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Dia Mundial dos Pobres: dom Otacílio destaca mensagem do Papa Francisco

Mensagem do Papa Francisco para o I Dia Mundial dos Pobres
Tema: “Não amemos com palavras, mas com obras”

Apresento uma síntese da Mensagem do Papa Francisco para o I Dia Mundial dos Pobres, a ser celebrado no dia 19 de novembro de 2017 – 33° Domingo do Tempo Comum.

Dirigida aos bispos, sacerdotes, diáconos, às pessoas consagradas, associações, movimentos e ao vasto mundo do voluntariado, a mensagem tem como fundamentação inicial a passagem bíblica da Primeira Carta de São João: «Meus filhinhos, não amemos com palavras nem com a boca, mas com obras e com verdade» (1 Jo 3, 18); e como objetivo, “fazer com que as comunidades cristãs se tornem, em todo o mundo, cada vez mais e melhor sinal concreto da caridade de Cristo pelos últimos e os mais carenciados.”

À luz do Salmo: “Quando um pobre invoca o Senhor, Ele atende-o” (Sl 34/33, 7), apresenta-nos o caminho que a Igreja fez e haverá de fazer colocando-se sempre no serviço aos mais pobres, numa expressão viva de fraternidade e solidariedade, em perfeita sintonia com os ensinamentos de Jesus, à luz das Bem-Aventuranças, como também vemos nas primeiras páginas dos Atos dos Apóstolos e na Epístola de São Tiago, que afirma –“a fé sem obras é morta” (Tg 2, 20).

A Igreja é chamada a viver a misericórdia que brota do coração da Trindade, e impulsiona nossa vida para sermos sinais de compaixão e das obras de misericórdia em prol dos irmãos e irmãs que se encontram em necessidade, e neste sentido, a oração, o caminho do discipulado e a conversão, vividos na caridade, são expressos na partilha, conferindo autenticidade evangélica à solidariedade para com os pobres.

Reconhece que, se ao longo da história, houve momentos em que cristãos não escutaram profundamente este apelo da Palavra Divina, deixando-se contagiar pela mentalidade mundana, o Espírito Santo, por sua vez, chamou muitos outros para manterem o olhar fixo no essencial, homens e mulheres que com toda a simplicidade e humildade, serviram aos seus irmãos mais pobres, animados por uma generosa fantasia da caridade (cita São Francisco de Assis e seus seguidores, São João Crisóstomo e outros)

Não se pode pensar nos pobres “apenas como destinatários duma boa obra de voluntariado, que se pratica uma vez por semana, ou, menos ainda, de gestos improvisados de boa vontade para pôr a consciência em paz”.

O encontro com Cristo se dá, portanto, quando tocamos “o Seu corpo no corpo chagado dos pobres, como resposta à comunhão sacramental recebida na Eucaristia. O Corpo de Cristo, repartido na sagrada liturgia, deixa-se encontrar pela caridade partilhada no rosto e na pessoa dos irmãos e irmãs mais frágeis”.

O Papa nos fala da dificuldade de identificar claramente a pobreza, devido aos seus inúmeros rostos marcados pelo sofrimento, marginalização, opressão, violência, torturas e a prisão, pela guerra, privação da liberdade e da dignidade, pela ignorância e o analfabetismo, pela emergência sanitária e a falta de trabalho, pelo tráfico de pessoas e a escravidão, pelo exílio e a miséria, pela migração forçada. São rostos de mulheres, homens e crianças explorados para vis interesses, espezinhados pelas lógicas perversas do poder e do dinheiro.

Somos exortados a “estender a mão aos pobres, a encontrá-los, fixá-los nos olhos, abraçá-los, para lhes fazer sentir o calor do amor que rompe o círculo da solidão. A sua mão estendida para nós é também um convite a sairmos das nossas certezas e comodidades e a reconhecermos o valor que a pobreza encerra em si mesma”.

Lembra o que afirmava o Beato Papa Paulo VI, que todos os pobres pertencem à Igreja por “direito evangélico”. Sendo assim, reconhece as benditas mãos que se abrem para acolher e socorrer os pobres: “são mãos que levam esperança. Benditas as mãos que superam toda a barreira de cultura, religião e nacionalidade, derramando óleo de consolação nas chagas da humanidade. Benditas as mãos que se abrem sem pedir nada em troca, sem ‘se’ nem ‘mas’, nem ‘talvez’: são mãos que fazem descer sobre os irmãos a bênção de Deus”.

É desejo do Papa que, neste dia, “as comunidades cristãs se empenhem na criação de muitos momentos de encontro e amizade, de solidariedade e ajuda concreta”.

“Poderão ainda convidar os pobres e os voluntários para participarem, juntos, na Eucaristia deste domingo, de modo que, no domingo seguinte, a celebração da Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo resulte ainda mais autêntica…”.

Convida-nos a vivermos, em nosso bairro, a aproximação com os pobres que buscam proteção e ajuda: “será um momento propício para encontrar o Deus que buscamos. Como ensina a Sagrada Escritura (cf. Gn 18, 3-5; Heb 13, 2), acolhamo-los como hóspedes privilegiados à nossa mesa; poderão ser mestres, que nos ajudam a viver de maneira mais coerente a fé. Com a sua confiança e a disponibilidade para aceitar ajuda, mostram-nos, de forma sóbria e muitas vezes feliz, como é decisivo vivermos do essencial e abandonarmo-nos à providência do Pai”. As múltiplas iniciativas concretas a serem realizadas na oração, tendo como fundamentação o “Pai Nosso”, que é a oração dos pobres.

Finaliza expressando o seu desejo de que este novo Dia Mundial se torne “um forte apelo à nossa consciência crente, para ficarmos cada vez mais convictos de que partilhar com os pobres permite-nos compreender o Evangelho na sua verdade mais profunda. Os pobres não são um problema, são um recurso para acolher e viver a essência do Evangelho”.

Dom Otacílio Ferreira de Lacerda – bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte