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A liturgia é a celebração do Mistério Pascal de Cristo. Em volta deste núcleo fundamental da nossa fé, celebramos no Ano Litúrgico a memória do Ressuscitado na vida de cada pessoa e de cada comunidade.

O Ano Litúrgico “revela todo o mistério de Cristo no decorrer do ano, desde a Encarnação e nascimento até à Ascensão, ao Pentecostes à expectativa da feliz esperança da vinda do Senhor.” (S C. 102). E assim nos propõe um caminho espiritual, ou seja, a vivência da graça própria de cada aspecto do mistério de Cristo presente e operante nas diversas festas e nos diversos tempos litúrgicos. Em síntese, através do Ano Litúrgico, os fiéis fazem a experiência de se configurar ao seu Senhor e dele aprenderem a viver “os seus sentimentos.” Fl 2,5.
 

O Ano Litúrgico não apenas recorda as ações de Jesus Cristo, nem somente renova a lembrança de ações passadas, mas sua celebração tem força sacramental e especial eficácia para alimentar a vida cristã. Por isso, o Ano litúrgico é sacramento e assim, torna-se um caminho pedagógico-espiritual nos ritmos do tempo.
Como a vida, a Liturgia segue um ritmo que garante a repetição, característica da ação memorial. Repetindo, a Igreja guarda a sua identidade. Para fazer memória do mistério a Liturgia se utiliza de três ritmos diferentes: o ritmo diário alternando manhã e tarde, dia e noite, luz e trevas; o ritmo semanal alternando trabalho e descanso, ação e celebração; o ritmo anual, alternando o ciclo das estações e a sucessão dos anos. (Guia Litúrgico – Pastoral – pgs. 78).
 

O ano civil começa em primeiro de janeiro e termina dia 31 de dezembro. O Ano Litúrgico começa no 1º domingo do Advento e se encerra na Solenidade de Cristo Rei. Portanto, estamos iniciando neste domingo o Ano Litúrgico de 2014.

“O Tempo do Advento possui dupla característica: sendo um tempo de preparação para as solenidades do Natal, em que se comemora a primeira vinda do Filho de Deus entre os homens, e um tempo em que, por meio desta lembrança voltam-se os corações para a expectativa da segunda vinda de Cristo no fim dos tempos. Por este duplo motivo, o Tempo do Advento se apresenta como um Tempo de piedosa e alegre expectativa.”

 

O Ano litúrgico é sacramento e assim, torna-se um caminho pedagógico-espiritual nos ritmos do tempo

ADVENTO ESCATOLÓGICO:.. No Prefácio do Advento I, a dupla vinda de Cristo: “Revestido da nossa fragilidade, ele veio a primeira vez para realizar seu eterno plano de amor e abrir-nos o caminho da salvação. Revestido de sua glória, ele virá uma segunda vez para conceder-nos em plenitude os bens prometidos que hoje, vigilantes, esperamos.”

No Prefácio do Advento I A, Cristo, Senhor e Juiz da História:
“Vós preferistes ocultar o dia e a hora em que Cristo, vosso Filho, Senhor e Juiz da História, aparecerá nas nuvens do céu, revestido de poder e majestade. Naquele tremendo e glorioso dia, passará o mundo presente e surgirá Novo Céu e Nova Terra. Agora e em todos os tempos, ele vem ao nosso encontro, presente em cada pessoa humana, para que o acolhamos na fé e o testemunhemos na caridade, enquanto esperamos a feliz realização do seu Reino.”

ADVENTO NATALINO: No Prefácio do Advento II, a espera jubilosa de Cristo:
“Predito por todos os profetas, esperado com amor de mãe pela Virgem Maria, Jesus foi anunciado e mostrado presente no mundo por São João Batista. O próprio Senhor nos dá a alegria de entrarmos agora no mistério do seu Natal para que sua chegada nos encontre vigilantes na oração e celebrando os seus louvores.”
No Prefácio do Advento II A, Maria Nova Eva:

“Nós vos louvamos, bendizemos, glorificamos, pelo mistério da Virgem Maria, Mãe de Deus. Do antigo adversário nos veio a desgraça, mas do seio virginal da filha de Sião germinou aquele que nos alimenta com pão do céu e garante para todo o gênero humano a salvação e a paz. Em Maria, é-nos dada de novo a graça que por Eva tínhamos perdido. Em Maria, mãe de todos os seres humanos, a maternidade, livre do pecado e da morte, se abre para uma nova vida. Se grande era a nossa culpa, bem maior se apresenta a divina misericórdia em Jesus Cristo, nosso Salvador”.

Que nós, mantenhamos uma expectativa vigilante e alegre, eduquemo-nos à esperança forte e paciente e, clamemos com toda a Igreja: Vem Senhor Jesus, vem!

Frei Filomeno dos Santos O.Carm.