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Jovem da Pastoral Universitária da PUC Minas vive experiência de três meses na comunidade de Taizé, na França

“Aqui tudo é muito lindo. Não por ser uma vila típica francesa, mas  pela beleza da espiritualidade e da graça do encontro” – Rafael Domingues

O jovem Rafael Domigues Morais, 28 anos, que integra a Pastoral Universitária da PUC Minas Betim, realiza uma bonita experiência de vida em Taizé, uma comunidade ecumênica situada na França. Durante três meses, ele convive com jovens de vários países, que têm o mesmo objetivo: vivenciar a experiência de estar em uma comunidade cristã, partilhando o dia a dia e a espiritualidade com pessoas de diversas culturas. Segundo Rafael, uma oportunidade ímpar, conquistada por meio do Setor Universidade da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.
Desde que chegou Taizé, no final do mês de julho, tudo é novidade para o jovem recém-graduado em Psicologia pela PUC Betim. Mas, nem por isso, ele perde o foco no que realmente considera o objetivo de sua viagem. “Aqui tudo é muito lindo. Não por ser uma vila francesa, mas pela beleza da espiritualidade e da graça do encontro. Tem jovens de várias partes do mundo e, na casa onde estou morando, são todos voluntários com permanência prevista para três meses. Nesta semana, por exemplo, entre as diversas atividades, participei de oficinas com os latinos presentes”- conta Rafael.

Em um momento de oração e espiritualidade na casa dos coordenadores da comunidade, Rafael demonstrou ter levado consigo a preocupação com a situação atual do Brasil, ao ser perguntado sobre as intenções da oração a ser feito pelo País. “Não hesitei em dizer que deveríamos rezar para a correção de nossos rumos políticos, que tanto têm resultado na perda de direitos por parte dos jovens e da população em geral”.

Taizé chega a receber grupos de até seis mil pessoas por semana, especialmente durante o verão. Esses encontros de uma semana com jovens de várias nacionalidades são a prioridade da comunidade. Depois de cada encontro, os jovens voltam para as suas Igrejas locais e continuam participando da iniciativa de reconciliação entre os cristãos.

“O enriquecimento da espiritualidade cristã, que ele pode adquirir e repassar para o grupo da nossa Pastoral Universitária, é de uma experiência que acredito ser semelhante à das primeiras comunidades cristãs. Esse será, sem dúvida, o melhor retorno que o Rafael poderá nos trazer de toda essa vivência em Taizé” – observa o coordenador da Pastoral Universitária da PUC Minas, professor Prof. Edmar Avelar de Sena.

 

Jovens que fazem a mesma experiência, com Rafael, na Comunidade Ecumênica Taizé

 

Confira, aqui, a entrevista completa de Rafael Domingues ao Opinião e Notícias digital

O&N – O que o atraiu para essa experiência na Comunidade Taizé?
Rafael Domingues – A beleza do encontro com Deus e com os outros. Um ecumenismo sincero e respeitoso. A simplicidade e a profundidade da espiritualidade.

Estudar na PUC Minas, de algum modo, foi importante para sua espiritualidade?
Sem dúvida alguma, as aulas de cultura religiosa e filosofia foram essenciais para o amadurecimento da fé. A participação na Pastoral Universitária me permitiu encontrar com outros jovens de vários cursos diferentes que buscavam crescer na espiritualidade.

Qual o caminho que você percorreu até ser escolhido pela CNBB para fazer essa experiência?
Em agosto de 2012, entrei para a PUC Minas e me voluntariei para cantar na Missa na Pastoral Universitária da Unidade Betim. Em outubro, fui convidado pelo coordenador da pastoral para participar da segunda edição do Encontro Nacional de Universitários Cristãos(Ebruc) realizado pelo Setor Universidades da CNBB, em Curitiba, onde conheci o esse Setor  e vários estudantes que colaboravam com o trabalho ali desenvolvido. Em fevereiro de 2013, fui admitido como estagiário na Pastoral Universitária da PUC Minas, mantendo sempre em contato com esse Setor. Na terceira edição do Ebruc , na cidade de Colatina (ES), em 2015, tive a honra de fazer a dinâmica de abertura como membro da Pastoral Universitária da PUC Minas e colaborador voluntário do Setor Universidades. No trabalho com a comunidade universitária buscamos sempre a comunhão entre os agentes pastorais espalhados pelo Brasil, estamos sempre partilhando as experiências e cursos de formação promovido pelo Setor. Passei a ser um nome já conhecido e, assim, tive a graça de ser escolhido entre os possíveis candidatos. O tempo de permanência em Taizé era de três meses, e eu acabava de me formar em Psicologia. Assim, não teria problemas com o semestre letivo. Fui licenciado da Pastoral Universitária da PUC para que pudesse viajar para a França. E nesse tempo, em Taizé, estarei rezando pela quarta edição do Ebruc, que acontece do dia 7 ao dia 10 de setembro deste ano, em Manaus. Sem dúvidas, minha presença em Taizé é fruto desse encontro, ocorrido ainda em 2012. Mas sempre me lembro das palavras de São Padre Pio: “Procuremos servir ao Senhor com todo o coração e com toda a vontade. Ele nos dará sempre mais do que merecemos”

O que mais chamou sua atenção nessa Comunidade?
A beleza do encontro com Deus e com os outros. A oração, o trabalho, o silêncio; o respeito para com Deus e para com os outros.

Viver uma experiência ecumênica o aproxima da essência do ensinamento cristão?
Penso que sim, esse é um lugar ideal para revermos o nosso modo de viver a fé. Observo que, ao longo do tempo, fomos nos prendendo a regras e mais regras e nos esquecendo do amor. Amor que salva, escuta, reza, silencia e ama mais forte ainda. Fomos deixando de nos ver como irmãos e passamos a nos ver como concorrentes. Isso, dentro da comunidade cristã, é um pecado grave e que ignoramos. Quando olhamos para os passos de Jesus percebemos que suas escolhas não se parecem com as nossas. Ele amava o que ninguém queria amar. Hoje,  mesmo cheios de estudos e formações sobre o cristianismo, nós ainda não sabemos fazer as mesmas escolhas. O amor e a misericórdia não têm religião, nasce do coração de Deus e cabe a nós, cristãos, darmos testemunho sincero em meio ao mundo.

Que destino você pretende dar aos conhecimentos adquiridos com o convívio em Taizé?
Potencializar o trabalho na Pastoral Universitária para que cada vez mais jovens possam fazer uma experiência com o amor que é Cristo. Em Taizé, é muito forte a realidade da escuta. Escutar o coração dos que vêm até nós é amor. Não uma escuta para dar conselhos e instruções, mas ouvir o que o outro tem a dizer. Quero transmitir cada vez mais isso no trabalho pastoral.