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Identidade da animação vocacional

 

Deus chama a humanidade para ser sua imagem e semelhança e assim entrar em comunhão com Ele. Pelo batismo, essa humanidade é chamada a ser filha de Deus, graças ao Mistério Pascal de Jesus Cristo. Por meio desse mistério, Deus mesmo vai chamando os cristãos para que vivam a novidade de uma vida no Espírito, em diversas situações como leigos, presbíteros e consagrados. Essas vocações específicas mostram a importância do chamado de Deus.

Nas Sagradas Escrituras aparecem muitas vocações (Abraão, Moisés, Samuel, os profetas, os apóstolos, São Paulo, Maria) como o resultado de um encontro com Deus, que faz sentir sua presença e que a envia a uma comunidade para serviços concretos. A vocação é fruto de uma ação evangelizadora. A evangelização com sua dimensão bíblica, catequética, comunitária, litúrgica, missionária e profética chega às crianças, adolescentes, jovens e adultos para fazer-lhes conhecer Jesus que chama e envia a construir seu Reino no meio do mundo de hoje.

 

No espaço da animação vocacional, orientada a todos os fieis, há de existir também, em cada comunidade, uma atenção muito especial às vocações para os ministérios ordenados, à Vida Religiosa Consagrada e Missionária

O Senhor chama de maneira especial para o serviço a Ele e aos irmãos. A animação vocacional não pode ser motivada somente por urgências pastorais ou escassez de agentes, senão pelo próprio ser da Igreja. A vocação, chamado de Deus, surge em uma experiência de comunidade e gera compromisso com a Igreja universal e com determinada comunidade. Visto que as comunidades cristãs têm como base e meta a Eucaristia, temos que reconhecer que não haverá vocações nem perseverança sem Eucaristia.

O documento de Santo Domingo traçou o rosto de uma igreja que se realiza nas comunidades vivas, orgânicas, dinâmicas e missionárias que são o espaço para que as diversas vocações que o Espírito Santo semeia na Igreja possam nascer e crescer. Desse modo, a diocese, a paróquia, a comunidade, a família e grupo de jovens permitem uma experiência de fé partilhada, campo propício para as vocações.

A animação vocacional se estende como serviço a cada pessoa, a fim de que ela possa descobrir o caminho para a realização de um projeto de vida tal como Deus o quer e como o mundo de hoje necessita.

Cada ser humano, segundo o plano de Deus, é chamado à santidade e a realizar-se em um encontro com o Senhor, com os irmãos e consigo mesmo. Um encontro que lhe permita atingir a unidade entre fé e vida e ter uma existência plena e alegre, que se transforma em testemunho e anuncio de autênticos valores e serviços aos outros.

A animação vocacional parte da própria situação do jovem e do adulto, aproxima-se deles com uma atitude de respeito à sua dignidade pessoal, oferece-lhes elementos de discernimento e os acompanham em um processo de resposta dinâmica, que há de durar por toda a existência. A pessoa chamada se sentirá continuamente amada por Deus e interpelada pela realidade histórica de seus irmãos e irmãs.

No espaço da animação vocacional, orientada a todos os fieis, há de existir também, em cada comunidade, uma atenção muito especial às vocações para os ministérios ordenados, à Vida Religiosa Consagrada e Missionária. O trabalho pelas diversas vocações há de realizar-se de uma forma harmônica e coordenada, de tal maneira que umas estimulem as outras no seio de cada Igreja Particular. As circunstâncias atuais de nossa Igreja na América Latina pedem especial atenção pelas vocações de Vida Contemplativa, de irmãos e irmãs e para o Diaconato Permanente.

Tenhamos sempre em conta que é Deus quem chama. Toda vocação é dom de Deus, que se deve pedir na oração, segundo a ordem de Jesus (Mt 9,38). Tem que ser recebida com fé e humildade e alimentada com uma vida de oração e de existência fraterna, serviçal, fiel e alegre.

 

Pe. Deonor Vieira do Nascimento, SM
Sacerdote Marista
Promotor Vocacional da Sociedade de Maria (Padres Maristas)
Pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida – Vespasiano (MG)