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O domingo, dia do Senhor, é o tema desta reflexão iniciada na edição anterior , sobre a aliança de amor de Deus para com seu povo.

Domingo, dia do sol para os Gregos e Romanos, era o nome do primeiro dia da semana judaica. Para o cristão, o domingo é uma instituição. Sua origem deve ser buscada unicamente no fato de a ressurreição de Cristo ter ocorrido na madrugada posterior ao sábado, ou seja, ao raiar do domingo, quando é percebido pelas mulheres que caminham ao túmulo. O costume de se reunir nesse dia aparece a partir da semana que se segue, quando vemos os apóstolos reunidos no Cenáculo, oito dias após a ressurreição. O domingo é a continuação dessa reunião no cenáculo, que se renova a cada semana.

O domingo é um dia grandioso para o cristão. Ele é a comemoração da ressurreição de Jesus Cristo, sacramento de sua presença no meio de nós

Podemos ver em 1Cor. 16,2 que há uma prescrição: a de oferecer a cada primeiro dia da semana uma soma de dinheiro destinada à comunidade cristã de Jerusalém, o que está certamente ligada a uma reunião religiosa nesse dia. Isso nos leva ao conhecimento de que as igrejas paulinas já conheciam a celebração do domingo.
Os Evangelhos nos trazem a iluminação desse dia nas citações de Mateus 28,1, Marcos 16,2, Lucas 24,1 e, sobretudo, João 20,1.19 (cf. também 20,26: “oito dias mais tarde”) mencionando a ressurreição de Jesus no primeiro dia da semana.

Assim, o caráter próprio do domingo, dia consagrado à  glorificação da dignidade do Senhor, Kyrios, que Jesus recebeu por sua ressurreição, se expressa no nome “O dia do Senhor”.

O domingo é um dia grandioso para o cristão. Ele é a comemoração da ressurreição de Jesus Cristo, sacramento de sua presença no meio de nós.

Os primeiros cristãos ao celebrarem o domingo como “o dia do Senhor” passaram a ser fiéis ao domingo, procurando incluir nele o máximo de lazer possível, para ocupar-se do culto e da assembleia. Ao mesmo tempo, continuavam a praticar o repouso nos dias fixados pela sociedade de seu tempo, mas retirando dele o aspecto idólatra. Com o tempo, o domingo atraiu para si o dia de repouso.

Por volta do século IV, o Imperador Constantino, aproveitando os costumes tanto dos cristãos quanto dos pagãos, faz do domingo dia de descanso, consagrado ao culto. Dessa forma, oferece-se ao domingo uma importância toda nova. O dia dominical e salvador seria considerado como o dia de prece, sinal visível do triunfo do cristianismo. Esse simbolismo apoia-se na realidade litúrgica do domingo. A renovação dessa prática suscita o desabrochar da mística dominical. È o dia no qual Cristo venceu a morte e Ressuscitou.

A passagem da prática religiosa, do sétimo dia para a do oitavo dia torna-se o símbolo da passagem da Lei ao Evangelho. Por tudo isso, celebramos o oitavo dia, o domingo, com muita alegria.

Neuza Silveira de Souza
Coordenadora da Comissão Arquidiocesana de Catequese de BH