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Homenagem a dom Walmor- 10 anos de Evangelização na Arquidiocese de BH


Centenas de pessoas participaram da celebração pelos 10 anos de dom Walmor à frente da Arquidiocese BH

 

A pedido de nossos leitores, publicamos, nesta edição, a homenagem de dom Joaquim Mol na celebração pelos 10 anos de dom Walmor à frente da Arquidiocese BH, no Santuário de Adoração Perpétua – Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem. Dom Mol destaca a entrega do Arcebispo ao trabalho de evangelização, que desde o início de seu ministério se apresentou como “primeiro servidor” desta Igreja particular.

 

Íntegra da Homenagem:

O mistério da Encarnação é dos mais profundos e consequentes mistérios da fé cristã. Ele nos remete às raízes de nossa vida em Cristo. É daqueles mistérios que, nascidos da iluminação pascal única e definitiva de Jesus Cristo, distinguem o cristianismo e registram seu estatuto como um projeto de vida, no qual o humano e o divino se encontram, dando à condição humana a graça de ser tocada por Deus.

Talvez seja por isso mesmo que ainda não conseguimos, em mais de dois mil anos de cristianismo, captar existencialmente, na vida concreta, a totalidade das consequências deste inefável mistério. Porém, como caminhamos, temos grandes chances de adentrarmos no mistério.

Pois bem, este belo mistério celebrado no Natal, mais lucidamente no 3º domingo do advento, quando a Palavra de Deus proclamada na liturgia diz, com outras palavras, “é Ele mesmo”, contribui para a determinação da data da Anunciação do Senhor. Menos por uma busca de exatidão cronológica para fazer coincidir 9 meses da gestação de Jesus no ventre de Maria, antes do seu nascimento em 25 de dezembro – porque tudo isto é uma bela construção teológica –, onde os significados de fé ganham contornos bem humanos; mais pela razão que nos coloca diante da tradição mística que fixara a data de 25 de março como a da crucifixão de Jesus, promovendo o encontro da Anunciação, esperança para a humanidade, com a Cruz redentora de Cristo, a mesma esperança, agora realizada.

 

A Anunciação, então, delicadamente, de um lado, mostra que Jesus entrou na história pela porta da frente, fez-se anunciar. Deus não forçou sua entrada no mundo, mas quis como que “propor-se” ao mundo, à humanidade. De outro lado, a resposta positiva de Maria, seu “fiat’, em nome de todos, selou a Aliança. O Senhor está com ela e nós somos o povo de Deus, no caminho de Jesus.

 

Foi naquele 25 de março, à Igreja reunida em assembleia litúrgica, que Dom Walmor apresentou, numa única frase, o seu programa de atuação e o seu projeto de vida aqui: “ser o primeiro servidor desta
Igreja”

Como a circularidade infinita de uma aliança, a Anunciação contém a oferta de Deus e a acolhida humana em processo permanente de renovação. Pois Deus continua se ofertando nas pessoas, nos acontecimentos, na Palavra, em cada Eucaristia, no perdão… e nós continuamos acolhendo-o na acolhida às pessoas, na interpretação dos acontecimentos, na escuta da Palavra, na partilha o Pão, na consertação do que o pecado estragou… Como a Anunciação condensa mistérios fundantes de nossa vida em Cristo! Que belo!

É neste contexto de uma liturgia, em cor branca, numa solenidade do Senhor, que acolhemos a Dom Walmor Oliveira de Azevedo, outrora chamado por Deus para ser batizado cristão e depois ordenado padre na comunidade de fé e, há dez anos, mandado pela Igreja, a ser o bispo na Arquidiocese de Belo Horizonte. Em momento algum esta Igreja Particular se reuniu para escolher o seu bispo e em momento algum faltou ao seu bispo a resposta positiva da comunidade eclesial, porquanto, Deus continua a ofertar e a promover a acolhida da oferta – pessoas, na pessoa de Cristo.

Foi naquele 25 de março, na catedral constituída no mineirinho, à Igreja reunida em assembleia litúrgica, que Dom Walmor apresentou, numa única frase, o seu programa de atuação e o seu projeto de vida aqui: “ser o primeiro servidor desta Igreja”. Naquele mesmo momento ele declarou – assim livremente interpreto – que, ser o primeiro servidor significava renunciar privilégios, vantagens, status, dinheiro, poderes… por isso quis colocar-se de joelhos, para reconhecer sua pequena estatura diante da missão e para tocar este chão, terra santa – porque não se ajoelha dignamente quem não se reconhece pequeno. Fomos entendendo isto quando, repetidas vezes, naquele mesmo dia, ao invés de falar do seu amor, anunciou o autor do amor, o Amor mesmo, Deus, em sua relação com o povo: “amados e amadas de Deus”!

Pronto: primeiro servidor dos amados e amadas de Deus.
Mãos à obra! De lá para cá muito trabalho e muita graça. Dez anos de dedicação amorosa. Dez anos tecendo relações e edificando a Igreja Viva que desejamos ser.

 

O delicado trabalho de promover a sintonia necessária, o compromisso comum e as relações interpessoais para que leigos, padres e consagrados atuem no mesmo projeto, é obra do artista presente na pessoa de Dom Walmor

Nada teria sido feito sem a adesão e participação dos muitos e muitos leigos e leigas espalhados em centenas de comunidades e milhares de grupos, distribuídos pelo imenso território desta arquidiocese. Quase nada teria sido feito sem o envolvimento decisivo de muitos e muitos padres, religiosos e religiosas presentes a estas comunidades.

