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Família, comunidade de vida e comunhão

 

A família, berço da vida e do amor em que o homem nasce e cresce, é a célula fundamental da sociedade. Deve ser alvo da principal preocupação da Igreja e da sociedade, especialmente quando as situações de pobreza, de miséria física e cultural, bem como a mentalidade hedonista e consumista, tendem a secar as fontes da vida e ameaçar a sua função educativa. 

Na família, a pessoa não é apenas algo que é progressivamente introduzido na comunidade por meio da educação. Na verdade, através do sacramento do Batismo e da educação na fé, torna-se parte da família de Deus, que é a Igreja. Esta dupla dimensão está hoje ameaçada e submetida a pressões vindas, acima de tudo, da mídia que nem sempre é capaz de se manter imune ao obscurecimento de valores.

A fim de delinear o conteúdo de um melhor entendimento da família, partimos dos ensinamentos da Igreja.  Os Padres Sinodais na Gaudium et Spes afirmam: “O bem da pessoa e da sociedade humana e cristã está intimamente ligado com o estado saudável da vida conjugal e familiar” (cap 1,n.47).

“A família, com todas as suas relações interpessoais, em si é manifestação de riquezas que podem ser adequadamente penetradas pelo olhar daquele que nela acredita”

A família é descrita como a comunidade íntima de vida e de amor conjugal, que deriva não só do indivíduo, mas de toda a sociedade humana e cristã. Isto quer dizer, é um sinal de que este vínculo é sagrado, não depende mais do homem, mas de Deus. Autor do matrimônio dotou-a com vários benefícios e propósitos. Isso é de suma importância para a continuidade da raça humana, o progresso pessoal e o destino eterno de cada membro da família. Imprescindível para a dignidade, estabilidade, a paz e a prosperidade da família e de toda a sociedade humana.

João Paulo II em sua Exortação Apostólica Christifideles laici, salienta o papel de comunhão que é a base da família: “A primeira e originária expressão da dimensão social da pessoa é o casal e a família […] e a sua união constitui a primeira forma de comunhão entre pessoas”(n.40). A família, com todas as suas relações interpessoais, já em si é manifestação de riquezas que podem ser adequadamente penetradas pelo olhar daquele que acredita.

Na Exortação Apostólica “Familiaris Consortio”, João Paulo II enfatiza a importância das relações que são estabelecidas no seio da família, afirmando: “No matrimónio e na família constitui-se um complexo de relações interpessoais – vida conjugal, paternidade-maternidade, filiação, fraternidade – mediante as quais cada pessoa humana é introduzida na “família humana” e na “família de Deus”, que é a Igreja”(n.15).

Torna-se, então, fundamental perguntar a si mesmo: Como sou sujeito ativo na construção de um humanismo autêntico na familia? Assolada por muitas mudanças, profundas e rápidas na sociedade e na cultura, a família sentiu minada a base de sua missão de revelar a cada um o próprio casamento como vocação para abraçar com o Pai. Muitas famílias vivem este desafio, diante da perda de valores. Entre eles a fidelidade, fragilizada junto com os demais princípios que constituem o fundamento da instituição familiar. Realidade que as torna incertas e desorientadas sobre o seu papel e quase esquecidas do significado último da verdade da vida conjugal e familiar.

 

 

 

 

 

 

Pe. Mário Sérgio Bittencourt
Vigário Judicial do Tribunal Eclesiástico da Arquidiocese de BH
Pároco da Paróquia Divino Espírito Santo(bairro Santa Efigênia)