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Meus Olhos, minhas Mãos e minhas Palavras: Versos de Cidadania

 

Havia um tempo em que meus olhos enxergavam apenas o trabalho realizado.   
Minhas mãos erguiam apenas o peso das necessidades materiais.                                
Meus ouvidos reproduziam apenas histórias narradas oralmente.
Meu comportamento silenciava diante do desconhecido.

Eu não sabia perguntar o por quê.
Eu acreditava que tudo estava no lugar certo, naturalmente preparado para cada pessoa aceitar o que lhe fora destinado.

As palavras que mais eu dizia:
Eu sou assim mesmo, eu sempre fui assim. As pessoas que me aturem como eu sou…
Eu acreditava ser o melhor pai, a melhor mãe de meus filhos, mas não conseguia dominar minhas próprias capacidades.
Eu era o senhor do meu trabalho, mas não era o senhor de mim mesmo.

Estou apenas nascendo para perceber quantas perguntas posso fazer, quantas habilidades tenho de aprender, quantas histórias tenho de compartilhar.
Eu me sentia vítima da sorte, um predestinado ao sofrimento.
Eu tinha medo de errar medo de aprender, medo de falar, medo de viver…

Mas agora aprendi que eu tenho todo o poder: o poder de ser eu mesmo, o poder de escolher e o poder de me responsabilizar.
Agora, já tenho a sabedoria de ouvir, a inteligência de analisar e de decidir.
Se sou contrariado, aprendi que as pessoas têm o direito de ser diferentes, de pensar diferentemente do que penso.
Se quero discordar, aprendi que não preciso desrespeitar, desqualificar aquele quem julgo ser meu opositor.

Agora, aprendi que posso fazer muito além de minhas obrigações, porque sou mais do que uma máquina, porque sou todo dia um pouco mais sábio, um pouco mais capaz.
Agora, aprendi que minhas palavras podem comunicar o que penso, o que preciso, o que sou, o que posso.

Aprendi que sou através do que mostro. Se cultivo a justiça, preciso praticar e falar da justiça.
Se aprecio as pessoas, preciso interessar-me por seus valores, seus saberes.
Se tenho prazer em aprender, já posso ler, fazer e ensinar.
Percebo que sou uma pessoa que erra e que acerta.
Existo não apenas para dever, não quero apenas reclamar, recuso a me paralisar. Digo Não a quem queira me limitar ou me anular.

Sou livre para minhas alegrias compartilhar, minhas amizades desfrutar…
O meu amor, no corpo posso sentir, nas palavras posso manifestar…
Agora, sou gigante, pois meu passado posso escrever, meu presente posso realizar, meu futuro não preciso temer: eu mesmo posso fazer…
Com as palavras, meus exemplos posso explicar…
Com meu entusiasmo, faço-me jovem, minha coragem, minha alegria iluminam minha personalidade.

Uma nova canção canta meus lábios,
novas imagens enxergam meus olhos,
novos desafios nascem do meu novo poder,
nova sensibilidade irriga meu coração.

 

Paulo Ross
doutor em educação especial
profpauloross@gmail.com
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