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O simbolismo da Aliança na Leitura bíblica (4)

A Torá dada no Monte Sinai

O povo Judeu, ao receber a Torá,  pôs-se a caminhar no deserto, seguindo atrás da coluna de fogo e nuvens do Deus do Sinai

A Torá se refere à narrativa da revelação originária de Deus diante de Israel no Sinai. O Monte Sinai é a montanha de Deus, lugar onde Moisés recebeu a revelação do nome de javé e, após proceder à libertação do Povo, no Egito, retorna até a essa montanha para receber as dez Palavras, ou seja, os mandamentos de Deus.  

A Torá revelada no Sinai contém os dois focos:  os mandamentos do amor de Deus e  o mandamento do amor ao próximo, fundamentados na criação e que vem a todos os povos por meio de Israel. Contudo, esses dez mandamentos outorgados como proclamação de direito divino e de direito humano não são lei de vida apenas para Israel, mas para todos os povos. Inclui-se aqui, também, os cristãos que devem “cumprir” a Torá no seguimento de Jesus (cf. Mt 22,34-39 no horizonte de Mt 5,17-20).

O povo Judeu, ao receber a Torá, no Monte Sinai, pôs-se a caminhar no deserto, seguindo atrás da coluna de fogo e nuvens do Deus do Sinai; os cristãos colocam-se no seguimento de Jesus, que não substitui a coluna de fogo, mas é a voz dela.

 

Percorrendo o Livro do Êxodo, o segundo livro da Bíblia, podemos ver como ele descreve os inícios da história de Israel como povo, os descendentes dos doze filhos de Jacó que são conduzidos para fora, libertados da opressão do Faraó; vemos a luta de Javé com o Faraó para a libertação de seu povo (as chamadas dez pragas) e a salvação milagrosa acontecida na passagem do Mar vermelho. A caminhada até o Monte Sinai onde Javé se manifesta, proclama o Decálogo e celebra a aliança com seu povo. Tudo isto através de Moisés que se dispôs a ser instrumento de Deus para a realização de suas ações.

 

A aliança em Cristo é selada com o seu sangue, exatamente da mesma forma que a aliança do Sinai, entre Deus e a comunidade dos filhos de Israel, é selada com o sangue do cordeiro

Partindo do Sinai rumo à terra prometida, todo o caminhar do povo é cheio de sofrimento e conflito, mas também é cheio de esperança da realização da promessa de Deus.

Nesse sentido, podemos depreender dessa caminhada que dela surge a “história” e a “Lei” A lei brota da história e ao mesmo tempo visa proteger e manter aberta a dinâmica da história. Assim, a intenção dos mandamentos e das proibições (leis) que a seguem (Ex 20, 2-17 // Dt 5, 6-21) é preservar e comprovar a liberdade desejada por Deus, para que a libertação continue.

Olhando para o Evangelho de Jesus segundo o Evangelista Mateus (Mt 22,34-39 // Mt 5,17-20) temos aqui o mandamento dado por Jesus para o seu seguimento e a sua afirmação de que nele (nos mandamentos dado) está dado o pleno cumprimento da lei antiga, ou seja, Jesus veio dar-nos não uma nova lei, mas, pelo seu ensinamento e pelo seu comportamento, nos deu uma forma nova e definitiva, na qual se realiza plenamente aquilo que a Lei se encaminhava.

O amor, em que já se resumia a Lei antiga, torna-se o mandamento de Jesus (Jo 13,34) e o cumprimento de toda a Lei (Rm 13,8-10; Gl 5,14). Na Aliança do Sinai temos os dez mandamentos como o coração das Escrituras. Eles são a fonte da aliança, de toda moral e espiritualidade de judeus e cristãos. É a base de toda a Torá (instrução e ensinamento de Deus).

A aliança em Cristo é selada com o seu sangue, exatamente da mesma forma que a aliança do Sinai, entre Deus e a comunidade dos filhos de Israel, é selada com o sangue do cordeiro. Assim, somos todos convidados a viver e experimentar do mistério de salvação que se perpetua para sempre, pois a comunidade cristã, que nasce do seu sacrifício de Cristo na cruz, tem a convicção de que nele, e por meio dele, Deus estabeleceu a aliança que os profetas anunciaram e os filhos de Israel esperaram.

 

Neuza Silveira de Souza
coordenadora da Comissão Arquidiocesana de Catequese de BH