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O estudo da doutrina social da Igreja na Gaudium et Spes

Ao realizar um estudo sobre a Doutrina Social da Igreja, achei importante partilhá-lo com vocês, catequistas, pois trata-se de um documento que continua atual na caminhada da Igreja.  A Gaudium et Spes (GS), Constituição Pastoral “sobre a Igreja no mundo de hoje”, um documento do Concílio Ecumênico do Vaticano II, constitui uma das mais importantes referências para uma nova visão de Igreja e um novo relacionamento da Igreja com o mundo contemporâneo.  Essa Constituição é considerada  uma espécie da carta magna do ensino social da Igreja.

Tal como foi apresentada, ela estabelece, pela primeira vez na história, os princípios, as leis de uma Igreja, cuja própria existência, engendrada (imaginada, formada) pelo Cristo Deus feito homem (Jesus Cristo), está comprometida com mundo e com a história. Um exemplo disso é o início do parágrafo, no número 38 do documento,  que começa assim: O Verbo de Deus, pelo qual todas as coisas foram feitas, fazendo-se homem e vivendo na terra dos homens, entrou como homem perfeito na história do mundo, assumindo-a e recapitulando-a.

Nesse sentido, com o estudo da Doutrina Social da Igreja  (DSI), a Igreja procura atualizar a dimensão social do Evangelho para os distintos contextos da vida cotidiana, levando sempre em conta que o “gênero humano encontra-se em nova fase de sua história, na qual mudanças profundas e rápidas estendem-se de forma progressiva ao universo inteiro” (GS n. 4).

Dentre as linhas mestras da DSI, a mais incisiva preocupação dos Papas de Leão XIII a João Paulo II, sempre foi a centralidade e a dignidade da pessoa humana. A promoção integral do homem, a liberdade de expressão e de religião, a defesa incondicional da vida, o combate a todo tipo de preconceito, discriminação e racismo são temas que enriquecem os documentos. O ser humano, conforme nos lembra a Gaudium et Spes, é autor, centro e fim do desenvolvimento econômico. A dignidade da pessoa humana deve ser o objetivo primeiro e último da produção de bens, da organização política e das expressões culturais.

Nesse documento, o Concílio Vaticano II trata da condição e vocação humana e da dignidade da pessoa humana; dos fundamentos éticos da comunidade humana e da atividade humana no mundo; aborda os problemas mais urgentes nos campos do matrimônio e da família; trata da promoção do progresso cultural, da vida econômico-social, da comunidade política e da promoção da paz na comunidade internacional.

Com o olhar voltado para a situação atual do mundo, vista à luz da fé, esse documento nos faz um apelo para voltarmos às fontes em busca da mensagem cristã, que cria em nós a consciência profunda de seu verdadeiro sentido e das urgentes exigências.

Quando falamos do retorno ao núcleo da mensagem cristã, significa também que precisamos resgatar sua dimensão social, pois sem ela o próprio Evangelho perde credibilidade, perde seu fermento mais fecundo e mais eficaz. Portanto, podemos dizer que o Ensino Social da Igreja é um critério seguro para a urgente formação de agentes cristãos a fim de que, com conhecimento e experiência, possam oferecer sua presença qualificada, atuando na transformação das comunidades e da sociedade.

No desejo de compreender o caminhar da nossa Igreja e como ela se relaciona com o mundo, somos convidados a ler os sinais dos tempos na história. Quem diz “sinais dos tempos” reconhece que se tem alguma coisa a aprender com o próprio tempo. Assim, vamos conversar um pouco sobre a riqueza que esta Constituição “Gaudium et Spes” traz para nós no interior de seus capítulos. Nela encontramos temas essênciais para serem discutidos no momento atual da nossa vida cotidiana.

 

Neuza Silveira de Souza
Coordenadora da Comissão Bíblico-catequética da Arquidiocese de BH