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Há 15 anos, pesquisa da Unesco, em parceria com o Instituto Ayrton Senna, colocava o Brasil no terceiro lugar entre os países com o maior número de assassinatos de jovens de 15 a 24 anos de idade. Na época, só perdíamos para a Colômbia e a Venezuela.

Sobre as vítimas, reproduzo, a seguir, alguns trechos de notícia da Agência Folha “Jovens são os que mais matam e mais morrem” de 17 de agosto de 2000:

“A maior vítima dos homicídios no Brasil tem 20 anos, é homem, vive em cidades grandes e morre nos fins de semana, ferido por armas de fogo. De acordo com o Mapa da Violência 2, preparado pela Unesco, a maior parte dos brasileiros assassinados morre entre os 19 e os 23 anos. O pico é aos 20. Nesta idade, 37,1% das mortes ocorrem por assassinato. Ao mesmo tempo, os jovens morrem mais nas capitais. Aí, 40% das mortes jovens acontecem por homicídios.”

“(…) ‘O jovem é quem mais mata e que mais morre hoje no país’, afirmou Julio Jacobo Waiselfisz, responsável pela pesquisa. Segundo outro estudo feito pelo pesquisador, 65% das mortes de jovens são provocadas pelo seu próprio grupo etário, pelos companheiros ou inimigos – normalmente homens.”

“(…) As armas de fogo são o principal meio: em 66% dos homicídios de jovens no país foram usados revólveres ou armas semelhantes. ‘Se há uma briga, e há uma arma, são muito maiores as possibilidades de se chegar a um assassinato’, disse Waiselfisz.”

Negros e presos

Em 17 de outubro de 2013, a Faculdade Zumbi dos Palmares (SP) divulgou síntese de pesquisa realizada pelo IPEA, que mostrava que:

“(…) A probabilidade de um brasileiro negro ou pardo ser assassinado no Brasil é oito pontos percentuais maior do que a de um não negro (brancos e amarelos).”

“Segundo o estudo, a taxa de homicídios entre negros e pardos (36,5 por 100 mil) é mais do que o dobro do que entre não negros (15,5 por 100 mil). Como consequência, a perda de expectativa de vida para negros devido à violência letal é 114% maior e o risco de homicídio tira 1,73 ano de expectativa de vida do negro e 0,71 ano do não negro. Os dados dão conta que mais de 60 mil pessoas são assassinadas no Brasil.”

 

Cerca de 10,3 jovens entre 16 e 17 anos são assassinados por dia no Brasil;  é a maior proporção de mortes por homicídios entre crianças e adolescentes no país

“Os presos do sistema penitenciário brasileiro são majoritariamente jovens, negros, pobres e de baixa escolaridade”, segundo levantamento do Infopen – Sistema Integrado de Informações Penitenciárias, que o Ministério da Justiça publicou em seu portal na internet em 23 de junho último.

O Infopen identifica que 56% dos presos no Brasil são jovens entre 18 e 29 anos e que há mais jovens nessa faixa etária dentro do que fora dos presídios. Na população total, eles representam 21,5% dos indivíduos. Na população prisional, são 56% deles.

O levantamento destaca que da população prisional, independentemente da faixa etária, dois em cada três presos no Brasil são negros, o que corresponde a 67% do total; o grau de escolaridade é muito baixo (cerca de 53% possuem ensino fundamental incompleto); e a maioria é de solteiros (57%).

O mapa mais recente

O sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, da Flacso (Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais) continua responsável pelo Mapa da Violência, pesquisa de vital importância para a orientação de políticas públicas.

O mais recente Mapa, com base em dados de 2013, foi levado ao Senado na segunda-feira, 29 de junho, “como forma de tentar conter o avanço nas discussões da maioridade penal”, informou Natália Cancian, do UOL, na mesma data.

Em seu texto, ela relata que “cerca de 10,3 jovens entre 16 e 17 anos são assassinados por dia no Brasil. É a maior proporção de mortes por homicídios entre crianças e adolescentes no país, segundo dados do novo Mapa da Violência”.

Ainda em relação ao estudo, “(…) a maior parte das vítimas é do sexo masculino, negro e de baixa escolaridade. Em 82% dos casos, o principal instrumento usado nos homicídios foi a arma de fogo”.

 

Lucila Cano

formada em Comunicação Social pela Fundação Armando Álvares Penteado – FAAP
redatora publicitária e assessora de imprensa.