Indispensável tem sido o trabalho e o testemunho de várias pessoas, homens e mulheres de muita boa vontade e de comprovada competência e que atuam nas variadas instituições vinculadas a esta Igreja.

O delicado trabalho de promover a sintonia necessária, o compromisso comum e as relações interpessoais para que leigos, padres e consagrados atuem no mesmo projeto, é obra do artista presente na pessoa de Dom Walmor, que não se dispõe a trabalhar sozinho, mas sempre com outros.

Com isto, permito-me, por fim, reconhecer muitos feitos. Não poderei mencioná-los, senão, tão somente organizar cinco eixos ao redor dos quais gravitam, o tempo todo, muitas ações e pessoas, vislumbrando, assim, o belo horizonte da vivência eclesial nestes dez anos, sob a coordenação de Dom Walmor. Inquestionavelmente fomos instados por ele a olhar mais para frente, demonstrando termos aprendido da história passada, e a atuar firmemente no presente, contemporaneamente. Destaco:

Eixo 1

Arquidiocese comprometida, que explicita sua dimensão social

Ao redor deste eixo gravitam os trabalhos sociais e políticos, as ações sócio-transformadoras, os serviços aos pobres praticados pelas comunidades e pelas paróquias; aqui gravita o vicariato episcopal para a ação social e política e todas as ações da Igreja que definem sua presença pública, por exemplo, a Fundação das Obras Sociais Nossa Senhora da Boa Viagem, A Fundação Hospitalar Nossa Senhora de Lourdes dentre outras iniciativas…

Eixo 2    

Arquidiocese sem fronteiras, que explicita a mobilidade e sua internacionalização

Ao redor deste eixo gravitam as pessoas, eventos e relações institucionais estabelecidas pela Arquidiocese de Belo Horizonte, através, por exemplo, da visita de várias lideranças nacionais e internacionais à nossa Igreja Particular, dos vários contatos com pessoas de instituições estrangeiras, de várias partes do mundo. Podemos falar do Haiti, do Líbano, do Congresso Mundial de Universidades Católicas que reuniu 28 países aqui em Belo Horizonte, do Observatório da Evangelização.

Eixo 3

Arquidiocese formadora, que explicita a qualificação das pessoas e a renovação dos quadros de servidores do Evangelho e das instituições

Ao redor deste eixo gravitam os que são responsáveis pela renovação do projeto pedagógico de formação dos seminaristas e pela formação permanente dos padres, com belas experiências promovidas pela pastoral presbiteral. Reconhecemos que nunca tivemos tantos padres, ao mesmo tempo, se preparando com outros cursos de graduação e cursos de stricto sensu em várias áreas, principalmente filosofia e teologia, mas também ciências da religião, administração, psicologia, arquitetura, direito, geografia e tratamento da informação espacial… São muitas dezenas de ofertas de formação qualificada realizadas, com competência e qualidade, por instituições de ensino da Arquidiocese que vão desde a educação básica, nas oito unidades do Colégio Santa Maria, até os cursos de graduação tradicionais e os recém criados com reconhecidos diferenciais, de medicina e cinema e, proximamente, quem sabe, engenharia aeronáutica. Destaca-se o Ânima, Sistema Avançado de Formação que reúne vários núcleos de aperfeiçoamento da formação de quem atua social e eclesialmente. Tudo isto na PUC Minas, no Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (CES), na Faculdade Católica de Uberlândia, sempre na perspectiva da formação cristã humanística.

Eixo 4

Arquidiocese criativa, que explicita a criatividade, a inovação e sua capacidade empreendedora sob o ângulo da evangelização

Ao redor deste eixo gravitam as iniciativas de evangelização que são aprimoradas no decorrer do tempo, desde os novos métodos até o novo ardor discipular, que nos faz anunciadores do Reino. Aqui está o vicariato episcopal para a ação pastoral, desafiado, permanentemente, pela realidade, pelos novos tempos com seus valores e problemas, pela cultura, pelo Papa Francisco e suas orientações, pela necessidade de profunda renovação da Igreja, às vezes mergulhada em si mesma, perdendo a força de seu carisma, que é o Evangelho. Gravitam aqui os inúmeros grupos de ação pastoral e evangelizadora, atuando junto às comunidades e famílias, junto a pessoas desprezadas na sociedade; atuam levando a Palavra de Deus, o silêncio solidário, a palavra profética, o gesto de amor, a consciência de cidadania.

Eixo 5

Arquidiocese eficiente, que explicita sua organização, seu funcionamento e a aplicação de seus recursos

Ao redor deste eixo gravitam os conselhos em todos os níveis, bem como as pessoas que lhes dão vida, a articulação das ações em suas várias dimensões, as assessorias e secretarias, os veículos de comunicação, as instituições que cuidam da vida, da cultura, da memória e prestam serviços, como a Sociedade Civil Espírito Santo, a Fundação Mariana Resende Costa e suas várias frentes de atividades.

Na coordenação amorosa de toda a Arquidiocese de Belo Horizonte, noite e dia, dia e noite, como doação de si mesmo, há dez anos, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, nosso arcebispo.

 

Dom Joaquim Mol
Bispo auxiliar da Arquidiocese de BH
Reitor da PUC Minas