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Jovens e mercado de trabalho

O trabalho surge como necessidade humana de existência. Aparece na forma de transformação da realidade em benefício da vida, desde os tempos nômades, passando pelo mundo agrícola, até a sofisticada eletrônica. O homem primitivo viveu milênios à cata de alimentação. O trabalho se reduzia à dupla tarefa da colheita dos frutos e da caça aos animais.

Já no início das sociedades se dividiam os trabalhos. Os homens se dedicavam à caça e as mulheres à colheita. Os jovens, rapazes e moças, facilmente se adaptavam ao tipo de trabalho demandado. Quando acabavam os bens disponíveis numa região, migravam para outra. Eram nômades.

A revolução neolítica com a respectiva sedentarização aconteceu pelos anos 9000 a 7000 a.C, lá pelas bandas do Médio Oriente e depois, sucessivamente, em outros lugares. O trabalho tomou nova forma. A terra se transformou no lugar privilegiado da labuta. As jovens se restringiam aos serviços domésticos, enquanto os rapazes já, desde cedo, se habituavam lentamente à lida no campo. A iniciação fazia-se sem problemas.

Passaram-se milênios. Explodiu a revolução industrial que modificou radicalmente o mapa do trabalho. Surgiu a fábrica. Aí as ocupações se diversificaram cada vez mais, desde as mais simples e menos remuneradas até as de gerência e direção. Apareceu então, ainda mais claramente, a capacidade do ser humano de modificar a realidade com o trabalho.
       
Para o sistema capitalista está aí a importância do trabalho produtivo, mercantilizável. Ele gera dinheiro, capital. Os donos das indústrias se enriquecem. Explora-se a mão de obra. Marx faz contundente análise de tal estrutura e desvenda-lhe a injustiça inerente. A Doutrina Social da Igreja denuncia-a também.

Na explosão da industrialização, abrem-se inúmeros postos de trabalho. Os jovens lentamente abandonam o campo e se empregam nas fábricas. Apesar das condições duras, sopra-lhes o ar de esperança da melhoria de vida. Em dados momentos, viveu-se o “pleno emprego”.
       
Nas últimas décadas, experimentamos nova revolução que está a gerar desemprego. E daí surge a questão grave de encontrar trabalho por parte do jovem. A eletrônica, em suas diversas expressões, tem reduzido a mão de obra. Fala-se de fábrica no Japão de gigantesca produtividade, mas com poucos empregados. Os robôs, os softwares, o controle eletrônico substituem as pessoas.
       
Duas consequências graves para o jovem. A drástica diminuição de vagas e a demissão de centenas e centenas de trabalhadores para enxugar a folha de pagamento e, assim, aumentar o lucro pelo uso da tecnologia avançada.

Outro efeito advém da necessidade de maior preparo intelectual para conseguir trabalho na indústria avançada tecnologicamente. E as escolas públicas do Brasil não formam a juventude para isso. Vive-se então o paradoxo. Falta lugar de trabalho para os menos preparados e sobram vagas para a mão de obra especializada.

A solução, sem dúvida, é investir na educação de maneira massiva e inteligente. Na sociedade do conhecimento, que estamos a construir, o futuro está reservado aos jovens que têm acesso ao mundo do saber, cada vez mais sofisticado.

 
Pe. João Batista Libanio, SJ
Professor da Faculdade Jesuíta de
Teologia e Filosofia (FAJE)