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[Artigo] Deixar-se guiar pelo Espírito – Neuza Silveira, secretariado Arquidiocesano Bíblico-Catequético de BH

A importância do querígma na catequese

O Evangelho é uma Palavra viva, eficaz, uma mensagem salvífica, anunciada oralmente e tem seu início na vida e obra de Jesus, pois é Ele a Boa-Notícia do Pai revelada aos homens. Nesse sentido, o querígma tem por finalidade ajudar as pessoas a reconhecer em Jesus Cristo o Messias, o Filho de Deus, o enviado do Pai por excelência para nos revelar o mistério de sua vontade. Em cada Evangelho podemos perceber o amor de Jesus com o Pai, um amor que ele vem nos revelar demonstrando para todos o grande e misericordioso amor do Pai. Várias são as passagens bíblicas que tornam explicito o amor do Pai.

Jesus é para nós o Proto-Sacramento do Pai, ou seja, o primeiro, e no cumprimento de sua missão no meio de nós ele se torna um pedagogo. Assim como o Pai, sua pedagogia parte da realidade das pessoas, acolhendo-as e respeitando-as na originalidade de sua vocação ou interpelando-as à conversão. A pedagogia catequética segue como modelo a pedagogia de Jesus, o agir a partir da convivência com as pessoas, motivando-as a viverem de acordo com seus ensinamentos.

A catequese faz parte da memória da Igreja, essa entendida como “memorial” que quer dizer: manter viva entre nós a presença do Senhor, trazer para hoje o mistério salvífico, realizado há tantos séculos, fazendo-nos dele participar, pela ação do Espírito Santo. Assim, o que se memoriza deve antes passar pelo coração, pela experiência, pelo sentimento de quem aprende, e isso se faz pela vivência e celebração. Repetir ritualmente gestos, sinais, palavras vai refletir na vida de cada um, ajudando a guardar os ensinamentos não apenas na cabeça, mas no coração.

O exemplo de Jesus

O batismo de Jesus revela que Ele é o ungido do Pai, pelo Espírito e na sua missão de salvar o mundo, nele realiza o Reino porque a sua pessoa é a própria Palavra do Pai. No nosso batismo, no qual somos revestidos de Cristo, recebemos o Espírito Santo, nos tornamos morada de Deus e recebemos o chamado para salvar o mundo, pelo Espírito, realizando as coisas que Jesus fazia: sair em missão ensinando através das catequeses, anunciando o Evangelho do Reino e possibilitando às pessoas conhecerem Jesus. Esse anúncio deve levar à inclusão e não exclusão, à transformação, mudança de vida, conversão, isto é, tornar as pessoas criaturas novas. Como dizia São Paulo: se alguém está em Cristo, é criatura nova (2Cor 5, 16).

É a partir da ressurreição de Jesus e envio do Espírito que encontraremos o caminho do seguimento do Cristo, daremos sentido à nossa vida, nos tornamos participantes da família divina e recebemos o amor de Deus de Deus. Tornando partícipes desse amor, somos convocados para levá-lo a todas as outras criaturas. Essa é a nossa missão.

Jesus nos faz o convite. Sair de si e ir ao encontro do outro. É a saída de si a condição permanente que permite que os relacionamentos ocupem o lugar central na vida. Assim, sair dos enclausuramentos, das conchas que formamos ao nosso redor, possibilita a escuta de quem caminha conosco. Ao se colocar no caminho do discipulado e se dispor a seguir o Mestre, crer nele e ainda assumir seu estilo de vida, descobrir e discernir o plano de Deus para a nossa vida, seremos capazes de viver a aventura de ser um seguidor do Mestre Jesus.

 

 

 

 

Neuza Silveira de Souza
Coordenadora do secretariado Arquidiocesano
Bíblico-Catequético de Belo Horizonte

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