qualquer relação: tem altos e baixos, rupturas e continuidade.

 

No Segundo Testamento, a aliança entre Deus e o povo é firmada por meio de Jesus cristo. Ele é o mediador da Aliança (cf. Hb 9,12; 12,24). Não é mais a “tábua de pedra”, mas a Torá encarnada. Nos textos do Segundo testamento temos a experiência de Jesus com seus discípulos que gera a experiência feita pelo grupo de discípulos e seus seguidores.

 

Precisa-se ter coragem de encontrar novos sinais, os novos símbolos, uma nova forma para a transmissão da Palavra e a vivência dessa linda experiência que é o “viver em Cristo”.

E até hoje é assim. Todos são convidados a renovar esse encontro pessoal com Jesus Cristo fazendo-se seu seguidor ou, pelo menos, a tomar a decisão de se deixar encontrar.

Com Jesus Cristo renasce a alegria. Uma alegria já prefigurada desde os tempos messiânicos. O profeta Isaias dirige-se ao Messias esperado, saudando-o com alegria: “Multiplicaste a alegria, aumentaste o júbilo” (9,2). E anima os habitantes a recebê-lo com cânticos: “Exultai de alegria!” (12,6).

 

De várias maneiras, estas alegrias bebem na fonte do amor maior, que é o de Deus a nós, manifestado em Jesus Cristo. Recordando a Exortação do Papa Francisco “a alegria do Evangelho”, ele cita as palavras de Bento XVI que nos levam ao centro do Evangelho: “Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que se dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo definitivo”.

Assim ele nos lembra de que a alegria do Evangelho é para todo o povo, não se pode excluir ninguém. Assim também foi anunciado pelo anjo aos pastores de Belém: “Não temais, pois vos anuncio uma grande alegria, que o será para todo o povo” (Lc 2,10).

 

Nesse mesmo sentido Jesus ordenou aos seus discípulos: “Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho ordenado” (Mt. 28, 19-20).

 

Em nosso tempo somos desafiados a descobrir e transmitir a “mística” de anunciar essa Boa Nova e viver junto aos irmãos, misturar-nos, encontrar-nos, dar o braço, apoiar-nos e fazer a verdadeira experiência de fraternidade. 

 

Precisa-se ter coragem de encontrar novos sinais, os novos símbolos, uma nova forma para a transmissão da Palavra e a vivência dessa linda experiência que é viver em Cristo.

 

Neuza Silveira de Souza

coordenadora da Comissão Arquidiocesana de Catequese de Belo Horizonte