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Deus se comunica conosco

No encontro anterior, refletimos sobre a importância da Bíblia como Palavra de Deus em nossa vida e na vida da comunidade. Esta Palavra é um dos instrumentos para nossa comunicação com Deus. E a escuta da Palavra nos ajuda a construir o diálogo com Ele e com nossos irmãos. Faz parte da nossa essência de vida o desejo de comunicar. Pode ser uma comunicação superficial ou profunda.

 

A comunicação é profunda entre as pessoas que se amam, se querem bem. Elas se abrem e se “revelam”, como também estimulam e incentivam a outra. Nós nos comunicamos por palavras, gestos, olhares, carícias. Vamos, então refletir: Quais foram os momentos mais felizes em nossa vida? (A maior parte deles, certamente, foram os momentos de profunda comunicação, de amor e de amizade).

E Deus? Ele se comunica conosco?

Não podemos conhecer Deus diretamente, pelos sentidos. Ninguém nunca viu a Deus com os olhos, ou ouviu a sua voz. Deus não se comunica diretamente, mas por intermédio de algo, de alguém… Deus se comunica por sinais. Isto acontece, de certo modo, também em nossa vida.

O mais profundo do meu ser pode se tornar conhecido do outro somente se eu quiser me revelar. Se eu amo profundamente uma pessoa, mas não o demonstro, ela nunca saberá do meu amor. Mas, por meio de certos gestos ou sinais, ela pode percebê-lo: um sorriso, um abraço, um beijo, um presente, uma palavra, uma gentileza, um serviço prestado… Esses gestos exteriores revelam o que está dentro de mim.

Assim é Deus. Por gestos ou sinais ele se revela, revela seu amor, sua amizade, sua grandeza, seu poder. Percebemos os sinais de Deus?

 

A natureza

 

Um sinal que muito nos fala de Deus é a natureza, o universo que nos cerca e nos impressiona. Diz o livro da Sabedoria: “São insensatos os que desconhecem a Deus e não reconhecem o Artista através das suas obras” (Sb 13,1). As maravilhas escondidas nas mínimas coisas nos causam admiração: um átomo, um inseto, uma gota d’água.

Percebemos a organização do grande universo: milhares de leis que fazem com que tudo corra perfeitamente; sentimos a grandeza e o poder de Deus e balbuciamos: “O que é o homem diante de Deus? Menos que um grão de areia, menos que uma gota d’água no mar imenso”.

Vamos observar a natureza e perceber as suas maravilhas: o céu estrelado, as montanhas, o mar, as florestas, os animais, uma flor. E deixemos-nos extasiar diante da beleza que a natureza nos mostra.

 

O homem – a mulher

 

Dentro da criação de Deus está o ser humano, a criatura mais perfeita. Diz a Bíblia: “Deus criou o homem à sua imagem; criou-os homem e mulher” (Gn 1,27).

O ser humano revela Deus de um modo especial. É pelo amor humano que vamos entender algo do amor de Deus. É por tudo que é bom no ser humano que entendemos a bondade de Deus. É pela capacidade que o homem tem de criar, de raciocinar, de intuir, que entendemos algo do mistério de Deus.
Homem e mulher são chamados a revelar Deus a seus semelhantes. Infelizmente, nem sempre correspondem à sua vocação. Em vez de ser sinal de Deus, são, muitas vezes, contra-sinal. Tornam escuro para o outro o caminho que leva a Deus e até afastam o outro de Deus.
O que diz a Bíblia? Vamos ler e comentar Gn 1 – 2,4.

Para entender os sinais de Deus, precisamos ter fé. Quem não tem fé, vê as mesmas coisas e participa dos mesmos acontecimentos, mas não lhes entende o sentido, não descobre neles a presença de Deus. É como a pessoa que não sabe ler. Vê as letras, os sinais, mas não sabe interpretá-los. Assim, a pessoa que não tem fé vê os sinais, mas nem sempre descobre Deus. Sentir a presença de Deus nos seus sinais, isto é “experiência de Deus”.

Há momentos fortes em nossa vida em que “experimentamos” Deus. Vamos fazer um momento de silêncio e, em seguida, vamos rezar Salmo 139,1-14: “Senhor, eu sei que tu me sondas…”.

Nosso agir

Nesta semana, vamos prestar atenção e ver onde encontramos Deus: onde se vive o amor, onde se sabe perdoar, onde se constrói a paz, onde se experimenta a grandeza da natureza nas pequenas coisas… Fique um pouco em silêncio e agradeça a Deus por seu sinal.

 

Neuza Silveira de Souza,
Coordenadora da Comissão Arquidiocesana de Catequese de BH