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O ser humano como imagem de Deus

 

Assim diz a Bíblia: Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança, dando-lhes a incumbência de exercer domínio sobre o resto da criação. Nesse sentido, podemos dizer que nós, seres humanos, ocupamos lugar privilegiado no conjunto da criação. Essa incumbência torna-se muito significativa, pois nos confere participação numa autoridade peculiar do próprio Deus: é o ser humano que toma conta, isto é, que cuida das coisas criadas, é ele que deve moldar o mundo, imprimir-lhe sua cultura, cultivar o jardim de Deus, ou seja, somos administradores e cooperadores de Deus. Ele fez conosco uma parceria, e isto é uma grande responsabilidade nossa.

 

Em Gn 1,28-31 fala-se da vocação do ser humano quando Deus lhe ordena: Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra. Dominai sobre todos os animais, alimente-se de todas as ervas com semente que existem à superfície da terra. Um “dominar” que deve ser entendido como “apascentar”, “guiar”, “acompanhar”. O homem surge como o pastor das coisas criadas. Faz as vezes de Deus, é seu representante, exerce a tarefa de cuidar. Para a realização dessa tarefa o homem necessita da experiência de oração.

 

A importância da oração para o discernimento

 

Na oração abrimo-nos
à comunhão com Deus,
ou seja, ao amor, pois Deus é amor. Abrindo-nos a Deus, abrimo-nos
ao irmão e aí se
dá o acontecimento esperado pelo Criador:
a realização da missão
e o cumprimento da vocação estabelecida
do retorno ao pai

Para caminharmos bem no cumprimento das nossas responsabilidades somos convidados à oração. Nela podemos fazer a experiência da presença divina, o desenvolvimento da capacidade expressiva da fé. Lembremo-nos de Santo Agostinho que diz em seu livro Confissões: “Fizestes-nos para Vós, Senhor, e o nosso coração não descansa enquanto não descansar em Vós”. Daqui podemos dizer que a oração exprime o desejo do bem supremo que habita o homem, e é entendida como movimento do coração em direção ao infinito, àquele que nos criou e nos deu a missão de cuidar das coisas criadas. Nessa missão, Deus se faz presente, toma a iniciativa, se torna sujeito de nossas ações, dá-se, entrega-se. Coloca-se à procura do homem e quer dialogar com Ele. Cabe ao homem a acolhida da sua vinda epifânica, tal como sua retirada no silêncio ou no escondimento.

 

O Deus que nos criou nos fez à sua imagem e semelhança, nos amou primeiro e se dá a conhecer  na sua autocomunicação conosco e na autorevelação na história, nos fatos da vida, iniciando um diálogo.  O Ser Humano: homem e mulher, acolhendo a Deus, reagem na fé mediante a benção, o louvor, a ação de graças, a adoração, o pedido, a confissão de seus pecados, etc. Sua reação se dá mediante a oração, que é sempre resposta a Deus. Na oração abrimo-nos à comunhão com Deus, ou seja, ao amor, pois Deus é amor. Abrindo-nos a Deus, abrimo-nos ao irmão e aí se dá o acontecimento esperado pelo Criador: a realização da missão e o cumprimento da vocação estabelecida do retorno ao pai.

 

O poder recebido de Deus, esse ordenamento, configura-se mais como benção do que como ordem. Daí a importância da presença e ação do homem no mundo. É a benção dada desde o princípio, as Alianças que Deus vem realizando com seu povo, configurando sua presença nele. As bênçãos são estendidas a toda a humanidade. Desde o principio, desde quando o homem ao sair do paraíso descobre que está fora dele para que possa caminhar-se para ele.

 

Neuza Silveira de Souza
Coordenadora da Comissão Arquidiocesana Bíblico-Catequética de BH